09 de julho de 2026
Polícia

Pedreiro confessa estupro de crianças

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Um pedreiro de 52 anos confessou, no início da noite de ontem, ter estuprado duas meninas em sua residência, no Jardim Eldorado 2, em Bauru. João Francisco Gomes teria molestado sexualmente as crianças, de 10 e 12 anos, em sua casa, no final do ano passado, e a elas oferecido dinheiro. O caso, no entanto, demorou para chegar à polícia porque os responsáveis pelas garotas ficaram sabendo do ocorrido somente ontem.

Como não houve flagrante, o homem foi indiciado por estupro de vulnerável e liberado em seguida. Ainda hoje, é possível que a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), para onde o caso será encaminhado, peça sua prisão preventiva.

Gomes é suspeito de ter abusado ainda de uma terceira criança, de 13 anos, que já teria registrado boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ainda em 2010, quando teria sido submetida a exame de corpo de delito. Até o fechamento desta edição, no entanto, não havia informações sobre o teor da denúncia, nem mesmo os motivos pelos quais Gomes não tenha sido preso à época.

Conforme relataram as outras duas crianças, o abuso teria ocorrido dentro do quarto do pedreiro, em um imóvel localizado na quadra 3 da rua Tatuí. Moradoras do Parque Jaraguá, as meninas mais novas, de 10 e 12 anos, são vizinhas e contaram que teriam sido levadas juntas por uma amiga de Gomes à casa dele em, pelo menos, duas ocasiões.

Questionado pela reportagem, o acusado informou que jamais abusou das crianças, mas depois confessou o crime, dizendo ter sido incitado pelas garotas, e assumiu ter dado R$ 5,00 a cada uma delas em troca de sexo. Já em relação à adolescente de 13 anos, informou apenas ter oferecido R$ 50,00 para que ela fosse embora de sua casa.

Ainda que tenham demonstrado segurança ao relatar as agressões, as duas meninas menores, que prestaram depoimento ontem, no Plantão Policial, contaram que esconderam o abuso por vergonha e medo. Segundo a mãe da garota de 12 anos, uma amiga a teria informado apenas na manhã de ontem sobre a possibilidade de a menina ter sido estuprada.

"Ela disse que estava correndo este boato, que uma amiguinha da minha filha tinha espalhado essa história. No começo, eu achei que fosse mentira, mas aí ?apertei? a minha filha e ela confirmou. Contou tudo o que aconteceu", revela.

Prisão preventiva

João Francisco Gomes, 52 anos, foi detido por volta das 18h de ontem, quando chegava em sua residência. Antes disso, policiais militares da Base Noroeste já haviam visitado as casas das duas vítimas, de 10 e 12 anos, no Parque Jaraguá, para se certificarem da veracidade da denúncia de estupro contra ele.

Como as três meninas confirmaram o abuso, a soldado Gisele Regina Corrêa Cremonini e o cabo Doraci Benedito Cosmo seguiram para o Jardim Eldorado 2 e abordaram Gomes quando ele estacionava sua motocicleta em frente à sua casa, no Jardim Eldorado. Dada a voz de prisão, ele foi encaminhado ao Plantão Permanente da Polícia Civil, onde prestou depoimento junto com Mônica Cristina Lacerda, 38 anos, que confirmou ter levado as crianças na casa do pedreiro.

Ainda hoje, o caso será encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e possivelmente será pedida a prisão preventiva de ambos. Gomes foi indiciado por estupro de vulnerável e Mônica responderá como co-autora do mesmo crime.

Outro caso é investigado pela polícia

A Polícia Civil registrou outro caso de estupro, mas a suspeita é de que o crime não tenha sido consumado e, por este motivo, o delegado plantonista Roberto Cabral de Medeiros, liberou o homem que foi acusado pela suposta vítima.

De acordo com depoimento prestado pela mulher, que é casada, ela teria marcado um encontro com um rapaz, um contabilista também casado que possui um escritório no Centro de Bauru. Eles teriam se conhecido no início da tarde de ontem no local de trabalho dele.

