Na região de Bauru as abelhas são pouco usadas na polinização de flores, o que poderia garantir um aumento de até 30% na produção, especialmente de citrus. Com isso, a locação das colmeias ainda não decolou. Para o professor do departamento de produção animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp/Botucatu Ricardo de Oliveira Orsi, há duas fortes razões para que o inseto fique fora dos pomares. O preconceito somado à falta de conhecimento.
Para ele, os agricultores não sabem muito bem as vantagens de colocar colmeias para o ?serviço? de polinização de flores. Ele temem que os insetos vá transmitir doença ou provocará um ataque ao gado ou as pessoas.
"Há um preconceito em relação as abelhas. Muita gente acha que ela é agressiva. No entanto, o inseto é defensivo, ou seja defende o território onde está a colmeia. Outros acreditam que a abelha vai atacar o gado, o que também não é verdade. Ou ainda, que transmite doenças. Tudo isso é lenda."
O professor, que desenvolve pesquisas na área, garante que desconhece casos de acidentes com gado. "O gado pode até chegar perto do cortiço, mas depois de tomar uma ferroada que não lhe causam mal, sai correndo. Já com o cavalo, os cuidados devem ser mais redobrados, uma vez que ele dispara coices e pode estressar os insetos."
Orsi descarta a possibilidade da abelha transmitir doenças. "A abelha não dissemina doenças. A grande maioria das doenças de culturas de interesse comercial tem outro inseto que faz esse papel. A abelha vai simplesmente visitar as flores, coletar pólen, néctar. Ao fazer esse serviço de coleta, faz a polinização cruzada."
Os cuidados com o transporte e instalação das colmeias pode evitar possíveis acidentes. "O transporte feito pelo apicultor, em caixas de manejo e instalação em local adequado, respeitando o território delas evita possíveis acidentes. Só se alguém mexer com elas", adverte.
A abelha produtora de mel, de forma geral, é responsável pela polinização de 80% das culturas. O restante é feito pelo vento, moscas e outros. Uma pesquisa da Unesp/Jabotical, por exemplo, chegou a conclusão que a produção de laranjas pode crescer em 30% com a ajuda desses insetos.
Porém, a maioria das plantações de laranja não usa essa técnica porque jogam agroquímicos. "Esse produto pode matar os insetos. Para usar as colmeias, nesse caso, é preciso uma parceria muito bem feita entre apicultor e produtor. Há muitas pesquisas sendo desenvolvidas para aumentar a produtividade e a qualidade da laranja, maçã, morando, abacate, limão e outras frutas."
Uma coisa já é certa no meio científico, a polinização das abelhas aumenta a produtividade tanto de frutos como de sementes, além de melhorar a uniformidade do fruto que fica mais homogêneo. "No morango, por exemplo, a polinização feita por abelhas nativa melhora o teor de açúcar do fruto. No cultivo do maracujá, a abelha comum não faz a polinização. É preciso ter a mamangava."
A abelha solitária, grande e peluda, também conhecida como vespão, é um dos itens que fazem do Brasil o maior produtor e consumidor de maracujá. O país produz 500 mil toneladas/ano. É uma forma econômica de aumentar a produtividade.