O prédio da Câmara Municipal de Bauru foi alvo de arrombamento e furto na madrugada de ontem. A vítima foi o vereador José Roberto Segalla (DEM), que teve o seu gabinete revirado e alguns equipamentos furtados. Apesar de não acreditar em motivação política para o incidente, Segalla observa que a segurança da sede do Poder Legislativo é frágil. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o crime.
Ao chegar para trabalhar na manhã de ontem, por volta de 8h, os dois assessores do vereador tiveram a surpresa desagradável ao abrir a porta do gabinete. O escritório estava todo revirado, equipamentos eletrônicos haviam sumido e o aparelho de ar condicionado que deveria estar preso junto à janela estava caído ao chão. Rapidamente acionaram a Polícia Militar (PM), que constatou o furto.
O vereador foi alertado sobre o problema e foi até a Câmara. "Estava pelo Centro da cidade fotografando algumas situações de irregularidades que estamos levantando, quando fui alertado. Quando cheguei na Câmara, os policiais militares já estavam avaliando o local. Aguardamos a perícia técnica e depois fomos lavrar o boletim de ocorrência", resume o parlamentar.
Segalla, que é promotor de Justiça aposentado, observa que para ter acesso ao seu gabinete, o invasor empurrou o aparelho de ar condicionado pelo lado de fora. Seu escritório na Câmara tem janela voltada para a Rua Gérson França. Após ganhar o interior do gabinete, o invasor ? a Polícia Civil afirmou que ainda não era possível informar quantas pessoas participaram do crime ? revirou documentos e arquivos do vereador, além de ter vasculhado gavetas.
De acordo com o vereador, foram levados de seu gabinete o monitor de um computador, uma impressora, um aparelho de GPS pertencente a um de seus assessores e um par de óculos. "Não acredito em motivação política. Ainda não conseguimos verificar tudo, mas até o momento não demos por falta de nenhum documento. Também não foi levada a CPU do computador, onde estão armazenados outros documentos", observa Segalla.
Para ele, o crime poderia ser contra qualquer outro vereador. "Acredito que é gente em busca de coisas fáceis de serem revendidas, para se obter droga", observa. "Todos os gabinetes são iguais pelo lado de fora. Penso que entraram no meu por acaso", avalia. No entanto, Segalla questiona o sistema de segurança da Casa. "O que me preocupa é a fragilidade da segurança do Legislativo. Em nenhum momento, o alarme disparou", observa.
O vereador explica que lhe foi informado que o prédio possui alarme, mas não nos gabinetes. "Me foi informado que se ele passasse para o corredor, seria flagrado pelas câmeras", explica Segalla.
Outro problema questionado é a vigilância do prédio. De acordo com a assessoria da presidência, dois funcionários fazem ronda pelo prédio à noite. Porém, nenhum deles teria ouvido o aparelho de ar condicionado cair ao solo. "Talvez pelo prédio ser grande e a guarita onde costumam ficar ser longe da área do gabinete", observa.
Diante desses problemas, Segalla afirmou que vai propor à Mesa Diretora, da qual é segundo-secretário, melhorias nesse setor. "Caso não tomem providências, eu vou instalar um sensor de movimento com alarme em meu gabinete", destaca.
Investigações
De acordo com o delegado seccional de Bauru, Benedito Valencise, a invasão na Câmara foi registrada como furto qualificado pelo arrombamento do gabinete e também pelo crime ter sido cometido à noite.
"O caso será encaminhado para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), para que suas circunstâncias sejam apuradas", afirma. No entanto, Valencise não adiantou detalhes sobre a apuração. "Temos algumas hipóteses, mas ainda não podemos divulgá-las", afirma.
Mesa Diretora irá rever procedimentos internos
Para o vice-presidente da Câmara, Moisés Rossi (PPS), será necessário rever os procedimentos de segurança da Casa. Ele destaca que até o crime de ontem o prédio do Legislativo não tinha sofrido nenhum arrombamento durante essa legislatura.
Ele avalia que uma das possibilidades seria a instalação de sensores de movimento com alarmes dentro dos gabinetes. "Depois desse incidente, com certeza temos que rever os nossos métodos de segurança", pontua. Ele avalia que dentro dos gabinetes não há objetos de grande valor. "A não ser documentos e projetos dos vereadores. Porém, os equipamentos são públicos e o crime acabou lesando a população", pontua.
"Também fica a violência contra o vereador, que teve seu espaço invadido", observa. Rossi também não acredita em motivação política para o caso. "Mesmo porque o vereador Segalla não está envolvido em divergência política grave", avalia o vice-presidente da Câmara.
O chefe de gabinete da Câmara, Levi Momesso, foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado. O presidente da Casa, Roberval Sakai, também não atendeu às ligações.