As chuvas de verão, além de causarem estragos na cidade, também estão afetando diretamente o bolso do consumidor. Hortaliças como alface, almeirão e rúcula já estão 20% mais caras e esse aumento pode chegar a 30% nos próximos dois meses. Já outros alimentos como o tomate não sofrem com o fenômeno climático, já que podem ser cultivados e conservados em estufas.
Na manhã de anteontem, em uma visita à Central de Abastecimento (Ceasa) de Bauru, era visível a perda que os produtores no atacado estão sofrendo. De acordo com Augusto Remoli Filho, fiscal responsável por coordenar todo o movimento do local, estão colhendo hortaliças apenas aqueles produtores que se preocuparam em plantar com antecedência.
"Quem não plantou com antecedência não pode plantar agora, porque não tem como preparar a terra adequadamente. Quem plantou, mas ainda pegou esse período de chuvas, teve uma grande perda. A água das chuvas fica armazenada nas folhas e ramas, assim as hortaliças ficam sujeitas ao ataque de insetos e doenças", explica, mostrando um pé de alface deteriorado.
A solução é esperar de dois a três meses para um novo plantio, período em que o sol deve "voltar com força", estima Nemoli. Alimentos como abobrinha e chuchu também sofrem com as chuvas. Por possuírem ramas, com a umidade o risco de apodrecimento aumenta muito.
"No inverno se produz muito, ao contrário dessa época. As frutas não sofreram perdas neste período", ressalta. Augusto sugere que o consumidor substitua as hortaliças por legumes e vegetais como pimentão, pepino, tomate, entre outros.
Produtor
O produtor Sérgio Kanashiro Kinjo, que trabalha nas vendas de atacado do Ceasa, tradição familiar de 50 anos, sugere que a substituição dos alimentos seja feita por berinjela e pimentão, por exemplo.
"Além da situação dos insetos, as hortaliças que estão se desenvolvendo nesse período ficam com um pouco de água armazenada no seu interior. Quando o sol aparece essa água esquenta e isso também faz o alimento apodrecer", frisa.
Sem ouvir as dicas de Sérgio, a doméstica Maria Aparecida do Nascimento Almeida, que estava escolhendo alface e outras folhagens anteontem em um supermercado de Bauru, conta que já está fazendo as substituições nos alimentos em questão. "Eu percebi que o preço da alface está muito alto, e então eu procuro fazer mais saladas de legumes", afirmou.
O corretor de imóveis José Ademir Pasian também sentiu no bolso a alta nos preços das hortaliças. "Eu estou percebendo que está muito mais caro. A qualidade está diferente e muito ruim. Fica difícil escolher. Eu procuro fazer a substituição das hortaliças por legumes e vegetais que tenham valores nutritivos iguais ou parecidos".
Trocas
Quem optar por trocar um pé de alface, que está custando em média R$ 2,87 de acordo com levantamento feito pela equipe de reportagem do Jornal da Cidade, vai sair no lucro se escolher comprar um quilo de berinjela por R$ 1,77.
O repolho ainda mantém o preço de R$ 0,97 o quilo. A beterraba e a batata, por exemplo, são alimentos que não sofreram com as chuvas e podem ser adquiridos por R$ 0,77, valor que representa o quilo de cada legume.