08 de julho de 2026
Geral

Empresas devem se preocupar com vida familiar

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Já faz tempo que as empresas deixaram de pensar somente no produto/serviço que confeccionam, comercializam ou oferecem aos clientes. Há anos, a política empresarial passou também a determinar aquelas que conseguem se destacar no mercado. Primeiramente, veio a responsabilidade social, nos quais as ações da empresa visavam ajudar os setores mais necessitados. Depois, foi a vez da política ambiental, com sustentabilidade da natureza. Agora, ao que tudo indica, mais uma dessas vertentes é importada ao Brasil: a de empresas familiarmente responsáveis.

O objetivo dessa política, que já existe em vários países europeus e é inclusive certificada com um selo, é justamente conciliar a trajetória profissional do funcionário da empresa com sua vida familiar, possibilitando que ele continue a trabalhar e, mesmo assim, não tenha prejuízos pessoais e familiares.

Adirson de Oliveira Júnior é presidente da empresa Loyalty, que faz consultoria empresarial em Bauru. Ele aponta que tal política surgiu justamente com o ingresso da mulher no mercado de trabalho por volta da década de 30.

"Com a mulher ingressando no mercado de trabalho, ficou difícil conciliar a vida profissional e a familiar. Então, o que aconteceu foi que a mulher optou pelo trabalho e a taxa de natalidade começou a cair. Com isso, diminuiu a mão de obra, o mercado de consumo e os contribuintes. Foi um ciclo que atrapalhou toda a economia europeia", conta.

Desse modo, foram adotadas uma série de normas para adaptar as empresas a um novo modelo de gestão, no qual as mulheres podem cuidar de suas famílias sem ter que abandonar seus empregos. Para certificar as empresas que seguem esses procedimentos, surgiu na Espanha o selo EFR (Empresa Familiarmente Responsável), criado pela fundação Mais Família, uma entidade beneficente que não possui fins lucrativos.

E, apesar de ter sido estimulado pelo ingresso da mulher no mercado de trabalho, tais procedimentos não se aplicam somente a elas. Os homens também fazem parte desse nicho a ser contemplado. "Foi algo verificado com as mulheres, porém, é uma vertente que, na Europa, é aplicado a todos os funcionários. É uma política geral das empresas que já têm essa consciência. Todos devem ter direito a essa harmonia entre empresa, pessoa e família".


Vantagens

E as vantagens desse novo modelo gestor não aparecem apenas aos funcionários. Com essa qualidade de familiarmente responsáveis, as empresas conseguem lidar com um grande desafio atual: reter a mão de obra qualificada.

A psicóloga organizacional do trabalho da Loyalty, Núria Borro, explica que, sentindo-se acolhido e com a possibilidade de conciliar a vida familiar, o funcionário acaba sendo mais fiel ao empregador. "Com essa nova política, será muito mais fácil conter e atrair a mão de obra da geração Y, que é exatamente a geração atual, mais questionadora e instável. Haverá maior retenção de talentos e ainda há toda a questão da produtividade. O funcionário que é feliz onde trabalha sempre é mais produtivo", conclui.

Palestra hoje discutirá novo modelo

Justamente para explicar o que é essa nova vertente das empresas, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) realiza em parceria com a empresa Loyalty a palestra "Empresa Familiarmente Responsável". O evento será realizado hoje, às 19h, no auditório do Ciesp.

A palestra será ministrada por Javier Martínez Rodriguez, que é responsável pela área técnica da Fundação Mais Família, sediada em Madri e que realiza a certificação das empresas com o selo EFR.

Além da palestra, Javier Rodriguez ficará na cidade durante uma semana e será levado para conhecer empresas de Bauru e da região para entender o contexto brasileiro e como a certificação pode ser feita por aqui.

Para Klaudio Coffani, advogado e responsável pela parte de consultoria ambiental da Loyalty, a política de responsabilidade familiar é algo relativamente novo, porém, que, em breve, estará na maior parte das empresas. "É igual a responsabilidade ambiental.

No começo, muitos achavam que não era tão importante. Agora, todos analisam isso.

O traço familiar vai ser fator decisivo na concorrência das empresas em pouco tempo", conclui.