Apesar de comprar menos que os adultos, os consumidores de até 20 anos, são a maior fatia dos endividados no comércio de Bauru. Pelo levantamento feito pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o setor fechou 2010 com 27.435 clientes inadimplentes, dos quais 41,08% têm até 20 anos.
"Os mais jovens compram menos, no entanto muitos são estudantes e não possuem emprego fixo, o que resulta no aumento das dívidas. Os mais idosos também compram menos, mas muitas vezes os filhos ou outros parentes mais jovens acabam por adquirir compras em seu nome", comenta Sérgio Evandro Motta, presidente da CDL.
A faixa etária de 30 a 40 anos representa 31% dos devedores no comércio de Bauru; de 40 a 50 anos, 18,66%; de 50 a 60 anos, 9,26% e, por fim, os que possuem mais de 60 anos são responsáveis por 6,6% da inadimplência.
Ao contrário da média brasileira - o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) mostrou que a quantidade de famílias endividadas caiu de 54% em 2009 para 49% em 2010 -, no comércio de Bauru a inadimplência aumentou. Passou de 26.822 devedores em dezembro de 2009 para 27.435 no mesmo mês do ano passado, um aumento de 2,3%.
Mas para Motta, o aumento é normal. Ele atribui o fato à facilidade de crédito em 2010 aliada às promoções tentadoras dos lojistas. "De um modo geral, a facilidade de crédito para fazer compras leva muita gente a comprar sem um planejamento correto. A facilidade de se obter cartões de crédito e de fazer compras financiadas a longo prazo para começar a pagar, tanto de veículos quanto de outras necessidades do dia a dia, colaboraram para que as pessoas perdessem o controle", opinou.
Assim como número de devedores, o total da dívida no comércio de Bauru também aumentou de 2009 para 2010. Passou de aproximadamente R$ 10 milhões para R$ 13 milhões. No entanto, como as contas pendentes são em diversas empresas, Motta não acredita que isso influencie diretamente no desempenho das empresas.
Negociação
Motta conta que muitos consumidores inadimplentes consultam o histórico de suas dívidas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), que funciona no prédio da CDL. No entanto, segundo ele, são poucas as que procuram liquidar suas dívidas. Ele explica que quando o cliente não paga a dívida, primeiramente a empresa credora faz a cobrança amigável por meio de ligações telefônicas.
Também envia correspondências informando sobre a dívida e consequências da inadimplência. Geralmente, a negociação dura entre 30 e 70 dias. No entanto, se o pagamento não for efetuado, a cobrança passa a ser feita pelo SPC.
Após a empresa encerrar as tentativas de negociação, o SPC concede 10 dias para que a conta seja paga antes de incluir o nome do devedor no cadastro dos devedores do órgão. A empresa pode, ainda, segundo Motta, tentar receber a dívida judicialmente, protestando o inadimplente em cartório.
Ele ressalta que, ao contrário do que muitos pensam, ao passar cinco anos, a dívida não se extingue. Motta explica que a legislação determina que o nome do devedor não conste mais no cadastro de inadimplentes, no entanto, a dívida estará sempre ativa. "As pessoas devem procurar quitar as dívidas porque muitas vezes as negociações são boas e os juros são amenizados", destaca o presidente da CDL.
Ipea
Uma pesquisa divulgada anteontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) constatou que, no mês de janeiro, 77% do conjunto das famílias brasileiras pesquisadas indicaram estar melhor financeiramente do que há um ano. O que significa que, de fato, essas pessoas estão acreditando cada vez mais no potencial financeiro do País.
A pesquisa do Ipea mostrou que, em 2009, 54,6% do conjunto das famílias brasileiras pesquisadas declararam ter dívidas, porcentagem que caiu para 49,4% em 2010. Mas 8% das famílias responderam aos pesquisadores estarem muito endividadas. A estimativa do Ipea apontou que 73,4 milhões de brasileiros não têm dívidas.
Análise do orçamento evita dívidas
Com a facilidade do crédito, fica tentador comprar uma roupa da moda, um eletrodoméstico novo ou até um carro zero. No entanto, antes de adquirir produtos e serviços, cada um deve avaliar seu poder de consumo e se já há valores empenhados para evitar inadimplência futura. Primeiro, estude o seu orçamento financeiro. Faça uma planilha. Anote todos os gastos fixos e extras que geralmente você tem, como contas de água, luz, telefone, Internet, plano de saúde, supermercado, restaurante, farmácia, entre outros.
Veja o quanto sobra do seu salário e pondere o valor desse montante que você pode comprometer numa dívida nova. Deixe sempre dinheiro guardado para emergências. Um reparo na casa ou um problema no carro sempre aparecem. Evite promoções que você começa a pagar em dois ou três meses. Muitas vezes, neste caso, o planejamento torna-se difícil, e você pode ter surpresas no futuro.
Atente-se aos juros do financiamento e verifique se não vale a pena guardar o dinheiro e pagar a conta à vista, considerando o rendimento da poupança, que gira entre 0,6% e 1% por mês, dependendo do valor aplicado. Evite usar cartões de crédito. Opte por eles em caso de emergência para fazer uma rotatividade com o dinheiro de seu salário. Evite pagar o valor mínimo da fatura, que futuramente transforma-se em uma bola de neve.
Hoje em dia até posto de combustível oferece cartões de crédito. Diga não aos excessos e aprenda a movimentar o dinheiro que você ganha sem sustos. Devagar e sempre e, mais importante, sem dívidas, fica mais fácil realizar os sonhos que custam um pouco mais caro.