08 de julho de 2026
Polícia

Avós morrem e cadeirinha salva neta

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Um grave acidente na rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó, a Bauru-Ipaussu, ontem à tarde, resultou na morte de um casal de idosos que transitava de Piratininga para Bauru. O cenário da tragédia poderia ter sido ainda pior se não fosse o respeito à lei e a prudência. No banco de trás do automóvel, estava a neta das vítimas, uma criança de 4 anos que foi socorrida com vida por estar utilizando a cadeirinha de segurança . Até o fechamento desta edição, o estado da garota era estável.

O acidente ocorreu por volta das 17h25 no município de Bauru. Segundo testemunhas no local, uma caminhonete placas CLK 4607, de Bauru, trafegava no sentido Bauru-Piratininga quando o pneu do veículo se soltou.

Com o fato, uma van de transportes placas DGC 4167, de Bauru, que vinha logo atrás da caminhonete, tentou evitar bater contra o veículo e, para isso, adentrou na pista de mão contrária.

Nesse local da rodovia, cujo traçado é formado por pista simples, o casal de idosos seguia em sentido contrário em um Fiat Uno placas DFW 0962, de Piratininga. Com isso, os dois veículos acabaram colidindo frontalmente.

A força foi tamanha que o Uno, que mais sofreu com o impacto, foi jogado vários metros em direção ao canteiro lateral e ficou com a parte frontal totalmente destruída.

O condutor do Uno, Oswaldo Segantim, 58 anos, e sua esposa, Nanci Fernandes Segantim, 53 anos, que estava no banco do passageiro do automóvel, não resistiram aos ferimentos e morreram no local.

No banco traseiro ainda estava a neta do casal, Júlia Segantim, de 4 anos. Presa na cadeirinha obrigatória de segurança, ela conseguiu ser socorrida com vida e não teve ferimentos graves.

Pouco após o acidente, a filha do casal, que é mãe da criança, chegou ao local. Ao saber sobre o ocorrido, ela se desesperou e foi rapidamente retirada do local por outros familiares.

Segundo Luciane Fazan, uma amiga da família, Oswaldo Segantim era um comerciante bastante conhecido em Piratininga. "Eles vieram de São Paulo e moravam em Piratininga há cerca de sete anos. Eles tinham uma sorveteria na região central da cidade. Não consigo acreditar no que ocorreu", lamenta.

Por conta do acidente, o fluxo de veículos chegou a ficar congestionado nas imediações da rodovia. A Polícia Científica esteve no local para realizar a perícia, que irá apontar as reais circunstâncias em que o acidente ocorreu.

Van


O destino final da van que colidiu frontalmente com o Uno era Piratininga. O veículo vinha de Bauru e era conduzido por Marcelo da Silva, 34 anos. "Eu estava bem atrás da caminhonete. Quando vi que o pneu dela saiu, eu tentei frear e desviar para não bater. Foi quando bati de frente com o outro carro. Ainda estava chovendo, para piorar tudo", contou, inconformado.

A todo momento, o motorista perguntava sobre o estado das vítimas. O alívio em saber que a criança foi socorrida com vida logo se transformou em desespero ao perceber que o casal não resistiu. O motorista ficou em prantos.

Na van, ainda havia outro passageiro. Tanto ele quanto o motorista não sofreram ferimentos.


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Criança passava férias na casa dos avós

O estado em que o Uno ficou já era um prenúncio de que dificilmente haveria sobreviventes no veículo. Entretanto, quando os bombeiros começaram a cortar as ferragens, percebeu-se que a garota de apenas 4 anos, que estava no banco de trás, estava consciente. O motivo: ela utilizava a cadeirinha de segurança, é obrigatória ao transporte de crianças de até 10 anos.

Segundo amigos da família que estiveram no local, Júlia Segantim mora em São Paulo. Ela, juntamente com os pais, passava férias em Piratininga na casa dos avós.

Na noite de ontem, o setor de enfermaria do Pronto-Socorro Central informou que a garota foi encaminhada ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e seu estado era considerado estável. Júlia iria passar a noite em observação.

Tanto o Corpo de Bombeiros como a Polícia Rodoviária, que estavam no local do acidente, afirmaram que a garota somente foi salva por utilizar a cadeirinha, conforme estipula a lei. No último Natal, um caso semelhante ocorreu. Na ocasião, um veículo capotou várias vezes na Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) e uma criança de 3 anos que estava no carro, presa à cadeirinha, saiu sem qualquer ferimentos.

O equipamento passou a ser obrigatório no início de setembro do ano passado. Segundo a lei, serão punidos os motoristas que transportarem crianças de até 10 anos sem equipamentos e dispositivos de segurança. Os motoristas que descumprirem a lei estarão sujeitos a penalidade prevista no artigo 168 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que considera a infração gravíssima e determina multa de R$ 191,54, além de acréscimo de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a retenção do veículo até que a situação seja resolvida.

Estimativas apontam que mais de 2,7 mil crianças morrem por ano no trânsito brasileiro, sendo que, desse número, 71% poderiam ser salvas com a utilização correta de um equipamento de segurança.

"Tentei encostar"

Enquanto as demais testemunhas afirmaram que o pneu da caminhonete se soltou enquanto o veículo estava em movimento sobre a pista, Daniel Muniz, 25 anos, que dirigia o veículo em questão, aponta outra versão aos fatos.

O motorista afirma que o pneu somente se deslocou no momento em que ele tentou encostar a caminhonete no canteiro lateral para, de acordo com ele, "esperar o mau tempo passar" (chovia na hora do acidente). "Eu fui encostar e passei sobre um buraco no acostamento. Estava parando para esperar a chuva parar um pouco. Foi aí que senti meu pneu saindo do lugar".

Daniel Muniz reside em uma chácara nas proximidades do local do acidente. "Eu estava indo levar comida para os animais quando tudo aconteceu", conta, apontando a caminhonete carregada com frutas estragadas.

Questionado sobre possíveis problemas na veículo, ele é direto: "Não havia nada. Essa caminhonete é minha e estava tudo normal com ela".