11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Atribuição de aulas na rede estadual entra na madrugada

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Longas filas e muita espera. Professores admitidos em caráter temporário pelo Estado, os chamados ACTs, atravessaram a madrugada de ontem na escola Christino Cabral, em Bauru, para participar da atribuição de aulas da rede estadual. De acordo eles, a demora se repete todos os anos pela falta organização e agilidade no processo de escolha, que segue até segunda-feira. A expectativa, no entanto, é de que todas as vagas sejam preenchidas antes do início das aulas, marcado para o próximo dia 10.

Segundo Idenilde de Almeida Conceição, coordenadora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Bauru, muitos docentes permaneceram durante todo o dia de anteontem na fila e alguns só deixaram a escola as 5h de ontem. "O governo sempre peca nas resoluções que ele edita para as atribuições porque não abre diálogo com a categoria. Há um descaso muito grande do Estado para com os professores, que se renova todo início de ano", reclama.

Uma das profissionais que permaneceu até quase amanhecer à espera de sua vez foi a professora Terezinha de Jesus dos Santos. Ela conta que chegou ao Christino Cabral às 14h e só saiu de lá as 5h30 da madrugada, sem conseguir assumir sequer uma turma para dar aulas.

"É um tratamento desumano", aponta ela, que contesta também a metodologia adotada pelo governo para realizar a distribuição das aulas. A principal reclamação, segundo Terezinha, é a obrigatoriedade de o professor aceitar o mínimo de 10 horas-aula em escolas fora de Bauru, para então poder preencher sua grade com outras salas de instituições de ensino da cidade.

"É uma atribuição compulsória, imposta pelo Estado. Tem professor que teve de pegar aula em Ubirajara, a 80 quilômetros de Bauru e, para isso, receberá R$ 480,00 mensais. Esse valor não paga nem o transporte entre uma cidade e outra. O professor teria de pagar para trabalhar, por isso acaba não indo dar essas aulas e o prejudicado é o aluno", argumenta.

Ainda que durante a tarde o processo tenha ocorrido de maneira mais tranquila, outra professora enfrentou dificuldades para conseguir participar da atribuição. Com uma liminar nas mãos, Carla de Oliveira Souza dizia que havia sido autorizada pela Justiça a dar aulas em Bauru, mas não conseguiu ser inserida novamente na lista de professores inscritos para a atribuição, já que seu número havia sido chamado no dia anterior.

"Meu cargo fica em Lins, mas sempre dei aula em Bauru. Então o juiz permitiu que eu pegasse aulas aqui e determinou que todo o processo de atribuição teria de ser refeito, a partir do meu número. Mas eles (comissão de atribuição, vinculada à Diretoria de Ensino) se negaram a fazer o que estava na liminar", aponta ela. Ao final do dia, professores descontentes com o processo procuraram a Defensoria Pública.