09 de julho de 2026
Política

DAE desiste de licitar rede na Nuno

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min


O Departamento de Água e Esgoto (DAE) decidiu instalar com equipe própria os sete quilômetros de interceptores ao longo do rio Bauru, na avenida Nuno de Assis, no trecho que vai da região próxima ao Terminal Rodoviário até a confluência com a avenida Comendador Martha. Com isso, a autarquia desiste de licitar os sete quilômetros do chamado lote 1, de um total de 15 quilômetros de rede.

Segundo a autarquia, apenas os pequenos trechos (de não mais que 400 metros) com passagens sob os trilhos da ferrovia é que serão licitados. É que nestes pontos o DAE não conta com equipamento de perfuração não destrutiva e não detém experiência mesmo em escavações por métodos alternativos. O uso da escavação sem destruição é realizado, no lote licitado de oito quilômetros de interceptores na região do rio Bauru, com o uso do equipamento chamado mini-shield.

Segundo o DAE, as equipes próprias assentaram 7.416,15 metros de interceptores (tubulações embaixo da terra que transportarão os dejetos produzidos na cidade, em torno de 1.000 litros/segundo, à futura estação de tratamento) em 2010. Pouco mais da metade disso é na área do córrego da Ressaca (como nas proximidades do Cemitério do Ypê). Outra parte de tubos foi colocada no córrego da Grama (como perto da Rua São Sebastião).

O trecho 1 da Nuno de Assis, que o DAE decidiu realizar por conta própria em sua maior parte, integrou uma licitação que demorou para ser viabilizada. Mas o valor da obra ofertado à Passarelli Engenharia (R$ 11 milhões) não agradou e a empresa desistiu de entregar o envelope. A Passarelli é a contratada para o lote 2 de rede na Nuno, desde setembro de 2010, ao custo de R$ 19 milhões. A escavação não destrutiva, aliada a profundidades superiores a cinco metros, encareceram a obra.

Serviço acumulado


Por não ter conseguido viabilizar até agora a instalação dos interceptores nas metas firmadas com o Ministério Público (MP) para o programa de tratamento de esgoto, a autarquia terá para 2011 a significativa demanda de 23,5 Kms de tubo a instalar.

"Neste ano, a Divisão de Planejamento da autarquia pretende concluir os 23.596,40 metros restantes. Foram assentados pela própria autarquia até o momento 63 quilômetros de interceptores pela cidade", informa a assessoria a respeito. Desse volume, oito Kms podem ser concluídos em razão da contratação da Passarelli, por licitação (trecho 1). Mas o cumprimento do restante exigirá fôlego.

O DAE conta que o plano de obras para interceptores neste ano tem várias frentes. "Frentes de trabalho da autarquia deverão assentar os interceptores nos Córregos Água Comprida, da Grama (na favela do Parque Jaraguá), Vargem Limpa (trecho complementar) e Água da Ressaca (sob a rodovia Bauru-Ipaussu), além do chamado Trecho 2, entre a Rodoviária até Avenida Comendador José da Silva Martha", cita.

No chamado trecho 1, que compreende a quadra 18 da Avenida Nuno de Assis até a futura Estação de Tratamento de Esgoto Vargem Limpa, no Distrito Industrial I, as obras foram iniciadas pela empresa paulistana Passarelli Ltda em setembro do ano passado. "No momento, a obra está na fase de escavações dos poços de emboque e desemboque e assentamento em vala aberta de tubulações de 1.200mm e 1.500mm. O investimento é de R$ R$ 19.120.181,16", informa a assessoria de imprensa do DAE.


Projeto executivo

O presidente do DAE, André Andreoli, constituiu uma comissão para avaliar o projeto executivo realizado pela ETEP Engenharia, de São Paulo, que detalha a obra da futura Estação de Tratamento de Esgoto ETE) do Distrito Industrial I, calculada em algo próximo de R$ 100 milhões.

De acordo com o presidente, os membros da comissão são Ricardo Martini Rodrigues (Diretor de divisão do Planejamento), Nucimar Paes (engenheira de planejamento), Giselda Giaferis (química e produção), Fábio Randi (engenheiro e produção) e Antonio Marcos Galvez Serra (engenheiro conselheiro), além de dois membros do Conselho Fiscalizador do fundo de esgoto (um titular e outro suplente).

A comissão será publicada no Diário Oficial deste sábado. Em relação ao conselho, os membros indicados por entidades de diferentes segmentos terão de decidir se vão aceitar a nomeação realizada pelo DAE.

É que o conselho foi criado em lei para fiscalizar os gastos do cronograma do tratamento de esgoto e a comissão vai avaliar o projeto executivo para a futura construção da ETE e, se for o caso, propor alterações, segundo a autarquia. A rigor, a incumbência não tem relação com os objetivos do conselho.

O fluxo geral de caixa do Fundo de Tratamento de Esgoto fechou o ano de 2010 com aproximadamente R$ 44.400.000,00 de saldo.