08 de julho de 2026
Regional

Ex-prefeito deixa de ir a audiência

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Pirajuí ? Na tarde de ontem, com cartazes nas mãos, familiares e amigos do ex-prefeito de Balbinos Ed Carlos Marin protestaram em frente ao Fórum de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) em defesa de sua inocência, ao mesmo tempo em que testemunhas arroladas pelo réu participavam de uma audiência no interior do prédio. Marin está foragido da Justiça há mais de seis meses, quando teve sua prisão decretada. Segundo o Ministério Público (MP), ele teria contratado servidores sem concurso, falsificado documentos públicos e coagido testemunhas por meio de violência ou grave ameaça.

Informações extraoficiais dão conta de que o ex-prefeito queria participar da audiência, mas com a garantia de que não sairia de lá preso. Como existe mandado de prisão contra ele, expedido pelo Fórum da cidade desde 14 de julho do ano passado, não haveria precedentes legais para que o réu fosse até o local sem que a ordem da Justiça fosse cumprida.

O advogado de Marin, Heraldo Bromati, foi procurado ontem diversas vezes pelo Jornal da Cidade para informar se seu cliente pretendia cumprir a ordem de prisão, mas não atendeu às ligações. O promotor de Justiça responsável pelo caso, Roberto de Almeida Salles, disse por meio de funcionários do Fórum que só falaria sobre o assunto na próxima segunda-feira.

A esposa do ex-prefeito, Silvana Marangon Marin, que liderava o grupo de manifestantes na praça em frente ao Fórum, defendeu a inocência do marido em relação às denúncias de ameaça contra testemunhas, mas defendeu que as demais acusações sejam apuradas. "Meu marido não é isso, meu marido não merece o que está acontecendo", afirma.

"Nós somos uma família, temos dois filhos para cuidar. Ele estava trabalhando e fizeram tudo isso com ele. Ele não é esse bandido que estão falando que ele é. Ele tem um processo de concurso (contratação de servidores sem concurso), mas não existe nada de errado. Essas pessoas que estão aqui depondo contra ele são todas pessoas que ele ajudou. É tudo política".

De acordo com Silvana, o ex-prefeito não vai se apresentar para cumprir a ordem de prisão. "Ele não se apresentou porque ele não é bandido. Eu e ele trabalhamos numa penitenciária e aquilo lá é pra bandido, não para o meu marido", alega. "Eu vivo com ele faz vinte anos e, mais do que ninguém, poderia falar mal dele. Ele é uma pessoa ótima, excelente e honesta".

Logo após ser ouvido na audiência, o vereador Ariel Furquim Pereira (PSDB), uma das testemunhas de defesa de Marin, também declarou que não acredita nas acusações de ameaça atribuídas a ele. "Nunca tive problemas com ele e nem sei se ele pode ter feito alguma coisa", afirma.


Entenda o caso


Em 2005, o então vereador em Balbinos Paulo Sérgio Guandalim denunciou ao MP a existência de suposta fraude na publicação de edital de concurso público realizado em 2003, quando 21 candidatos foram aprovados. Na época, Ed Carlos Marin estava em sua segunda legislatura como prefeito (ele foi eleito em 2000 e reeleito em 2004).

Em abril de 2007, a Justiça acatou pedido do MP em ação civil pública e afastou Marin do cargo pela primeira vez. Sete dias depois, liminar concedida pelo TJ após análise de recurso da defesa o reconduziu ao cargo. O TJ, então, ajuizou ação criminal contra o réu e determinou que a Câmara o afastasse do cargo, pela segunda vez, em 22 de outubro de 2008.

Seis dias antes, no dia 16, com base nos depoimentos de João Batista Loureço e do então presidente do Legislativo, José Aparecido Pacheco (DEM), à Procuradoria Geral de Justiça do MP, o TJ solicitou à Justiça a prisão preventiva de Marin por entender que ele poderia obstruir a instrução processual.

O mandado de prisão preventiva contra o réu foi expedido no dia 23 de outubro pela 2ª Vara de Pirajuí. Contudo, liminar em pedido de habeas corpus obtida pela defesa evitou que Marin fosse para a prisão. Quase dois anos depois, em julho do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) cassou por quatro votos a um a liminar que o mantinha em liberdade. No dia 14 de julho, o Fórum de Pirajuí expediu novo mandado de prisão preventiva contra o ex-prefeito sob a alegação de que ele estaria pressionando e ameaçando o co-réu Luiz Leandro Lopes Sanches, mas ele não se apresentou. O pedido de liminar em habeas corpus protocolado por seu advogado no TJ foi negado e, desde então, Marin se encontra foragido. Além de suposta fraude em concurso, Marin é acusado de falsificar documentos públicos e de coagir e ameaçar de morte o servidor público Cícero Cabral Vieira, o ex-vereador Paulo Sérgio Guandalim e o promotor de Justiça de Pirajuí, Rodrigo de Moraes Garcia.