10 de julho de 2026
Cultura

Nipo resgata história de seus imigrantes

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min


Os primeiros imigrantes japoneses chegaram a Bauru há 97 anos. Eles se estabeleceram na zona rural para cuidar da agricultura e depois começaram a ocupar a cidade, apostando no setor hortifrutigranjeiro.

Já adaptados a Bauru, fundaram, em 1936, o Clube Nipo-Brasileiro. Três anos mais tarde a primeira Igreja Missionário Tenrikyo foi fundada na Vila Independência, bairro criado pelos imigrantes e inicialmente chamado de Água do Sobrado.

Essas e muitas outras passagens que contam a história da imigração japonesa no Brasil e, principalmente, em Bauru, foram reunidas em livro pelo Clube Cultural Nipo-Brasileiro da cidade. Escrita em português e japonês, a publicação percorre os anos de 1914, ano da chegada dos primeiros imigrantes a Bauru, até 2008, quando comemorou-se o centenário da imigração japonesa no Brasil.

"O grande objetivo é resgatar a nossa história e divulgar nossos costumes e tradições", resume Massaru Ogino, um dos responsáveis pelo livro. Para a vice-presidente do Nipo, Maria do Carmo Monteiro Kobayashi, a publicação proporciona a análise dos acontecimentos da imigração por meio da história das pessoas que frequentaram e frequentam o clube.

"O principal aspecto do Nipo é o da preservação da cultura. É na vida em coletividade proporcionada pelo clube que os imigrantes e descendentes têm um espaço onde pessoas que vieram do mesmo país podem falar das mesmas coisas, sentem do mesmo jeito e têm o mesmo padrão de vida", afirma.

Para ela, em nenhum outro lugar do mundo existe a manutenção da cultura japonesa como no Brasil. "Isso porque para outros países os japoneses foram obrigados a irem sozinhos; enquanto aqui, o pedido era de que viessem famílias", explica.

"O livro conseguiu retratar muito bem o espírito de cooperação do japonês, a história pelas próprias pessoas que a construíram e os mais jovens, ao folheá-lo e ver as fotografias, terão noção do que foi a colônia e como ela é hoje", finaliza.

O livro está à venda no Nipo, localizado na rua Monsenhor Claro, 9-51, e será distribuído entre universidades e bibliotecas de Bauru e de cerca de 30 cidades da região.