09 de julho de 2026
Polícia

Foragido da ?saidinha? é achado morto

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Um triste acidente ou o segundo homicídio de 2011 em Bauru? Polícia e moradores do bairro Jardim Vitória estão divididos entre essas duas hipóteses para explicar a morte de Rosemar Gonçalves Fernandes, 35 anos. O corpo foi localizado na tarde de ontem em um pequeno riacho e, mesmo sem marcas de assassinato, o histórico do homem pode indicar tal fato: condenado por assalto, Rosemar recebeu o benefício da "saidinha" no fim do ano e não retornou à unidade prisional onde cumpria pena.

O homem foi localizado por adolescentes que nadavam no local por volta das 16h. O Corpo de Bombeiros, que coincidentemente conferia proximidades da área para a realização de um treinamento futuro, foi avisado pelos jovens. Ao chegar ao riacho, eles confirmaram a denúncia e encontraram a vítima.

Com parte do corpo sob a água, o homem estava vestido e com um corte na testa. Apesar desse ferimento, não foram verificados outros sinais de violência. Mesmo raso, o riacho tem bastante pedras e, por isso, a hipótese de acidente também está sendo investigada.

De difícil acesso, o local, cuja rua mais próxima é a João Camilo, é descrito como a "piscina da favela" pelos moradores. Segundo eles, em épocas de calor é comum encontrar pessoas nadando na área, apelidada como a "cachoeirinha do Jardim Vitória".


Acerto

Entretanto, o que poderia ser apenas um acidente trágico, para alguns trata-se de um acerto de contas. Os familiares de Rosemar Fernandes contaram que ele havia sido beneficiado pelas saídas temporárias do fim do ano e não retornou no prazo estipulado pela lei, no último dia 3, já sendo considerado procurado pela Justiça. Ainda de acordo com a família, a vítima cumpria pena na Penitenciária de Pirajuí pelo crime de assalto.

Logo após reconhecer o corpo, Silsson Carneiro, 39 anos, cunhado da vítima, afirmou que Rosemar estava na casa da mãe, localizada na Vila Independência, desde que saiu do presídio. "Eu sei que ele tinha uns amigos aqui no Jardim Vitória. O pessoal viu ele andando por aqui ontem. Pelo menos para mim, ele não falou que estava com qualquer problema", conta o cunhado.

Segundo moradores do bairro, ele bebeu cerveja com alguns amigos durante a noite e parecia estar tudo bem. "Eu vi ele por aqui. Ele estava tomando uma cervejinha. Até pagaram um conhaque para ele", conta uma mulher, que preferiu não se identificar.

Sobre as pedras do local, os moradores se esticavam como podiam para tentar ver o corpo, que estava parcialmente submerso no riacho. Temendo que o nível da água subisse e a vítima fosse arrastada, o Corpo de Bombeiros acabou retirando o homem do local. Aparentemente, ele estava lá há 12 horas.

Após a remoção do corpo, não foi possível verificar quaisquer ferimentos no corpo da vítima, exceto um corte na testa, que poderia ter sido causado tanto por um golpe quanto por uma queda.


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?Se ele tivesse voltado, isso não teria acontecido?

Acidente ou homicídio, a irmã da vítima, Rosângela Fernandes, 42 anos, atribui o ocorrido ao não-retorno de Rosemar Fernandes à unidade prisional a qual ele cumpria pena. "Se ele tivesse voltado, isso não teria acontecido. Eu não sei direito o que foi, mas aconselhei muito ele a voltar. Falta de aviso não foi", afirma, bastante abalada.

Questionada sobre o comportamento do irmão, ela afirma que ele foi preso por assalto, porém, não sabia como era sua conduta atual. "Eu não sei como ele estava seguindo. Ele não aparentava nada. Não sei se alguém tinha algum problema com ele. Isso é algo que eu não posso afirmar".

Rosângela conta que o irmão estava preso há tanto tempo que ela nem se recorda quanto. "Eu nem sei dizer. Ele está preso há mais de 10 anos. Mas faz tanto tempo que isso aconteceu que eu nem consigo lembrar quando foi".

Ainda inconformada, Rosângela relembra, com muito pesar, os últimos momentos de Rosemar na companhia da família. "Foi na noite de ontem (anteontem). Ele tomou banho, jantou e saiu. Infelizmente, essa foi a última vez que pude ver meu irmão", lamenta.


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Homicídio
ou acidente?

Segundo o delegado de plantão Paulo Calil, que acompanhou a perícia realizada pela Polícia Científica, o caso foi registrado como morte suspeita exatamente pelas duas hipóteses que giram em torno da morte do homem. "O exame apontou que ele teve traumatismo craniano de tamanho grande na parte esquerda da cabeça. Entretanto, isso poderia ter sido produzido tanto por um golpe desferido ou mesmo por uma queda".

Calil explica que a região é repleta de rochas, que tornariam possíveis um acidente dessa proporção. "Além disso, o suspeito é epilético e disseram que ele não havia tomado o remédio. Assim, poderia ter tido uma convulsão e caído".

Entretanto, mesmo com esses fatores, a hipótese de homicídio não foi descartada. "A polícia vai partir em várias linhas de investigação. Não podemos descartar essa hipótese. Até pela condição da vítima", conclui o delegado Paulo Calil.