Mesmo "nascendo" condenados a serem desfeitos, os reparos paliativos nas crateras abertas com as últimas chuvas em Bauru foram agilizados pela Prefeitura Municipal na tarde de ontem. Porém, as chuvas, que desfazem os trabalhos, não param. Com previsão de continuidade nas próximas semanas, o índice pluviométrico somado em 12 dias já superou o total de janeiro do ano passado.
Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp, até ontem a chuva acumulada passou de 220 milímetros. Faltando mais de metade do mês, esse número já ultrapassou os 213,4 milímetros registrados em janeiro de 2010 e a previsão é de que continue chovendo nas próximas duas semanas. Isso somente contribui para a evolução dos problemas, uma vez que os reparos realizados são desfeitos facilmente com as águas.
Uma das provas dessa fragilidade é a rua Flávio Aredes, no Jardim Tangarás, mostrada na edição de ontem do JC. O local, que recebeu os reparos municipais, novamente está com uma enorme cratera ameaçando os moradores.
Gelcilene da Silva, 27 anos, mora na quadra 3 da via. Ontem, ela novamente passou a viver o drama que a atormenta desde o último final de semana.
"A cratera novamente começou a se abrir. A Defesa Civil mandou que eu ficasse longe da casa. Eu só voltei agora que a prefeitura fez os reparos. Entretanto, eles não duram. O conserto é feito e, em cerca de dois dias, a chuva retira tudo", conta. Com medo da casa ser "engolida" pela erosão, Gelcilene passou os últimos dias na residência de sua mãe.
Ontem, por meio da assessoria de comunicação, a prefeitura informou que está trabalhando em sete frentes diferentes para conter as erosões, uma delas é o próprio Jardim Tangarás. O trabalho foi realizado para conter uma erosão na quadra 6 da rua Américo Oliva Durante.
A assessoria ainda divulgou que, durante todo o dia, foram realizados serviços de emergência nas quadras 2 e 3 da rua Romeu José de Bastos, no Jardim Silvestre, e nas quadras 9 e 10 da alameda Alexandria, no Parque Santa Edwirges.
Entretanto, na mesma nota emitida pela assessoria de comunicação, o secretário de Obras, Eliseu Areco Neto, confirma o que já havia adiantado ao JC na edição de ontem. Segundo ele, a solução definitiva seria a pavimentação das aproximadamente 2.500 quadras de terra de Bauru, fato que seria realizado em mais da metade dessas localidades ainda durante essa administração, com verba de R$ 10 milhões.
Com isso, os consertos emergenciais que estão sendo realizados são apenas paliativos. Tal análise é comprovada com as reclamações de buracos que reaparecem após os reparos. Ainda segundo a assessoria, há outros bairros preocupantes, como o Parque Viaduto, Vila Industrial, Quinta da Bela Olinda, Parque Paulista e Bauru 2000. Ao todo, são 30 pontos críticos.
Mais ruas prejudicadas
Por conta dos buracos, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) alerta a população para que tenha atenção em diversas vias prejudicadas, principalmente aos motoristas.
Entre essas ruas, as que mais preocupam são a rua São Paulo, cuja quadra 2 está com meia pista interditada, a avenida Nuno de Assis na quadra 20, os quarteirões 19 da Joaquim Daniel da Silva Martha, 12 da rua Daniel Pacífico, 7 da Antenor de Almeida, 1 da alameda das Hortências, 15 da Araújo Leite, 1 da alameda Amor Perfeito e a Pinheiro Machado na esquina com a Marieta França. Já na rua Natal Fornazari, a pista teve que ser inteiramente interditada.
Além dessas vias, a Emdurb já divulgou que, devido aos problemas de erosão, foi preciso desviar oito linhas de ônibus que ficaram sem acesso em seus antigos trajetos.