08 de julho de 2026
Geral

Com duas viaturas, Samu tem de priorizar

Tisa Moraes e Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

Idealizado para desafogar o serviço de socorro de urgência dos municípios, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) enfrenta dificuldades estruturais para conseguir cumprir seu papel em Bauru. Atualmente, as equipes de atendimento contam com apenas duas viaturas em funcionamento, de um total de 13 que foram destinadas à cidade.

Destas, três estão quebradas, três estão emprestadas para Araçatuba e outras cinco, adquiridas recentemente, aguardam o registro de documentação e do seguro para começar a rodar. Por conta das condições deficitárias, o serviço se viu obrigado a priorizar o deslocamento de suas unidades móveis para casos considerados de maior gravidade.

Na última quarta-feira à noite, informações extraoficiais davam conta de que havia apenas uma viatura em atendimento. Mas o coordenador do Samu, Carlos Eduardo Sacomandi, destaca que a situação deve ser amenizada até o final desta semana, quando os documentos das cinco novas ambulâncias deverão ficar prontos.

Ele explica que o Samu, no Estado de São Paulo, funciona como um órgão bipartite e conta com repasse de recursos federais e municipais. Além de um valor fixo mensal, a União é responsável por doar e repor as ambulâncias. O município, por sua vez, arca com um repasse fixo de igual valor e também com os custos extras advindos, por exemplo, da manutenção das viaturas e material suplementar.

Atualmente, o serviço conta com cinco ambulâncias compradas no final de 2004, ano em que começou a operar em Bauru. Outras três foram adquiridas posteriormente, mas também já apresentam problemas e precisam de manutenção com relativa frequência para poder continuar transitando nas ruas, segundo aponta Sacomandi.

"O desgaste desses veículos é muito superior a qualquer outro. Eles rodam 24 horas por dia, em velocidade alta, sem desviar de buracos. São muito exigidos e, por este motivo, sua vida útil fica bastante reduzida", considera.

Na medida do possível, as equipes tentam reduzir o impacto desta insuficiência de viaturas por meio do atendimento telefônico prestado pela Central de Regulação que fica na avenida Luiz Edmundo Carrijo Coube, próximo à Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os técnicos auxiliares de regulação médica, os chamados Tarms, com a supervisão de um médico regulador, tentam resolver parte dos problemas por telefone e triar os casos que realmente precisam do deslocamento da viatura.


Vida e morte


Quando uma ambulância é enviada para uma ocorrência desnecessária, o tempo que se perde pode fazer a diferença entre a vida e a morte de outra pessoa que esteja precisando de socorro em outro ponto da cidade. "Além disso, esses chamados fazem a viatura, já com problemas, rodar e sofrer desgaste por uma demanda que poderia ser resolvida de outra maneira", completa o coordenador.

Neste sentido, a falta de compreensão da população também colabora para agravar o problema. Segundo Sacomandi, a cada dia, cerca de 10 chamados dando conta de pessoas caídas nas calçadas são registrados pelo Samu. Geralmente, estão embriagadas e apenas dormindo em via pública.

"A gente pede para que o solicitante verifique se a suposta vítima está respirando com dificuldade, se está ferida ou inconsciente. Normalmente, não há nenhum problema e não adianta mandar a viatura. É comum, inclusive, o paciente rejeitar o atendimento", observa.

O coordenador reconhece que quem chama o Samu para um atendimento como este e não é atendido acaba avaliando o serviço como algo desumano. No entanto, diante das circunstâncias, ele pede a colaboração da população para que o serviço possa focar seus esforços no que realmente é essencial à vida.

"Podemos estar deixando de socorrer um infartado ou uma criança atropelada porque a viatura está nesta ocorrência. A gente sabe que as pessoas se incomodam quando tem alguém dormindo na calçada da sua calçada, mas é preciso bom senso", frisa.

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Novas ambulâncias


Até o final da próxima semana, a dificuldade de prestar atendimento enfrentada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deverá ser amenizada. Este é o prazo estimado pelo coordenador do órgão, médico Carlos Eduardo Sacomandi, para que a documentação de cinco novas viaturas destinadas a Bauru fique pronta.

