11 de julho de 2026
Regional

Mulher encontrada morta em Botucatu foi vítima de latrocínio descobre investigação

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu ? Uma mulher de 76 anos, encontrada morta na manhã do último dia 20, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), caída no quintal de sua residência, foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). Apesar da hipótese de morte natural ter sido aventada na ocasião, investigações conjuntas feitas pelas Polícia Civil e Militar, a partir de uma denúncia, levaram à prisão temporária de Bruno Campagner Giraldella, 22 anos, que confessou a autoria do crime.

O corpo da viúva Terezinha Garcia Martinez foi encontrado por um jardineiro, já em estado adiantado de decomposição, na manhã do último dia 20, por volta das 9h30, no quintal de sua casa, na rua Pedro de Barros Filho, número 93, jardim Dona Nicota, próximo à vila Maria. Ela estava caída no jardim, ao lado do muro que faz divisa com o imóvel vizinho.

Análises preliminares davam conta de que a mulher não apresentava sinais aparentes de violência pelo corpo. "O médico legista contatou que houve a morte por causa indeterminada", revela o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu, Celso Olindo.

Contudo, uma ligação recebida pela Polícia Civil na última segunda-feira fez que a hipótese de latrocínio passasse a ser considerada. "Anteontem, nós recebemos a informação de que o Bruno, indivíduo já conhecido nos meios policiais, e que morava próximo à vítima, entrou lá para roubar e acabou matando a mulher", relata o delegado.

Com base nas informações, PM e Polícia Civil, munidos de mandado de busca e apreensão, foram até uma residência na rua Expedicionário Almiro Bernardes, vila Maria, onde Bruno foi localizado e preso. Segundo Olindo, ele estava com o documento de um Tempra, que alegou ter comprado por R$ 3 mil, mas não soube explicar a procedência do dinheiro.

Em contato com um amigo do acusado, de nome Leandro, que morava próximo ao local do latrocínio, mas mudou-se para Laranjal Paulista, onde reside seus pais, este confirmou ao titular da DIG que Bruno teria comentando com ele sobre o roubo. A mesma versão também foi confirmada pelo irmão do acusado, que não teve o nome revelado.

"Localizamos o Leandro e, conversando, ele falou que, realmente, o Bruno chegou um dia e falou: Fiz uma besteira muito grande ao assaltar uma mulher e acabei dando umas pancadas na cabeça dela e tentei sufocar ela com um pedaço de pano. Eu achei que tinha R$ 25 mil na casa e só tinha R$ 5 mil", conta.

Diante das evidências, Bruno confessou a autoria do crime ao delegado e contou que teria ido até a residência da idosa, no último dia 10, com o objetivo de roubá-la, após observar a rotina dela e deduzir que havia grande quantidade de dinheiro guardada na casa. Na ocasião, ele teria levado um pano embebido em álcool.

Olindo relata que, assim que o acusado pulou o portão da residência, seguindo em direção aos fundos, teria se deparado com Terezinha no caminho e colocado o pano com álcool em seu nariz para que ela desmaiasse. Em seguida, o jovem diz que entrou no imóvel e subtraiu de dentro do guarda-roupa uma carteira contendo R$ 5 mil em dinheiro e documentos.

Antes de fugir, o acusado alega ter visto a vítima tentar se levantar. Ele também afirma que a teria visto no dia seguinte aos fatos, caminhando no quintal da casa. O delegado diz não acreditar nesta versão. De acordo com ele, o corpo da idosa foi encontrado no mesmo local onde Bruno alega tê-la deixado.

"Ele tem participação efetiva na morte dessa senhora", salienta, apesar de confirmar que ainda não sabe se ela morreu em decorrência da queda ou de um eventual sufocamento. "De qualquer forma, eu entendo que, se ele entrou lá para roubar, assumiu o risco de que ela pudesse morrer por ser uma senhora franzina e de idade", declara.

Bruno foi indiciado por latrocínio e ficará preso, a princípio, por 30 dias, até que as investigações sejam concluídas. Na opinião do titular da DIG, com base nas provas e depoimentos colhidos, a hipótese mais provável é de que ele tenha agido sozinho. O acusado saiu da cadeia em junho do ano passado, após ficar preso dois anos por tráfico de drogas.