Lençóis Paulista - O rio Lençóis transbordou novamente e inundou as instalações do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) ontem pela manhã, interrompendo por algumas horas a purificação de água na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). A inundação foi consequência da forte chuva que começou sábado à noite e só parou na madrugada de ontem na região de Lençóis Paulista. Foi a segunda enchente na cidade neste mês.
O diretor do SAAE e coordenador da Defesa Civil de Lençóis Paulista, José Antonio Marise, comenta que, por volta das 8h de ontem, o rio começou a subir e inundou o pátio onde ficam os carros da autarquia municipal e o almoxarifado, além da ETA.
Segundo ele, o abastecimento de água não foi prejudicado mesmo com a paralisação do tratamento por mais de três horas e reinício à tarde. Porém, Marise avalia que o problema pode se agravar se voltar a chover com intensidade nas próximas horas.
Marise explica que no começo da tarde de ontem a água do rio começou a baixar. O diretor do SAAE acrescenta que foi dado o alerta para os moradores localizados na área de risco de inundações para prevenção, caso houvesse elevação do leito do manancial.
Ele classifica a enchente de ontem como de pequena proporção se comparada com a da semana retrasada, quando a água atingiu do cerca de 50 centímetros no SAAE. No último dia 17, 70 residências foram alagadas, assim como ruas, pontes, comércios e o SAAE, que fica na margem do rio que corta a região central da cidade.
Por volta das 21h de anteontem, começou a chover muito forte em Lençóis, com o temporal se estendendo pela madrugada. Marise explica que na parte de cima do rio Lençóis a chuva acumulada foi de 80 a 135 milímetros. Conforme divulgado pelo JC na edição do dia 18 deste mês, o volume de chuva, na ocasião, foi de 120 milímetros durante cerca de uma hora de precipitação. Em alguns trechos do rio Lençóis a chuva acumulada em um dia foi de 180 milímetros.
Informações passadas à Redação do JC ontem davam conta de que a represa da propriedade Edmundo Nery, na região do Virgílio Rocha, rompeu sendo a causa da inundação ontem do SAAE. Marise confirma o rompimento de uma cabeceira dessa represa, porém descarta como causa do alagamento. Ele argumenta que a represa do Edmundo Nery teve sua água drenada pela prefeitura de Lençóis ainda na semana passada e estaria com volume muito abaixo.
"Como a quantidade de chuva era muito grande, ela (represa) voltou a encher e rompeu uma cabeceira. Mas a água dessa represa é muito pouca para ter tido alguma influência aqui embaixo", assegura o diretor da autarquia municipal.