11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Após cirurgia, Andrade passa em casa o primeiro fim de semana sem dores

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Após sete anos de sofrimento com dores constantes nas pernas, Joaquim Andrade passou o primeiro fim de semana em sua casa com a sensação de bem-estar, que ele define como indescritível. O paciente recebeu implante de um neuromodulador, que funciona de forma semelhante a um marcapasso, e corrige o funcionamento do sistema nervoso, levando à diminuição ou extinção da dor, que pautou a vida do homem desde que ficou paraplégico ao levar um tiro por engano.

Apesar da alta complexidade da cirurgia, o processo de recuperação está sendo relativamente rápido para Andrade. Os resultados do implante, porém, são o que mais chamam a atenção do paciente, que afirma ter se reencontrado com a felicidade. "Foi muito bom estar em casa com minha esposa e meu filho, sem a privação das atividades mais simples do dia a dia, que antes eu não conseguia fazer por causa da dor", conta.

Como mostrou a edição do último sábado do Jornal da Cidade, após dois anos de luta, Andrade conseguiu na Justiça o direito de receber pelo Sistema Único de Saúde (SUS) o implante, cujo apenas o aparelho, importado dos Estados Unidos, custa R$ 50 mil.

A cirurgia, inédita na cidade, foi realizada na segunda-feira passada pelos neurocirurgiões Lauro de Franco Seda Junior e Luís Fabiano Guerreiro Lopes, do Hospital de Base. Joaquim Andrade recebeu alta da internação cinco dias depois do procedimento e deve retornar ao hospital no dia 15 de fevereiro para a retirada dos pontos.

A bateria do neuromodulador tem vida útil de quatro anos. Após esse período, é preciso trocá-la através de um procedimento cirúrgico simples. Durante esse tempo, a ação do aparelho pode ser regulada por equipamento semelhante a um palm top, através do simples contato com a pele sobre o abdômen do paciente, onde foi implantado o neuromodulador.

Joaquim Andrade ficou paraplégico há sete anos, quando foi vítima de um tiro, que tinha como alvo seu próprio filho. "Foi por causa de uma briga que tinha a ver com assaltos à casa do meu filho. Meu filho entrou em casa correndo dos tiros e eu fui atingido", relata.

A vítima afirma saber quem foi o autor dos disparos, mas conta que, na época, as investigações policiais não identificaram o suspeito. "Dois anos depois do meu acidente, vieram em casa para tentar resolver o caso, mas eu não quis mais mexer nessa história", diz.