08 de julho de 2026
Internacional

Baleada na cabeça, deputada luta pela vida


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Tucson - A congressista norte-americana Gabrielle Giffords manteve a luta pela vida ontem, após ter sido atingida por um tiro na cabeça disparado por um criminoso que matou outras seis pessoas durante encontro da deputada democrata com eleitores em Tucson, no Estado do Arizona.

Giffords, 40 anos, está em estado grave e os médicos seguem cautelosamente otimistas quanto às chances de sobrevivência dela. O suspeito de ter atirado na parlamentar está sob custódia federal, mas os investigadores ainda buscam um motivo para o fato de um parlamentar ter sido baleado e procuram por um possível cúmplice do crime.

O suspeito, identificado como Jared Lee Loughner, de 22 anos, abriu fogo com uma pistola semiautomática do lado de fora de um supermercado, na tarde de sábado. Ele foi contido por dois transeuntes após cometer o crime.

Entre os mortos estão um juiz federal e uma menina de nove anos de idade. Outras doze pessoas ficaram feridas na correria após o início do tiroteio.

O fato chocou Washington, onde congressistas adiaram uma votação sobre a polêmica reforma do sistema de saúde. Após uma eleição parlamentar sem qualquer violência no ano passado, há quem acredite que o ato criminoso contra Giffords teve motivação política.

O delegado do Condado de Pima, Clarence Dupnik, afirmou que o suspeito "tem um passado um pouco problemático e nós não estamos convencidos de que agiu sozinho". Ele afirmou acreditar que a própria Giffords era o alvo do tiroteio.

Dupnik disse que o suspeito fez ameaças de morte no passado, mas não contra Giffords. "Tudo o que posso dizer é que essa pessoa pode ter problemas mentais", acrescentou.

O presidente dos EUA, Barack Obama, colocou o diretor do FBI, Robert Mueller, a cargo da investigação. "Ainda não sabemos o que provocou esse ato inexprimível", disse. Em comunicado, Obama rechaçou o atentado.

Como aconteceu

Giffords foi atingida uma vez na cabeça e a bala "saiu pelo outro lado", de acordo com um cirurgião do hospital de Tucson, para onde ela foi levada para procedimentos médicos. "O que eu posso dizer a vocês agora é que estou muito otimista quanto à recuperação dela", afirmou o médico Peter Rhee, diretor médico da unidade de trauma e terapia intensiva do hospital.

Giffords era a anfitriã de um evento chamado "O Congresso na Sua Esquina" - encontros públicos para dar aos seus eleitores uma chance de falar diretamente com ela. Foi nesse momento que o criminoso a atacou, a uma distância de cerca de 1,2 metro, de acordo com relatos da imprensa norte-americana.

O suspeito se aproximou de Giffords por trás, disparando pelo menos 20 tiros nela e em outras pessoas na multidão, afirmou a MSNBC, citando autoridades e testemunhas.

A polícia do Congresso dos EUA pediu para que os congressistas "tomem precauções sensatas e prudentes em sua segurança pessoal". Mesmo assim, a maioria deles ainda está desprotegida do lado de fora do Capitólio, com exceção dos líderes da Câmara dos Deputados e no Senado.


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Surgem detalhes da vida do suspeito

Washington - Começam a surgir na imprensa americana "detalhes sórdidos" sobre a vida do suspeito de abrir fogo indiscriminadamente contra o público em um evento político ontem em Tucson, no Arizona. Doze pessoas foram feridas e ao menos seis morreram.

O atirador foi identificado como Jared Loughner, 22 anos, segundo fontes familiares com a investigação. Nos sites MySpace e YouTube, um homem que se identifica como Jared Loughner publicou mensagens contra o governo americano e apareceu queimando uma bandeira dos EUA. Ele afirma ser recruta das Forças Armadas.

Nos dois sites, ele publicou mensagens demonstrando sua preocupação com os índices de analfabetismo e disse não confiar no governo, sugerindo que qualquer um pode chamar qualquer um de terrorista. Ele acusa o governo de controle da mente e lavagem cerebral por meio do controle da gramática.

Na página do MySpace, tirada do ar minutos após o jovem ter sido identificado, ele incluiu mensagem misteriosa de "Adeus amigos", publicada horas antes do ataque, além de um pedido: "Por favor, não fiquem bravos comigo". A mensagem foi ao ar por volta das 17h, segundo o AZCentral.com.

Fotos no MySpace mostram um close de um revólver automático em cima de um livro ou papel com o título "História dos EUA", segundo o site. Outras fotos mostram uma mensagem codificada, o rapaz na rua e um close de seu rosto.

Em perfil no YouTube, Loughner escreveu que seu "interesse preferido é a leitura, e estudei gramática". Em sua lista de livros favoritos, o jovem incluiu obras como "Revolução dos Bichos", "Admirável Mundo Novo", "O Mágico de Oz", "Fábulas de Esopo", "Odisseia", "Alice no País das Maravilhas", "Fahrenheit 451", "Peter Pan", "O Sol é para Todos", "Um Estranho no Ninho", "Pulp" e "A República".