10 de julho de 2026
Bairros

Morador constrói barreira para proteger casa de inundações

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de ver sua rua e sua casa inundadas pela enxurrada há cerca de 20 dias, o trabalhador autônomo Laércio Ricardo de Abreu decidiu não esperar mais por obras da Prefeitura de Bauru nem pelas próximas chuvas fortes. Ele construiu, por conta própria, uma barricada usando pneus e entulho na fachada de sua residência, na quadra 7 da rua Roque Urias Baptista, no Parque Viaduto, para conter a água da chuva que corre pela rua.

"A água acumulou porque a boca-de-lobo na frente de casa estava completamente entupida com tijolos, lixo e tudo o mais que se possa imaginar. Eu fiz a limpeza e passei um dia inteiro construindo a barreira. A gente paga nossos impostos e quer ter o mínimo a que temos direito", argumenta.

Ele relata também que, por conta das más condições de trânsito na rua, a coleta de lixo têm sido prejudicada no local. "Já teve dia que não passou. O horário do caminhão vir costuma ser por volta das 8h30. Já são mais de 11h e ainda nada", conta.

Mesmo sem vítimas e sem desabrigados, a população que vive nas ruas de terra e nas áreas de risco de Bauru foram as mais prejudicadas com a chuva do fim da tarde de anteontem. Segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, a região do Alto Paraíso, Parque Viaduto, Tangarás, Pousada da Esperança I e II são alguns dos locais mais afetados.

"As pessoas têm dificuldade para sair de casa e o acesso ao transporte público está bastante prejudicado. Algumas precisam andar até seis quadras para tomar um ônibus, o que as obriga a sair bem mais cedo de casa para trabalhar", explica.

Também no Parque Viaduto, a quadra 7 da rua Maira Honória D?Ávilla Engler, por onde deveria passar ônibus, está intransitável. O engenheiro agrônomo Mauro Antonio da Silva mora no local e relata que, além dele, outros moradores não conseguem entrar ou sair de casa com seus automóveis. "Muita gente deixou o carro na casa de parentes. A expectativa era de que a rua fosse asfaltada em janeiro, mas, pelo jeito, vamos esperar mais por conta do mau tempo. A última chuva não afetou muito, mas a situação está insustentável há tempos", desabafa.

Um homem que não quis se identificar trabalha como entregador de galões de água e botijões de gás na região e conta que está sendo obrigado a trabalhar com uma motocicleta porque já ficou preso com o veículo quatro rodas em um dos inúmeros buracos da rua. "A dimensão da cratera era tão grande, que meu carro precisou ser puxado", relata.

Sem novos prejuízos

Apesar dos 42,7 milímetros de chuva acumulados durante 40 minutos no final da tarde de anteontem, o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, afirmou que a situação dos bairros que mais sofrem com os estragos da chuva não foi agravada. "O cenário é o mesmo e a água que caiu ontem (anteontem) não afetou os trabalhos que foram realizados nos dias de sol que antecederam a terça-feira", afirma.

Areco explica que os maiores problemas detectados na cidade foram decorrentes da força do vento de quase 60 quilômetros por hora, que derrubou cerca de 50 árvores na cidade, causando, inclusive, danos à rede elétrica. Segundo ele, o Jardim Nicéia foi o local mais afetado.

O secretário de Obras destaca, que os trabalhos nos bairros seguem. "Vamos dedicar atenção especial à contenção de erosões", alega.

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Chuva não altera orçamento da Obras

Apesar do grande volume de chuvas e dos estragados causados nas ruas de diversos pontos da cidade, a Secretaria Municipal de Obras não deve sofrer impacto no seu orçamento anual, calculado para R$ 54.572.634,00 em 2011.

Informações obtidas pela reportagem dão conta de que o órgão possui uma reserva de material para situações de emergência. Além disso, nos últimos seis anos, o município arrecadou mais do que sua dotação orçamentária, valor direcionado a fins específicos, como construção de guias, tapa-buracos, entre outros serviços. Portanto, o que ocorre é o deslocamento de equipes de trabalho para a execução dos serviços de emergência.

Responsável pela pasta de Obras, Eliseu Areco confirma que não será necessário aumentar o investimento na recuperação de estragos. "Não temos como afirmar uma composição de valores, mas temos os relatórios de trabalho, que são constantes, inclusive aos finais de semana".

Areco explica que a Secretaria de Obras conta com o auxílio dos serviços e maquinários de uma empresa terceirizada. A contratação, que custa R$ 300 mil anuais aos cofres públicos, porém, também já estava prevista em orçamento. "Isso já estava dentro da destinação anual e a empresa não atua somente nos serviços de recuperação por conta da chuva", afirma.

Segundo o secretário, nas duas últimas semanas, além dos serviços de urgência nas grandes avenidas e outros pontos de grande circulação de Bauru, o município tem concentrado os trabalhos bairro-a-bairro. "Vão todos os caminhões da secretaria para o mesmo bairro com o objetivo de resolver integralmente os problemas de cada um", explica.