Jaú - Moradores de um bairro de Jaú (47 quilômetros de Bauru) passaram a madrugada de ontem inteira em clima de medo e apreensão. Toda a tensão foi causada por um artefato colocado na rua que parecia ser uma bomba. A situação somente foi resolvida quando o Esquadrão Antibomba do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate), que deslocou de São Paulo para Jaú pela manhã, comprovou tratar-se apenas de um artefato que parecia bomba, mas não tinha explosivos.
A operação começou por volta das 21h de anteontem, quando a Polícia Militar (PM) recebeu a denúncia anônima de que havia uma bomba na rua Pedro Rúbio, no bairro Pedro Ometto. No local, os policiais localizaram um objeto cilíndrico enrolado em papel alumínio encostado na guia da calçada bem em frente à casa número 130. Do cilindro, saíam dois fios pretos ligados a um retângulo preto, bastante semelhante a uma bateria.
A PM fotografou o artefato e enviou a imagem para o Esquadrão Antibomba do Gate. Porém, o Gate informou que, somente com as imagens passadas, não seria possível identificar se realmente era explosivo ou apenas um simulacro. Como as equipes do Gate estavam envolvidas em outros trabalhos durante toda a madrugada, só poderiam se deslocar para Jaú pela manhã.
Com isso, a quadra onde o objeto estava foi interditada e os policiais ficaram no local de prontidão durante toda a madrugada. Transtorno para os moradores que, apesar de não terem sido retirados de suas residências, receberam a recomendação de que deviam ficar nos fundos dos imóveis.
Com toda a tensão instalada e com a intensa movimentação, foi difícil encontrar alguém que conseguiu dormir. Por volta das 10h45 de ontem, duas equipes com seis homens do Esquadrão Antibomba do Gate chegaram ao local. Seguindo o protocolo de desarmamento, eles "estouraram" o artefato e descobriram que se tratava apenas de um simulacro. O cilindro que causou toda a mobilização estava cheio de areia.
Prejuízos
O coordenador operacional da PM, capitão Jéfferson Bastos, explicou que, ao aparecer qualquer ameaça desse tipo, é seguida uma série de procedimentos para garantir a segurança das pessoas. "Mesmo que haja suspeita de que seja falso, temos que seguir o protocolo para ter certeza. A segurança das pessoas é prioridade".
Entretanto, mesmo com a confirmação de se tratar apenas de um simulacro, o capitão explica que o fato é prejudicial ao trabalho da polícia. "Exatamente por termos esse cuidado, há uma concentração de esforços no local. Alguns policiais passaram a noite inteira aqui, sendo que poderiam estar fiscalizando outros crimes e áreas da cidade. Então, os moradores precisam denunciar. Se tiverem um suspeito, precisam dizer, mesmo anonimamente, aos policiais", completa.
?Foi para chamar atenção?,suspeitam os moradores
Logo após a confirmação de que se tratava de uma falsa bomba, a movimentação na rua Pedro Ometto era intensa. Bastante sonolentos, a maioria dos vizinhos saía de suas casas para descobrir que o motivo de terem passado a noite em estado de alerta foi um cilindro cheio de areia.
Questionados se sabiam quem seria o responsável, todos disseram não ter visto nada, porém, a maior parte, que não quis se identificar, foi bastante objetiva em afirmar que suspeitava de alguém. "Tem um rapaz que mora nas proximidades e sempre faz coisas para chamar a atenção. Tenho certeza que foi ele. Mas essas atitudes já estão passando dos limites. Estão tomando uma dimensão imensa", opina um dos moradores.
Segundo outras pessoas, que também pediram para ter a identificação preservada, há alguns dias, esse homem acionou a polícia e disse que havia uma pessoa armada no bairro. Ao chegar, segundo os vizinhos, quem estava no local era o próprio denunciante com uma pistola de brinquedo.
"Eu acredito que esse caso foi a mesma coisa. Acho que ele mesmo colocou (o simulacro) e chamou a polícia. Não sei se ele tem algum problema ou somente faz isso para chamar a atenção mesmo", confirma uma outra moradora do bairro.
Entretanto, todos são unânimes em dizer que a "brincadeira" não tem a menor graça. Conscientes, eles sabem dos prejuízos causados pelo dispêndio de tempo em relação ao trabalho da polícia. "Fora isso, tem o gasto do Estado. O Gate precisou vir da Capital para cá. É uma brincadeira de péssimo gosto que precisa parar", conclui outro vizinho, indignado. Nenhum dos entrevistados revelou o nome do possível suspeito.