Quem nunca viu em algum filme norte-americano aquelas feiras de ciência com vários projetos mirabolantes como pequenos vulcões em erupção ou itens que voam feitos inteiramente por estudantes adolescentes dos colégios? Em breve, uma feira semelhante será realizada em Bauru. O projeto é de um grupo de professores da Universidade Paulista (Unip) e será subsidiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que passou a investir no ensino fundamental e médio justamente por enxergar a possibilidade de criar "pequenos cientistas".
Com o tamanho da nomenclatura proporcional aos efeitos positivos que visa trazer, o projeto de extensão "Feira de Ciências: um evento integrado de áreas de conhecimento e níveis de ensino e descobridor de novos talentos" está em fase inicial.
Atualmente, os professores participantes trabalham na confecção do site de divulgação e do regulamento da feira, algo que deve ficar pronto dentro de um mês. A coordenadora do projeto é a professora doutora do curso de ciências biológicas e psicologia da Unip, Sônia Silveira Ruiz, que destaca a importância da feira na busca por novos talentos e ideias.
"Abriremos a possibilidade de participação para todo o município. A ideia é que os alunos do ensino fundamental, médio e técnico tenham a chance de apresentar seus projetos. Isso vai estimular que comecem a fazer ciência. Para tanto, o CNPq vai disponibilizar três bolsas de iniciação científica júnior por um ano aos três melhores projetos", aponta a coordenadora.
Ela explica que, como o regulamento ainda está sendo elaborado, não há muitos detalhes, porém, aponta que a ideia inicial é direcionar uma bolsa do CNPq para cada nível de ensino ? médio, fundamental e técnico ?, justamente para equilibrar os vencedores e conceder oportunidades a todos.
Ainda de acordo com ela, a seleção dos projetos que participarão da feira será feita provavelmente por meio dos coordenadores pedagógicos e diretores de cada escola da cidade. "Estamos buscando uma parceria com a Diretoria de Ensino de Bauru para conseguir esse respaldo. Nossa ideia é fazer uma reunião para que os próprios gestores de cada escola divulguem e estimulem os seus alunos a participar".
Feiras itinerantes
Apesar das datas ainda não estarem fixadas, a professora Sônia Ruiz afirma que a feira ocorrerá em novembro e as inscrições estarão abertas por volta de março ou abril. Ela ainda ressalta que o projeto tem a duração inicial de dois anos. "Então, a ideia é fazer a feira principal inicialmente e depois várias feiras itinerantes nas escolas da cidade. Isso servirá para mostrar os projetos apresentados e os ganhadores".
E a divulgação pode ser mais do que municipal. A coordenadora do projeto explica que o edital prevê a chance dos projetos serem inscritos em concursos fora da cidade, o que seria enriquecedor aos "jovens projetistas". "Está previsto que pode haver uma divulgação tanto nacional quanto internacional. É algo que será excelente para esses alunos. Eles podem ter algo incrível no currículo e, além de tudo, já podem ter um direcionamento melhor sobre o que querem fazer no futuro", complementa a professora Sônia Ruiz.
"Pequenos cientistas"
Encontrar um aluno de graduação em nível superior subsidiado pelo CNPq é algo comum em faculdades e universidades. Porém, ver alunos de ensino médio e fundamental em tal situação é uma nova vertente que começa a ser explorada justamente para estimular a ciência nessa fase da vida.
A professora doutora Sônia Ruiz acha a ideia excelente por trabalhar com pessoas inseridas em um contexto etário no qual a curiosidade é até mais valiosa que o conhecimento já adquirido. "Alunos dessa faixa etária tem algo muito positivo, que é a curiosidade. Eles são mais aguçados e curiosos. E esse ponto estimula a criação de ideias que podem ser fantásticas e muito bem aproveitadas no ramo científico".
Com o estímulo e a descoberta desses pequenos cientistas, ela também aponta que haverá um benefício também ao professor, que, muitas vezes, tem seu importante papel social colocado à margem. "Há sempre aqueles professores que gostam e desempenham muito bem o seu trabalho. Eles serão valorizados agora. Passarão a ser orientadores desses projetos de ciência. É uma forma de dar mais reconhecimento ao profissional que gosta do que faz e, por isso, trabalha com qualidade", conclui.