Forte comoção marcou o velório e sepultamento de Oswaldo Segantim, 58 anos, e Nanci Fernandes Segantim, 55, mortos em acidente sexta-feira à tarde, na rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a "Bauru-Ipaussu". O casal foi velado em Piratininga e enterrado ontem no cemitério Jardim do Ypê, em Bauru.
Oswaldo e Nanci viajavam num Fiat/Uno com destino a Bauru quando foram atingidos frontalmente por uma van, que, de acordo com o motorista do coletivo, Marcelo da Silva, 34 anos, invadiu a pista contrária para desviar de uma caminhonete cuja roda acabara de cair à sua frente.
A tragédia não teve desfechos piores porque a neta do casal, Júlia, de 4 anos, que viajava no banco de trás do automóvel, presa à cadeirinha obrigatória para bebês e crianças pequenas, foi salva pelo dispositivo. Ferida sem gravidade, ela continuava hospitalizada até ontem à tarde, sob observação e com estado de saúde estável.
"Eles (os avós) sempre tiveram muita preocupação com segurança. Foi uma fatalidade", lastima Jane Silva Turco, familiar residente em Agudos e que veio para o sepultamento em Bauru. Já Wilson Roberto Gonçalves, primo de Nanci, lamenta tanto o acidente quanto a falta de fiscalização a veículos em mau estado de conservação nas estradas. "É mais comum carros de luxo serem parados", protesta.
Entretanto, o parente evita apontar algum culpado para a tragédia, que começou com a roda solta de uma caminhonete. "Foi uma combinação infeliz de diversos fatores, desde a roda da caminhonete até a van, que, se desviada para a direita, não bateria. Mas foi uma fatalidade", considera. "Na verdade falta fiscalização não apenas nas estradas, sobre carros velhos, mas em diversos outros setores", resigna-se Oswaldo Segantim Júnior, filho do casal, logo após o enterro.
Mais do que culpados, familiares e amigos do casal - que morava em Piratininga há sete anos, após mudar-se de São Caetano do Sul - preferiram enaltecer as qualidades das vítimas, muito consideradas em Piratininga. Nanci mantinha uma sorveteria no centro da cidade enquanto que Oswaldo trabalhava com vendas, no ramo de jogos eletrônicos. "Era uma mulher especial, dedicada, despojada e servidora. Gostava muito de auxiliar nos grupos de auto-ajuda. Fará muita falta", lamenta Maria José Teixeira Barreto, colega de Nanci nos trabalhos sociais da Pastoral da Sobriedade, mantidos pela paróquia de São Cristóvão, em Bauru.
Vítimas pegariam carro no mecânico
Oswaldo e Nanci morreram a caminho de uma oficina mecânica em Bauru. Segundo amigos e familiares presentes ao funeral, o vendedor havia tomado emprestado um Fiat/Uno em Piratininga com um colega para buscar seu veículo que passava por reparos na cidade vizinha.
Prudentes, colocaram a neta, que mora em São Paulo com os pais e passava férias na casa dos avós, devidamente presa à cadeirinha obrigatória no banco traseiro. Ainda no local do acidente, o condutor da caminhonete disse, em entrevista ao JC, que o pneu se soltou apenas no momento em que ele tentou encostar o veículo em virtude da forte chuva que caía no momento do acidente. "Eu fui encostar e passei sobre um buraco no acostamento. Estava parando para esperar a chuva parar um pouco. Foi aí que senti meu pneu saindo do lugar", defende-se o motorista, que seguia com a caminhonete, carregada com frutas estragadas, até o sítio onde mora, próximo à rodovia, para alimentar animais da propriedade. Sobre possíveis problemas no veículo, ele foi taxativo: "Não havia nada. Essa caminhonete é minha e estava tudo normal com ela", assegurou.