O presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), André Andreoli, defendeu a recondução de Agenor de Souza ao cargo de diretor na autarquia. Segundo ele, o servidor ingressou no DAE em 1994 como motorista. Ele foi nomeado diretor de serviço de máquina e veículos em janeiro de 2009, pelo então presidente Paulo Campanha. A nomeação integrou o acordo do Executivo para contar com o apoio de Carlinhos do PS na Câmara.
No último dia 21 de dezembro, Souza foi exonerado, mas no último dia 8 de janeiro, a portaria foi tornada sem efeito. Questionado pelo JC, uma vez que com essa medida o servidor iria ganhar como diretor sem ter exercido a função no período, o DAE disse que a portaria que tornou a exoneração sem efeito foi um equívoco, o que será corrigido.
O presidente do DAE confirmou que agiu a pedido do governo, ao exonerar Agenor. O ato integrou a reação do Executivo contra os votos do PP na eleição da Câmara. "Por tratar-se de um cargo de confiança, diante dos fatos da época (a eleição da Câmara), eu, como homem de governo, acabei por exonerá-lo", afirmou Andreoli. "Como aquela situação mudou, a posição foi reavaliada e não havia o porque não reconduzi-lo ao cargo", disse ontem, explicando os motivos que levaram ao retorno do apadrinhado de Carlinhos.
Andreoli rejeita a tese de barganha na indicação. "Faço parte do governo. Tenho liberdade para a composição do quadro, mas nada é de forma absoluta", observa.
Já Fernando Monti, secretário municipal de Saúde, disse que Adriana Francoso, que foi recomendada por Carlinhos para ocupar a diretoria de divisão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), também reunia condições de ser nomeada. "É uma situação normal até em empresas privadas, que recebem recomendações sobre bons profissionais. Ela foi nomeada até como uma experiência, para verificar como seria. E até em reconhecimento de toda a experiência que o Carlinhos do PS tem com o Pronto-Socorro, já que trabalhou lá por muitos anos. E ela preenchia todas as condições", destaca.
Porém, Monti observa que quando houve a mudança no quadro político, optou-se pela sua dispensa do cargo. "A circunstância naquele momento foi clara. Havia a sinalização que o PP partiria para o oposição e o julgamento coletivo do governo era de que o vereador não fazia mais parte da base aliada", recorda o secretário.
Ou seja, os servidores até então tidos como competentes, perderam suas vagas comissionadas por critérios apenas políticos, de barganha pura. "E os fatos decorrentes disso, são normais no meio político. Porém, o vereador logo em seguida se reafirmou como partidário das diretrizes do grupo do governo", afirma Monti.
O secretário conta que ainda estava analisando o reenquadramento da ex-diretora. "Não havia intenção de não reintegrá-la", garante Monti. No entanto, ele afirma que a servidora ainda precisava ser capacitada em alguns aspectos técnicos, uma vez que iria dirigir a divisão responsável pelas UPAs em construção. "Cursos para entender o funcionamento do Sistema Único de Saúde, e outras capacitações técnicas", reitera. Monti afirma que ainda não tinha tido tempo para reavaliar a situação da ex-diretora.
Ele confirma que conversou com a servidora por telefone, que voltou a trabalhar no Pronto-Socorro, mas nega que tenha sido ríspido com ela. "Talvez ela tenha tido um grau de impaciência, uma dificuldade em lidar com a incerteza. "Mas à medida que se tenta usar uma mentira a respeito da minha forma de proceder, causa um abalo nas relações de confiança", afirma.