10 de julho de 2026
Regional

Motorista se diz arrependido por dirigir carro na contramão


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"Estou arrasado e arrependido". Foi com esta frase que Rodrigo Ferreira dos Santos, 36 anos, morador de Bauru, resumiu seu sentimento em relação a ocorrência do último domingo. Na ocasião, após ter consumido bebida alcoólica num churrasco em Lençóis Paulista, ele tentou retornar a Bauru, pegou a saída em direção a Botucatu, se perdeu no pedágio de Areiópolis e andou cerca de 10 quilômetros na contramão da rodovia Marechal Rondon (SP-300) até o trevo de acesso a Barra Bonita.

A ?falta de atenção?, que poderia ter se transformado em tragédia, só foi interrompida quando motoristas telefonaram para a Polícia Militar Rodoviária relatando que o condutor de um Alfa Romeu, modelo 156, de cor preta, placas CTJ-3625, de Bauru, estava dirigindo de forma perigosa.

O veículo, que era conduzido por Rodrigo, foi parado na base de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) e o estudante submetido ao teste de etilômetro (bafômetro), que constatou a presença de 0,92 litros de álcool por litro de ar expelido dos pulmões.

Conduzido ao plantão policial, ele foi autuado em flagrante pelo delegado Marcos Morés por embriaguez ao volante e liberado após pagar fiança no valor de R$ 310,00. Segundo o delegado, todas as evidências apontam que ele não teve a intenção de colocar em risco à vida dos usuários da via.

Em entrevista ontem ao Jornal da Cidade, Rodrigo, que é casado, não tem filhos e, além de estudar Administração, trabalha no setor de engenharia, assumiu seu erro e disse que está arrependido por ter colocado em risco a vida de inocentes. Também afirma que aprendeu a lição e garante que irá arcar com todas as consequências de seu ato, considerado por ele "irresponsável". A seguir a entrevista:


JC - Você chegou a perceber que estava andando na contramão?

Rodrigo Ferreira dos Santos - "Eu saí do pedágio de Areiópolis e, logo à frente, tem um monte de cones. Eu me confundi, pensei que era um desvio, até devido à ingestão da bebida. Aí eu entrei na contramão e percebi sim (que estava na direção errada). Até desviei de alguns carros. Só que eu estava esperando achar um retorno. Só que não ia ter retorno nenhum daquele lado ali, concorda? Eu perdi o senso de perigo e de noção. Se eu estivesse normal, não faria isso.


JC - Você não sentiu medo quando viu aqueles carros e caminhões vindo em sua direção?

Rodrigo - Você vai perdendo os limites. Quando eu vi que não tinha retorno, eu fui para o outro lado e entrei na pista correta. Foi quando a polícia me parou e eu fui totalmente disponível. O delegado depois me liberou porque eu colaborei de toda e qualquer forma. Fiz o teste do bafômetro sabendo que ia ser pego, e poderia não ter feito. Você sabe que a lei é falha.


JC - Qual a sua sensação agora, sabendo que poderia ter causado um grave acidente?

Rodrigo - Eu quero dizer que, infelizmente, eu sinto muito por ter feito aquilo. Eu coloquei todo mundo em risco. Aquilo lá não é o meu perfil, eu nunca tive problema com nada disso. Quando você vai para uma festa - hoje eu aprendi -, não adianta ir de carro. Porque na hora (em que se está sob o efeito do álcool) você perde a noção, acha que pode dirigir e não dá. Em nenhum momento eu tive a intenção de expor a vida de ninguém. Acabei expondo involuntariamente por causa do problema da bebida, porque eu estava em um churrasco.


JC - Você tinha bebido bastante?

Rodrigo - O suficiente para fazer aquilo ali (andar na contramão).


JC - Qual a recomendação que você dá para as pessoas que quiserem dirigir após ingerir bebida alcoólica?

Rodrigo - A dica que eu dou, que eu acho mais importante, é: se você vai para uma festa, não vá com o carro, ou vá com uma pessoa que vá dirigir e não beba. Eu fui sozinho. Na hora, você perde esse limite.


JC - Você gostaria de dizer alguma coisa para as pessoas que correram risco naquele dia?

Rodrigo - Eu quero pedir desculpas para todo mundo, para as pessoas que correram risco, e agradecer a Deus por não ter acontecido nada de mais grave. Do mais, já passou. E eu vou, agora, pagar pelos meus atos. Eu sou totalmente contra esse tipo de ato, eu abomino esse tipo de coisa, mas a gente nunca pensa que vai acontecer com a gente. Acabaram comigo, já me chamaram de bandido, criminoso, e, no final das contas, você acaba sendo mesmo. Mas estou arrasado e arrependido".