10 de julho de 2026
Polícia

?Banca? de jogo do bicho é lacrada pela Polícia Civil

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Dinheiro livre de impostos. Era assim que um grupo de cinco pessoas ‘trabalhava’: com os lucros oriundos do famoso jogo do bicho, prática considerada contravenção penal de jogo de azar pela Polícia Civil. Depois de 30 dias de investigações, uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru desmantelou uma "banca" de jogo do bicho intitulada "Banca Falcão", localizada na quadra 8 da rua Olmes Berriel, Vila Industrial, em Bauru, que rendia pelo menos R$ 84 mil por mês.

De acordo com o delegado titular da DIG de Bauru, Kleber Granja, depois de identificada uma nova prática de jogo do bicho com a utilização de máquinas eletrônicas em meados de dezembro passado (leia mais abaixo), a Polícia Civil começou a deflagrar mais investigações para flagrar a prática na cidade.

"Esta investigação durou cerca de 30 dias, e durante este período nós constatamos a movimentação no local, típica de prática de jogo do bicho, e levantamos que a ‘dona da banca’ é uma mulher de 32 anos, reincidente, que não foi localizada na tarde de hoje (ontem)". Como os suspeitos foram liberados após passar pela delegacia, somente as iniciais estão sendo divulgadas.

 

Flagrante

Quando a Polícia Civil chegou ao local, por volta das 15h de ontem, C.A.C., 25 anos, foi flagrado chegando ao endereço conduzindo uma motocicleta Honda CG 125, com placas de Bauru. Os documentos do veículo estavam em nome da suposta dona da banca, segundo Granja.

"Quando nós chegamos ao local, flagramos O.O.J., 31 anos, que era o gerente da ‘banca’, o C.A.C., a N.R.F., 42 anos, a G.M.T., 36 anos, e o A.A.R.S.J., 30 anos. A M. não foi encontrada, mas vários pontos evidenciaram que ela é mesmo a dona da ‘banca’: o documento da moto, a conta de luz do imóvel em seu nome e a confirmação do O.O.J., que inclusive, já foi flagrado com ela em 2006 pela mesma prática", frisou o delegado titular da DIG.

No total, foram apreendidos R$ 1.724,00 em dinheiro, 525 pacotes de pules de apostas (bloquinhos de papel), 45 calendários de parede com os números do jogo do bicho e a logomarca ‘Banca Falcão’, 35 livretos com as regras da ‘casa’ (leia mais abaixo), 11 cadernos de contabilidade, seis calculadoras e um aparelho de fax.

Os cinco envolvidos foram detidos e levados à DIG, na presença de seus advogados, para prestar depoimento. "Todos eles se recusaram a falar e disseram que falarão somente em juízo. Como é um crime de menor potencial ofensivo, foi lavrado um Termo Circunstanciado, eles assinaram um termo de compromisso e foram liberados", explicou Granja.

A Polícia Civil estima que a arrecadação da ‘banca’ era de cerca de R$ 3,5 mil por dia. Mesmo alguns sendo reincidentes, a pena para este tipo de crime é de apenas quatro meses a um ano de prisão, se forem julgados culpados.

 

Evolução patrimonial

Como o jogo do bicho é uma prática que resulta em arrecadação de dinheiro muito rápida e em grande volume, por conta da ilegalidade e isenção de pagamento de impostos, a investigação da DIG não para por aí.

O delegado titular, Kleber Granja, frisa que M.R.R., 32 anos, identificada como a chefe da banca, ainda será investigada por evolução patrimonial. "Nós vamos pedir a quebra de sigilo bancário dela e o sequestro de bens e imóveis para ver se o que ela declara em imposto de renda condiz com os bens que possui"

Regras

No local onde funcionava a "Banca Falcão", a Polícia Civil, por meio da equipe da DIG, apreendeu 35 livrinhos das "regras da banca". A prática, segundo o delegado Kleber Granja, titular da DIG, é novidade. "Não tínhamos visto isso ainda. Neste livrinho estão todas as regras da banca e dos apostadores, os números de cada bicho, como funcionam as apostas".

 

‘Novo’ jogo

Em meados de dezembro do ano passadp, a Polícia Civil, por meio da DIG de Bauru, descobriu um novo sistema de apostas do jogo do bicho que funcionava no Jardim Nova Esperança, em Bauru. Na nova modalidade de jogo, ao invés dos bloquinhos de papel, os bicheiros utilizam a máquina de cartões que é comum no comércio e ajudam a disfarçar a atividade clandestina

"Por meio desses equipamentos, que têm instalados um modem GSM com um chip de celular, o bicheiro envia e recebe as apostas e resultados dos jogos a qualquer hora e qualquer lugar. Esses jogos, na maioria vezes, são modificados na central para que os apostadores percam", ressaltou o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da DIG, recentemente em entrevista ao JC.

Segundo ele, os jogos do bicho apreendidos nessa nova modalidade em Bauru fazem parte de uma banca de apostas chamada ‘Zoo’, que é vinculada a um grupo de bicheiros no Rio de Janeiro.