Quando elas começarem a operar, três ambulâncias com mais anos de uso serão devolvidas ao Ministério da Saúde e a cidade permanecerá com um total de 10 veículos do serviço. "Vamos deixar as duas mais antigas (com seis anos de uso) como reserva técnica em caso de quebra e permaneceremos com oito para atendimento", adianta.

Atualmente, o Samu mantém suas ambulâncias junto à Central de Regulação, às bases do Corpo de Bombeiros da Vila Falcão e do Distrito Industrial e no viaduto da Duque de Caxias com a avenida Nações Unidas. Em Bauru, há um acordo junto ao Corpo de Bombeiros para que o serviço fique responsável pelo atendimento de casos clínicos, mas também pode socorrer pacientes com trauma, como acidentados, se necessário for.

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Sem queixas no MP


Ainda que a população possa reclamar sobre a falta de socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em casos considerados de menor gravidade, o órgão não possui nenhuma reclamação junto ao Ministério Público (MP) Estadual. Em quatro anos de atuação na área de saúde, o promotor Fernando Masseli Helene aponta que o serviço nunca foi alvo de investigação por conta de eventuais deficiências de atendimento.

Em relação à insuficiência de viaturas que estaria colocando em risco o socorro dos pacientes bauruenses, Helene destaca que o governo federal ? responsável pela doação das ambulâncias ? é que teria de ser responsabilizado. "Mas quem teria de fazer esta contestação é o Ministério Público Federal. Ainda que o problema gere impacto no município, cujas demandas devem ser atendidas pelo MP Estadual, a causa é que tem de ser atacada", aponta.

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Usuários do PSC reclamam
de demora no atendimento


Mais uma vez a demora para atendimento e obtenção de resultado de exames no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru gerou reclamações entre os usuários. Ontem pela manhã, Gilberto da Silva levou ao PS sua mãe, Maria Neusa, 61 anos, com suspeita de AVC e até as 19h ela aguardava, numa maca, um diagnóstico definitivo.

"Ela foi atendida depois de mais de uma hora de espera. A médica pediu uma tomografia e ela está no corredor aguardando o médico observar o exame e medicar. Eu temo pela vida dela porque, se confirmar o AVC, ela corre risco de morte", disse no final da tarde.

A pressa dele pelo resultado do exame se deve ao fato de, confirmando o AVC, a necessidade de solicitar vaga em hospital para internar sua mãe. Como a liberação de vaga costuma demorar, quanto antes solicitar, melhor é. Ele reclamou, ainda, que o Samu não fez o transporte de sua mãe da Vila Garcia até o PSC. "Eles falaram que iam buscar e não apareceram. O PS está cheio e informaram que só tem um médico para atender. Ela está na maca", disse.

José Pinheiro de Carvalho, 70 anos, também reclamou da demora. "Eu estou com a diabetes alta. Ontem (sábado) vim aqui e fui atendido. O médico pediu um exame. Vim buscar o exame e ser medicado. Cheguei às 9h e são 14h e eu ainda não fui atendido. Eu não culpo os médicos, mas a administração, o prefeito. Eles têm que ter uma iniciativa porque a gente paga imposto e quando precisa não tem atendimento. Tem gente desmaiando aqui fora. É uma vergonha."

Nilson Tobias procurou o atendimento médico para sua mulher. Chegou por volta das 10h30 e ela só foi atendida por volta das 13h. "Ela está com um caroço no braço e com muita dor. É uma falta de respeito com a gente. Ninguém toma providência. O problema se repete sempre."

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde, Luiz Antonio Bertozzo Sabbag, desconhecia que ontem médicos faltassem no PSC. "Ninguém me avisou nada sobre alterações na escala de trabalho dos médicos. Quatro estavam escalados para o período da manhã. À tarde havia quatro clínicos e um ortopedista", disse.

Para ele, o número de profissionais era suficiente para atender a demanda. "Normalmente no domingo não há tantas consultas como nas segundas-feiras. Desconheço que algum dos profissionais escalados tenha tirado licença. Estou estranhando a reclamação."