11 de julho de 2026
Bairros

Chuva de janeiro encheria 11 milhões de caminhões-pipa

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Parece inacreditável, mas segundo cálculos estimativos supervisionados por um matemático, choveu aproximadamente 332 bilhões de litros de água em todo o território de Bauru só em janeiro. Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), a quantidade de chuva acumulada no último mês, de 493 milímetros, bateu o recorde dos últimos 30 anos na cidade.

Os 332 bilhões de litros seriam suficientes para encher 132.800 piscinas olímpicas, com dimensões de 50 x 25 metros e 2 metros de profundidade. De acordo com informações do coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, com o volume de toda essa água, seria possível formar um imenso lago, com 40 centímetro de profundidade, ocupando todo o território bauruense, caso ele fosse inteiramente plano.

Outras associações curiosas chamam a atenção: com 332 bilhões de litros de água seria possível encher 11 milhões de caminhões-pipa com capacidade para 30 mil litros cada um, 332 milhões de caixas d?água domésticas de mil litros ou 166 bilhões de garrafas pet de dois litros.

Professor de matemática do Preve Objetivo, João Batista Xavier, ajudou a reportagem do Jornal da Cidade a chegar a esse número. "Cada milímetro de chuva equivale a 1 litro de água por metro quadrado. Portanto, a partir dos dados do IPMet, estimamos que choveu 493 litros por cada metro quadrado de Bauru", explica Xavier.

Esse valor é multiplicado pelos 673 milhões de m² que formam todo o território bauruense, considerando as áreas urbana e rural. "Fui obrigado a refazer as contas porque o resultado me pareceu assustador tamanho o volume de água que caiu", afirma o professor.

Os dados, porém, não causaram espanto a Álvaro de Brito. "Acredito que possa ter sido até um pouco mais. O último mês foi excepcional.", afirma.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, a chuva que caiu na cidade vem da região da Amazônia ao Sudeste. "É como se um rio em forma de vapor viesse em nossa direção e desaguasse aqui. Vivemos em um planeta com água na superfície, no subterrâneo e na atmosfera, e as ações do homem podem afetá-las. Quem arca com as consequências é o próprio homem", explica Brito.


Prós e contras


Para o meteorologista José Carlos Figueiredo, do IPMet, esses números não são cientificamente relevantes, pois a relação entre quantidade de água e tempo de chuva é que deve ser considerada. "Se chove 30 milímetros em 30 minutos, é preocupante. Se chove 30 milímetros em um dia, não significa nada", aponta.

Figueiredo ressalta também que, apesar dos estragos, o grande volume de chuvas em janeiro pode ser a salvação para alguns setores da economia, como a agricultura e a produção de energia elétrica. "Desde 1999 não alcançamos em Bauru a média de chuva anual, que é de 1.500 milímetros. No ano passado, por exemplo, o índice ficou em 1.082 milímetros", ressalta o meteorologista.