07 de julho de 2026
Geral

Estado defende que AME é flexível

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

"O Ambulatório Médico de Especialidades (AME) é flexível e está sempre se adequando às necessidades dos municípios". Com esta afirmação, a diretora da Divisão Regional de Saúde (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, procurou o JC para rebater, ontem, as críticas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) sobre a falta de alinhamento entre demanda e oferta de vagas para consultas e exames na unidade de atendimento.

Em matéria publicada pelo Jornal da Cidade, o titular da SMS, Fernando Monti, informou que as vagas disponibilizadas pelo Estado, que são divididas por especialidades médicas, não se ajustam às necessidades da rede básica municipal, o que gera desperdício das cotas, por um lado, e lacunas por outro. "Isso não é verdade. Tanto é que, periodicamente, estamos readequando nosso quadro de médicos para atender a demanda que é apontada pelo município", frisa.

Segundo Doroti, reuniões mensais são realizadas por um colegiado de gestão regional, formado por todos os secretários de saúde dos 18 municípios abrangidos pelo AME e representantes da DRS-6. Nestes encontros, segundo ela, os secretários são convidados a apresentar suas demandas mensais para que o AME possa ajustar sua oferta.

"Em dezembro de 2010, por exemplo, a secretaria de Bauru apontou uma demanda de 425 pacientes para consulta em otorrinolaringologia. Ofertamos 418, mas o município só agendou 217. É a secretaria quem solicita as vagas e ela mesma deixa de preencher. Não é responsabilidade do Estado", aponta. Ainda de acordo com Doroti, as vagas são disponibilizadas com o mínimo de 30 dias de antecedência ? e não uma semana - aos municípios e apenas nos últimos sete dias é que as cotas sobressalentes são liberadas aos chamados "bolsões", quando outras cidades passam a ter o direito de utilizá-las.

A diretora questionou ainda o fato de Monti não ter apresentado a lista da demanda reprimida em Bauru, que seria de 21.648 pacientes somente para consultas. "Eu peço que ele me entregue esta lista porque eu, no meu cargo, tenho que resolver esta demanda, se ela realmente existir. Estou aqui para isso", aponta.

Segundo Doroti, a solicitação dos nomes dos pacientes sem atendimento já foi solicitada, inclusive, junto ao Ministério Público (MP). "Antes, eu fiz este pedido diretamente ao secretário. Já faz dois anos que estou à frente da DRS e não entendo o motivo desta recusa, se resolver o problema é interesse do município. Gostaria de uma explicação para isso", argumenta, relatando que a falta de informatização da rede municipal de saúde impede que o AME funcione da maneira como foi idealizado.

"A ideia era que o paciente, diante do computador da unidade básica, pudesse agendar o melhor horário, de acordo com a sua disponibilidade. Mas não é isso que acontece", aponta. Ainda de acordo com Doroti, a paciente citada na reportagem está sendo atendida há um mês e uma semana, e não há três meses, como a mãe da doente deixou entender.

A manifestação da diretora ocorreu um dia após o Jornal da Cidade publicar a matéria "AME reduz fila, mas 29 mil ainda esperam as consultas e exames", em que Monti criticou a postura do Estado em não atender as reais necessidades de Bauru. Na ocasião, a reportagem procurou a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde para que um representante da pasta na cidade se manifestasse sobre o assunto, mas o órgão optou por emitir apenas uma nota.