09 de julho de 2026
Regional

Economia sela sobrevivência ou a morte de um povoado

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Viver em pequenos povoados está cada vez mais raro. Gerados pela produção agrícola ou pela estrada de ferro, eles estão desaparecendo na mesma medida que as grandes propriedades foram tomadas de cana-de-açúcar e o trem já não exerce a mesma função do que há 50 anos.

Itatingui, um bairro rural de Pederneiras, é exemplo da extinção dos pequenos povoados. Na década de 40, com a região tomada de café, ele possuía armazém, escola, salão de baile, igreja e uma comunidade que se dissolveu assim que o trem parou de visitar o local e as fazendas foram arrendadas para usinas de açúcar e álcool.

Hoje, a prosperidade do local só existe na lembrança de antigos moradores. Da estação, restou somente o imóvel, que hoje pertence a um fazendeiro.

No distrito de Rubião Jr., município de Botucatu, ocorre o contrário. A comunidade prosperou pela força da universidade estadual implantada no imóvel que era para ser um hospital para tratamento de tuberculosos. O prédio abriga atualmente o Hospital das Clínicas e gera pelo menos cinco mil empregos.

Para o professor de história Célio Losnak, a sobrevivência de um povoado depende da economia regional. Ele frisa que cada comunidade é única e teria que avaliar um de cada vez. "Para saber o que determina a sobrevivência ou morte daquele bairro é necessário saber o que mudou na economia daquela região que levou ao fluxo ou refluxo populacional. A tendência é as pessoas permanecerem onde podem trabalhar."

Para ele, os distritos ?nasceram? nos bairros rurais, onde havia uma grande quantidade de fazendas com atividades econômicas em franco desenvolvimento. "O bairro rural tinha um ponto central que era a igreja ou capela e um bar. No fim de semana os moradores dessas áreas iam para lá para assistir à missa ou para participar de festas religiosas e moviam outras atividades econômicas, como o armazém ou bar."

Ele compara o distrito de Nogueira, município de Avaí com Tibiriçá, município de Bauru. "Nogueira era uma estação da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Tinha um número razoável de casas. Hoje está praticamente abandonada. Tibiriçá, por sua vez, tem um razoável número de propriedades agrícolas em torno e com o apoio de Bauru tem atividades econômicas importantes e se mantém."

Quando as atividades econômicas minguam, há um forte apelo para a migração, avalia o professor. "Voltando ao caso de Nogueira para exemplificar. Os moradores tendem a migrar para Avaí ou Bauru. Com a diminuição do número de moradores, o armazém fecha e desaparece a comunidade."

Ele lembra que todo esse movimento está ligeiramente ligado ao processo de urbanização, identificado nos anos 30. "Não há uma política nacional de incentivo ao homem do campo. Isso é uma das origens dos problemas urbanos porque ao se mudar, ele perde os costumes rurais e incorpora o universo urbano. Tem que trabalhar mais para poder sobreviver, porque deixa de cultivar o básico de sua alimentação."