A despoluição crescente e quase completa dos córregos que desaguam no rio Bauru é uma grande conquista ambiental para a cidade, mas está longe de ser a solução para trazer de volta a vida aquática a esses locais.
Para o biólogo Mateus Pereira das Neves, outros problemas, igualmente sérios, como a falta de mata ciliar, o assoreamento e o depósito de lixo e de entulhos no leito e nas margens dos córregos também podem comprometer a sobrevivência desses córregos.
Segundo ele, a água vai continuar correndo (isso se o assoreamento não "afogar" o córrego em um banco de areia), mas dificilmente haverá peixes nadando por ali. Mateus comenta que, em muitos casos, a largura do córrego é boa, mas a profundidade é ínfima, tão pequena que não cabe um peixe, mesmo de pequeno porte.
"Peixes necessitam de profundidade. E não adianta cavar o leito do córrego, é necessário um sistema de drenagem eficaz. Também é preciso resgatar a mata ciliar e evitar que lixo e entulhos sejam depositados no local", frisa.
De fato, na visita que a reportagem fez aos 12 córregos que abastecem o rio Bauru foi possível constatar os problemas apontados pelo biólogo. Em muitos pontos, a mata ciliar está degradada, a profundidade é de apenas alguns poucos centímetros, e lixo e entulhos podem ser vistos aos montes nas margens e dentro dos córregos.
Dois claros exemplos da degradação que ainda precisa ser combatida são os córregos da Grama e Água do Sobrado. Ambos estão bem castigados pelo depósito de lixo e entulho e também sofrem com a grande quantidade de areia no leito, em diversos pontos.
Água limpa, mas não potável
Quem sonha em ver os córregos de Bauru, especialmente os 12 que abastecem o rio Bauru, como fonte de entretenimento e para matar a sede, pode tirar o cavalinho da água. Trocadilhos à parte, apesar do renascimento desses córregos, eles não são recomendados para uma coisa nem outra.
O biólogo Mateus Pereira Neves diz que o fato da água estar ficando limpa não significa que ela está própria para o consumo ou que os moradores podem se banhar nos córregos despoluídos. De acordo com ele, mesmo aparentemente limpos, os córregos possuem muita impureza armazenada no leito e serão necessários vários anos para uma purificação eficiente.
Mesmo quando isso ocorrer, o risco de contaminação será grande porque um curso de água sempre recebe as enxurradas da chuva, que traz muita sujeira, além de estar sujeito a vazamentos de produtos químicos e de ligações clandestinas que despejam o esgoto direto no córrego. "Por isso, nunca se deve tomar água de um rio ou córrego", adverte o biólogo.
Quanto ao uso para nadar, embora seja uma possibilidade bem remota, levando em consideração a pequena profundidade dos córregos que deságuam no rio Bauru, a recomendação é a mesma: evite. Como dificilmente há um trabalho de monitoramento da qualidade da água, não tem como saber quais são os índices de contaminação dos córregos. Por isso, o melhor é não arriscar.