08 de julho de 2026
Geral

No rush, Bauru tem trânsito de Capital

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Trânsito de Capital em pleno Interior de São Paulo. É exatamente esse o cenário encontrado em algumas vias urbanas de Bauru nos conhecidos horários de pico, quando pessoas entram e saem dos seus locais de trabalho. O problema ainda se agrava agora, uma vez que as aulas recomeçam e o fluxo de veículos aumenta e se concentra em alguns pontos. A reportagem percorreu ontem a extensão da Duque de Caxias e constatou o grande movimento.

Por volta das 18h, o trânsito na avenida, que já é considerável durante todo o dia, rapidamente se multiplica. As buzinadas constantes são o maior reflexo da impaciência dos motoristas. Impaciência que, muitas vezes, se transforma em imprudência. Na tentativa de ganhar alguns segundos, é comum ver um ou outro condutor ultrapassando o sinal vermelho.

Apesar de a grande maioria da frota ser composta por automóveis, as motocicletas também disputam os vagos e comprimidos espaços. Por meio dos "corredores" - lacuna entre as duas filas de veículos -, elas ultrapassam, muitas vezes, sem sequer reduzir a velocidade.

No sentido Camélias-Vila Falcão, conforme a numeração das quadras diminui, o problema vai aumentando. Exatamente sobre o viaduto da Nações Unidas, é nítido o agravamento do fluxo na intersecção dessas duas vias de grande tráfego. No acesso da Nações à Duque, os veículos se apertam e esperam por um bom tempo até a oportunidade de conseguirem ingressar naquela enorme fila. E, enquanto isso, tome buzinaço.

Outra questão são os pontos de radares. Apesar de a medida ter sido implantada com o objetivo de reduzir a velocidade e os acidentes, nos locais onde os equipamentos estão instalados, os motoristas, precavidos, tornam o trânsito ainda mais lento.

Tal rotina na avenida, que em algumas vezes demora mais de meia hora para a finalização do trajeto, já se tornou comum aos motoristas. Entretanto, comum não é sinônimo de confortável. E quem sente que o problema piorou nos últimos dias pode encontrar uma provável causa: a volta às aulas.

Segundo o comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM) de Bauru, tenente Roberto Trujillo Júnior, tanto o retorno dos alunos no ensino fundamental e médio quanto nas faculdades e universidades de Bauru refletem no trânsito.

"Em relação ao recomeço das aulas nos ensinos fundamental e médio não ocorre o aumento da frota propriamente. O que há é uma mudança de comportamento. Como os pais vão levar e buscar seus filhos, acaba ocorrendo uma concentração de veículos nos locais onde há escolas", aponta.

Já sobre universidades e faculdades ? a maioria das instituições já retomou as aulas em Bauru -, o tenente Trujillo informa que, com o início do ano letivo, há realmente uma injeção de veículos na frota da cidade. "Com o público universitário, estimamos que o número de veículos aumente de 20% a 30%. Bauru tem instituições de renome que atraem alunos até de outros Estados e, com isso, muitos chegam de carro para estudar na cidade".

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Reflexos nas ?artérias?


Assim, ambos reflexos das retomadas das aulas acabam incidindo sobre vias como a Duque de Caxias e colaboram para a formação de "trânsito de capital?. "Avenidas como essas são artérias da cidade. Elas ligam várias regiões e funcionam como pontos de acesso para as mais diversas áreas. Por isso, sentem o reflexo de qualquer mudança que ocorra no trânsito".

No ano passado, com crescimento anual médio de 4%, o JC divulgou que a frota bauruense atingiu a marca expressiva de 200 mil veículos em julho. Os principais responsáveis por esse número, divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo, foram a facilidade para a aquisição de automóveis após a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a ampliação de linhas de crédito bancárias.

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Vias alternativas


O tenente Roberto Trujillo Júnior, comandante do Pelotão de Trânsito, explica que é necessária uma mudança de comportamento do motorista bauruense para que o problema do tráfego congestionado seja amenizado. Segundo ele, é preciso que as vias alternativas passem a ser utilizadas.

"Sempre há vias laterais e perpendiculares que podem levar o motorista ao seu destino. Na Duque de Caxias, por exemplo, há várias ruas como a Capitão Gomes Duarte, a Joaquim da Silva Martha e a Saint Martin que podem ser utilizadas".

O comandante do Pelotão de Trânsito ainda explicita que as vias alternativas são uma realidade em cidades como Curitiba e até na própria São Paulo, onde existem placas indicativas de tais rotas. "É algo que a população precisa aderir. Muitas vezes, a pessoa opta pelo caminho mais curto e segue por uma via congestionada. Se ela fosse pelo outro percurso mais longo, porém, com menos tráfego, ela chegaria muito mais rápido ao destino", conclui.

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Motoristas reclamam do tráfego na Duque


Apesar de o problema do trânsito em horários de rush na avenida Duque de Caxias já ter virado uma rotina aos motoristas, eles não deixam de reclamar. "Eu preciso passar por aqui todo o dia. Chego a perder mais de 20 minutos para andar cerca de dois quilômetros. Não dá mais para continuar assim", desabafa Andrea Subtoni, 22 anos.

A mesma opinião sustenta o vendedor Adriano Bataieiro, 25 anos, que classifica o tráfego na avenida como uma "grande porcaria". "Precisa melhorar muito. Eu sou obrigado a passar na Duque diariamente e sempre encontro o mesmo problema. Perco meia hora do dia. Precisa fazer algo para melhorar urgente".

Já Marcos Vinícius Cunha, 38 anos, vai mais além. Para ele, o trânsito na via não é uma "porcaria", mas sim um "verdadeiro inferno". "Eu passo pouco por aqui. Até mesmo por já saber do problema, tento evitar. Mas sempre que venho aqui, o trânsito está um verdadeiro inferno", aponta o motorista, evidenciando que o problema é conhecido até por quem não tem a Duque de Caxias como rota fixa em seu cotidiano.

Questionados sobre os motivos de não utilizarem vias de acesso alternativas, eles apontam que até mesmo essas rotas estão congestionadas e ainda pensam que o desvio no caminho não compensaria.

De acordo com o comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM) de Bauru, tenente Roberto Trujillo Júnior, a avenida realmente é uma das áreas críticas de Bauru e, por isso, há ações sobre ela. "Além do patrulhamento presente que fazemos em vias como a Duque de Caxias em horários de pico, também atuamos na conscientização. O trânsito é comportamento. Desse modo, a mudança no comportamento é a melhor forma para melhorar o tráfego", conclui.