08 de julho de 2026
Geral

Bauruense relata tragédia em Teresópolis

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Nos últimos dias, o Brasil vive a maior tragédia natural da sua história. Por conta de chuvas e desmoronamentos, a região serrana do Rio de Janeiro já contabiliza quase 500 mortos. Entretanto, a perplexidade daqueles que acompanham de longe os números fatais aumentando a cada hora não pode ser mensurada a quem vive próximo ao desastre. É o caso do bauruense Reinaldo José Parisi, que mora em Teresópolis, uma das cidades mais afetadas pela tragédia.

Com 37 anos, o analista de suporte reside na cidade carioca há 12 anos e, por telefone, relembra a noite caótica de terça-feira. "Acabou a energia durante a noite e, com isso, as pessoas ficaram dentro de casa. Elas não sabiam o que estava por vir. A tragédia foi por toda a madrugada".

Parisi mora na região central da cidade, que não foi tão afetada pelas chuvas. "A cidade é rodeada de florestas. Toda a terra e pedras dessas florestas foram esmagando as casas e matando pessoas dormindo".

Ele relata que a proporção do que ocorreu somente pode ser entendida agora. "O cenário é de uma guerra. Uma guerra contra a natureza". Guerra que deixou tantas vítimas que, segundo ele, a rua do Instituto Médico Legal (IML) está interditada em função do grande número de corpos que chegam a todo momento.

Outro efeito verificado é a perda total de referência. Ele explica que não consegue mais se localizar na cidade justamente pelos estragos. "Antes, eu via uma igreja e sabia onde estava. Hoje, essa igreja não existe mais. Ela simplesmente desapareceu. E isso aconteceu com tudo: mercado, padaria, casas", aponta, dimensionando o caos.

Além dos mortos, o número de pessoas desaparecidas é enorme. Reinaldo Parisi conta que sua esposa é professora de 5ª a 8ª série e inúmeros de seus alunos não têm notícias dos pais. "Por serem mais rápidas, as crianças conseguiram escapar. Minha mulher me disse que há cerca de 30 alunos seus sem saber onde os pais estão. O clima de tristeza aqui é terrível".

E se lá o clima é de tristeza, o que aparece por aqui, em Bauru, é a preocupação dos familiares. A mãe de Reinaldo, Jacira Parisi, foi acalmada por uma ligação do filho logo no dia seguinte. "Minha maior preocupação atual são as estradas. Para trabalhar, ele precisa pegar a estrada, que é do lado de morros. Tive e tenho muito medo de algo acontecer", conta, ainda preocupada.

Com todo esse cenário, será que algo pode aparecer de positivo? Reinaldo afirma que sim. "Está todo mundo ajudando como pode. É uma mobilização muito grande para amenizar o sofrimento de todos. Em meio a toda a tragédia, é muito bonito ver isso", conclui Parisi, que em seguida, desliga o telefone e sai para comprar água a ser estocada, uma vez que a cidade inteira está sem abastecimento de água, apontando a proporção do caos instalado.