08 de julho de 2026
Geral

Chuvas espalham estragos pela cidade

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Uma "chuva" de reclamações. A metáfora serve exatamente para ilustrar o cenário toda vez que a água cai sobre Bauru. Em todas as regiões da cidade aparecem apelos relacionados a buracos - verdadeiras crateras -, ruas totalmente inacessíveis e detritos de esgoto que retornam à superfície e invadem residências. Para se ter uma ideia dos estragos, oito linhas de ônibus precisaram ser desviadas por conta da precariedade de vias de terra. E mesmo com o trabalho de recuperação realizado pela Secretaria de Obras, não há prazo para resolver a questão, uma vez que os reparos são paliativos e somente a pavimentação poderia amenizar o problema.

A reportagem visitou diversos bairros da cidade e, por conta das últimas chuvas, encontrou várias pessoas que ficam "presas" em suas residências toda vez que a chuva aparece. Em determinados locais, as erosões atingiram várias quadras e se tornaram verdadeiras ameaças à segurança.

Em uma delas, na rua Flávio Aredes, no Jardim Tangarás, a Defesa Civil de Bauru relatou que o buraco chegou a 120 metros de comprimento por cinco de profundidade. Por conta do risco, moradores tiveram até mesmo que ser removidos do local.

A extensão final da rua Roque Urias, no Parque Viaduto, também preocupa com uma cratera na mesma proporção. Outro ponto que assustou os moradores é no Parque Paulista. A cratera "ilhou" moradores de quatro quadras da rua Coronel Ivon César Pimentel.

Lismara Morgado Pucaia, 43 anos, mora na quadra 13 da via. A frente de sua casa - junto com outras das quadras 11, 12 e 14 - praticamente desapareceu após a chuva do último fim de semana. "Não dava para sair de carro e nem a pé. Ficamos presos dentro de casa. O pessoal estava com medo porque ia começar a semana e ninguém iria conseguir sair de casa para ir ao trabalho" relembra.

Entretanto, ainda durante o fim de semana, a Secretaria de Obras realizou uma intervenção e consertou o buraco. "Eles taparam (a erosão) e conseguimos sair de casa. Mas, com a chuva leve que caiu logo depois, começou a abrir o buraco tudo de novo. Parece que eles consertam, mas isso não dura".


Paliativo

O fato constatado por Lismara procede. Para o secretário de Obras da cidade, Eliseu Areco, os reparos feitos nas ruas de terra são apenas paliativos. "Trabalhamos durante todo o fim de semana para reparar os locais mais afetados e preocupantes. Conseguimos pelo menos deixar esses locais acessíveis, porém, esses reparos são apenas paliativos".

O secretário explica que, até mesmo com chuvas de pequenas proporções, os consertos realizados já começam a ser desfeitos. "A única maneira seria a pavimentação desses locais. Tem três coisas que é preciso fazer: galerias para escoar essas águas para córregos, pavimentação e calçadas. Os dois primeiros são competência do poder público. Já as calçadas de residências, que funcionam como obstáculos para a água não causar tanta destruição, compete aos moradores mesmo". E a previsão é de que as chuvas continuem nas próximas semanas.

Questionado sobre um prazo para que essas vias - pelo menos as mais preocupantes - recebam esse tripé que evitaria tantos estragos, Areco afirma que não há uma data determinada para isso. "Que essas vias vão ser pavimentadas, elas vão. Porém, não há um prazo definido para que isso ocorra", informa, desanimando os moradores desses locais.

Além das vias apontadas pela reportagem e pela Defesa Civil, o secretário de Obras revela outros três pontos preocupantes: a rua Daniel Pacífico, na favela São Manoel; a rua Cártago, no Santa Edwirges, e na Vila São Paulo. Segundo ele nesses locais, as erosões também atingiram grandes proporções.

O coordenador da Defesa Civil da cidade, Álvaro de Brito, explica que o aparecimento dessas verdadeiras crateras é devido ao solo de Bauru ser propício a esse efeito. "Nosso solo é muito arenoso e lavável. Isso é bastante favorável aos efeitos erosivos. Em ruas de terra, é muito provável que a chuva, mesmo leve, faça buracos", explica.