Segundo a mulher, o homem a teria forçado a manter relações sexuais durante o encontro, mas ela confessou que, por medo, não ofereceu resistência para que a penetração ocorresse.

Em depoimento, o homem afirmou que manteve relações sexuais com a mulher, mas com o consentimento dela. Depois de ser ouvido pela polícia, ele foi liberado.

Casa de acusado é incendiada

Após o pedreiro João Francisco Gomes, 52 anos, ser detido pela Polícia Militar (PM) e encaminhado ao Plantão Policial, por volta das 19h de ontem, sua casa foi incendiada. A informação é de que conhecidos das três garotas vítimas de estupro tenham se revoltado com o abuso e ateado fogo ao imóvel.

Sacos plásticos contendo gasolina teriam sido despejados por toda a casa e vizinhos teriam tido tempo somente de retirar o botijão de gás da cozinha para evitar um dano de maiores proporções. Todos os móveis foram danificados e uma avaliação mais minuciosa terá de ser realizada posteriormente para verificar se o imóvel também não está condenado.


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Menina comprou sorvete com os R$ 5,00 que recebeu o pedreiro


A mãe de uma das vítimas disse que a menina foi levada por uma conhecida da família à casa do pedreiro João Francisco Gomes. Lá, já dentro do quarto, ele se despiu, deixou a criança somente com uma camiseta e consumou o abuso. Já a menina de 12 anos afirmou à avó, responsável por ela, que o pedreiro teria feito "sem-vergonhice" com ela uma única vez e lhe dado R$ 5,00 em dinheiro, que ela usou para comprar sorvete.

"A gente conhece há muitos anos essa mulher que levou as meninas. Ela tem uma filha de 13 anos e falava que ia levá-las para a igreja ou para brincar na praça. E a gente confiava. Ninguém poderia imaginar o que ela estava fazendo", lamenta a tia da garota de 12 anos.

A mulher que convidou as crianças, a dona de casa Mônica Cristina Lacerda, 38 anos, também prestou depoimento do Plantão Policial e confirmou ter encaminhado as duas garotas à residência do pedreiro, a pedido dele. Por esta prática, ela será indiciada como co-autora do estupro.

O acusado, no entanto, insistiu com a reportagem que não queria a presença das meninas em sua casa. Mas, indagado sobre os motivos que o levaram a oferecer dinheiro a elas, ele não soube se explicar. "Elas pediram dinheiro e eu dei. Mas foi pouca coisa. Eu não fiz nada, respeito elas como se fossem filhas minhas. Dava dinheiro para elas irem embora", justificou-se, pouco tempo antes de confirmar o abuso ao delegado de plantão.

Mônica, que ele disse considerar "quase como uma irmã", afirmou que o pedreiro costumava atrair crianças para sua casa e convidá-las para tomar banho com ele. "Mas eram elas que queriam ir, eu não forcei nada", defende-se a mulher, que afirmou sofrer de problemas psiquiátricos e fazer tratamento com prescrição de medicamentos de uso controlado.

O último encontro com Gomes, segundo as meninas, teria ocorrido em dezembro do ano passado, quando o abuso que ele confessou teria ocorrido. Com o intervalo de praticamente um mês até data da denúncia, as meninas deveriam ser submetidas a exame de corpo de delito apenas para a confirmação de rompimento do hímen. A presença de esperma ou violência sexual dificilmente poderá ser detectada mas, por conta da confissão, o delegado plantonista entendeu que Gomes deveria ser indiciado por estupro de vulnerável.

"Ele disse que as crianças o incitavam, que teriam batido à porta da casa dele oferecendo sexo em troca de dinheiro. Mas ele confirmou que manteve relação sexual com as duas. Mas ainda não sei qual é a situação da terceira garota, que já teria prestado queixa anteriormente. Ela ainda terá de ser identificada", observa o delegado plantonista Roberto Cabral de Medeiros.