08 de julho de 2026
Geral

Bauru tem 4 casos de dengue e 30 suspeitos

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min


O primeiro mês do ano ainda não terminou e já são quatro casos autóctones de dengue em Bauru e outras 30 pessoas estão sob suspeita da doença. É o resultado da combinação de chuva, calor e falta de cuidado com recipientes que acumulam água e podem, rapidamente, virar criadouro do mosquito Aedes Aegypti, que transmite a doença.

Segundo Daniel Godoy Tarcinalli, encarregado do Controle Químico da Dengue da Divisão Ambiental, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, dois dos doentes são moradores do Parque Santa Edwirges, um do Núcleo Bauru 16 e outro da Vila Nova Esperança. A Secretaria de Saúde, porém, não detectou ainda casos de dengue importados, de outros municípios.

Bauru fechou o ano de 2010 com 647 casos da doença, sendo 484 autóctones, 47 importados e 116 confirmados por critério clínico epidemiológico (114 autóctones e 2 importados). Tarcinalli explica que os números deste ano podem aumentar ainda mais nas próximas semanas por conta do tempo quente e chuvoso.

"São 70 agentes de endemia fiscalizando as residências. O trabalho é constante, mas vamos reforçá-lo ainda mais nos bairros onde sabemos que já existe um grande número de criadouros do mosquito aedes Aegypti, responsável pela transmissão do vírus da dengue. Nós vamos agir eliminando esses criadouros", afirma.

Entre os principais problemas constatados que podem contribuir para a proliferação do mosquito, segundo Tarcinalli, estão as caixas d?água destampadas em residências e o lixo que acumula a água da chuva nas ruas e nos terrenos baldios. "A população precisa se conscientizar de que determinadas atitudes podem ser muito prejudiciais à saúde coletiva. Não adianta os agentes limparem uma área e, no dia seguinte, as pessoas jogarem lixo no local", aponta.

Outro problema no serviço de combate à dengue se dá por conta da resistência de munícipes que não permitem ou dificultam a entrada dos agentes de saúde para a fiscalização e limpeza nas residências.

Uma lei municipal prevê multa que pode variar de R$ 250,00 a R$ 2.500,00 nesses casos. Segundo informações do Centro de Controle de Zoonoses, no entanto, nenhum munícipe foi multado em 2011. "A resistência ainda é grande, mas, na maioria das vezes, ela é resolvida com a conversa", explica Tarcinalli.

Abrigo de ponto de circular acumula água

Apesar dos trabalhos de educação e fiscalização do poder público municipal no combate à dengue, uma situação de descaso foi denunciada pelo auxiliar administrativo Giulliano Bapstista. Da janela do escritório onde ele trabalha, é possível ver água parada na cobertura do abrigo de um ponto de ônibus na avenida Nações Unidas, na altura da rua Benjamin Constant.

Segundo Giulliano, a água está acumulada no local há mais de dois meses e agentes de saúde já estiveram na região alertando sobre os cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, pois quatro casos suspeitos da doença teriam sido registrados nas redondezas. "Só hoje eu matei três mosquitos com as características do que transmite a dengue: preto com listras brancas. No escritório, nós temos trabalhado constantemente com as janelas fechadas por que a gente fica com medo", explica.

A assessoria de Emdurb confirma que é de responsabilidade do órgão municipal a limpeza e manutenção dos nove abrigos de ponto de ônibus de concreto existentes na cidade. Como não possuem vazão para água da chuva, ela fica acumulada na parte superior das estruturas.

Segundo a Emdurb, apesar da dificuldade no serviço de limpeza desses locais, que é feito com o auxílio de um balde, ele é executado semanalmente nos abrigos de pontos de ônibus. No entanto, a assessoria não sabe explicar o motivo pelo qual o abrigo localizado na Nações Unidas com a Benjamin Constant estaria, segundo Giulliano, há dois meses com a água acumulada, mas garantiu que a limpeza será realizada na manhã de hoje pelo setor de Transporte Público

A Emdurb não sabe informar se há previsão de substituição dos abrigos de concreto que não dão vazão à água da chuva por outros de modelos mais seguros.

Giulliano Baptista argumenta que de nada adianta os munícipes tomarem os cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito se existe um possível criadouro de grandes proporções ao lado. Uma larva do inseto pode levar de cinco a sete dias até chegar a adulto. Com dois meses de exposição da água parada, é provável que muitas gerações do aedes Aegypti tenham se formado no local, caso fêmeas tenham colocado seus ovos na cobertura do abrigo do ponto de ônibus.