Lençóis Paulista ? Um dia após os transbordamentos do rio Lençóis e ribeirão da Prata, que inundaram cerca de 70 residências e deixaram aproximadamente 40 pessoas desalojadas, população e funcionários da prefeitura de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) fizeram um verdadeiro mutirão para garantir a limpeza dos imóveis e vias públicas. Apesar de o nível dos rios ter baixado e de não existirem mais casas sob as águas, a preocupação da administração recai, agora, sobre a possibilidade de rompimento de quatro represas, o que poderia agravar a situação no município.
"Nós temos quatro represas que demandam algum cuidado. Elas podem, eventualmente, romper", explica o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) e coordenador da Defesa Civil de Lençóis Paulista, José Antônio Marise.
"Nessas represas, a prefeitura e a Defesa Civil estão atuando desde ontem. Nós fizemos uma drenagem, aumentando a vazão delas para justamente diminuir a água acumulada no caso de um rompimento".
Segundo Marise, as represas que estão sendo monitoradas não são as mesmas que, em 2006, romperam em sequência provocando grandes inundações no município. Aquelas, de acordo com ele, ficavam na região de Borebi enquanto estas estão localizadas na zona rural da cidade, em afluentes do rio Lençóis, dentro de propriedades particulares, entre 13 e 15 quilômetros do centro. Um delas, que fica na região do "Patinho", na fazenda Fioravante, é a que apresenta mais riscos.
O coordenador da Defesa Civil pontua que, ontem, já não haviam mais residências inundadas, nem mesmo nos bairros mais atingidos como a vila Contente, vila Repke, vila Baccili, distrito de Alfredo Guedes e centro da cidade. "As casas que foram invadidas estão todas já com a situação regularizada. O rio já voltou praticamente ao seu curso normal", afirma.
A situação no município já é definida pela prefeitura como estabilizada. Segundo levantamento feito pela Defesa Civil, cerca de 70 residências foram inundadas anteontem, deixando 40 pessoas desalojadas, parte delas abrigadas no Ginásio de Esportes Archangelo Brega Primo, antigo Clube Social, Esportivo e Cultural (CSEC) e em igrejas. "O restante foi recebido em casas de parentes e amigos", revela Marise.
Apesar da situação aparentemente sob controle, em razão do risco de rompimento das represas, a prefeitura pede que a população se mantenha em alerta. "Hoje (ontem), eu aconselharia essas pessoas a permanecerem onde estão. Como a gente não tem uma definição ainda com relação ao rompimento das represas, seria interessante se elas permanecessem aonde estão para que amanhã (hoje) a gente possa dar uma orientação mais tranquila para elas".
O sistema de abastecimento de água na cidade também não foi prejudicado, de acordo com o diretor do SAAE. "Nós ficamos o dia todo sem produzir água, mas iniciamos a produção ontem (anteontem), por volta das 20 horas, já pelo sistema principal. Nós já conseguimos desobstruir o nosso ponto de captação", conta. "Para sorte nossa, os reservatórios estavam cheios e foi possível atender a população sem interrupção no fornecimento de água ".
De acordo com Sidney Aguiar, analista de Meio Ambiente, na madrugada de segunda-feira, durante aproximadamente uma hora, a região registrou intensidade pluviométrica média de 120 milímetros de chuva. Em alguns pontos da área de recarga do rio Lençóis, foram registrados picos de 180 milímetros de chuva.
Em razão da elevada precipitação, sobretudo entre Lençóis Paulista e Borebi, o rio Lençóis, que corta a cidade, subiu cerca de cinco metros acima do seu nível normal e acabou transbordando. Em alguns pontos, houve o transbordamento do ribeirão da Prata, que também atravessa parte do município, e subiu aproximadamente três metros.
Bocaina decreta emergência
Em Bocaina (69 quilômetros de Bauru), onde, no último dia 13, o prefeito João Francisco Bertoncello Danieletto, o Kiko Danieletto (PV), decretou estado de emergência, um trabalho conjunto entre prefeitura e uma empresa que atua no ramo de papel e celulose vai permitir que, no local onde antes havia a ponte da estrada do Curralinho, seja construída uma ponte provisória de madeira.
As obras começaram a ser realizadas ainda ontem. De acordo com o Executivo, com a queda da ponte no local, distante 7 quilômetros do perímetro urbano, as fazendas Santa Brígida, Santa Maria e Carazzatto ficaram praticamente isoladas e o escoamento da produção agrícola de eucaliptos, laranja, pecuária de corte e frango do bairro Curralinho foi prejudicado.
O município também registrou a queda da ponte da estrada rural da fazenda Juriti, distante 10 quilômetros da cidade, que deixou isoladas cerca de 20 moradores das fazendas Juriti, Morro Alto, Três Barras e Santo Antonio. Neste caso, a recuperação pode demorar um pouco mais, já que quedas de barreira na Fazenda Morro Alto impedem a passagem pelo local.
Apesar dos transtornos, o Executivo revela que os moradores das duas regiões não estão completamente isolados, já que existe uma saída até a vicinal Alfredo Sormani Junior, que liga Bocaina à Bariri. Contudo, os percursos por este caminho alternativo aumentam 9 e 12 quilômetros, respectivamente.
Segundo a administração, a situação em Bocaina é agravada pela falta de consciência de alguns proprietários rurais que deixam de construir curvas de nível em suas fazendas e sítios para conter a ação da água das chuvas sobre o solo.
A prefeitura informou que, amanhã, o prefeito Kiko, juntamente com o coordenador da Defesa Civil, Abílio Martines Fernandes, vai entregar ao Governo Estadual relatório sobre os estragos causados pela chuva na zona rural para pleitear recursos junto à Defesa Civil.