Aproximadamente 100 crianças com deficiência estão sem aulas na escola de educação especial do Lar Escola Rafael Maurício, tradicional entidade de Bauru. As atividades estão suspensas por conta da falta de pagamento dos professores. Além disso, Rincan Katsuhilo Nagao renunciou à presidência da entidade no último sábado, em reunião da diretoria do Lar Escola, e não assinou a renovação do convênio com a Secretaria de Estado da Educação para o repasse de verbas à escola, mantida pela instituição.
Segundo Rincan, sua renúncia se deu por conta de divergências com os demais membros da diretoria da entidade, que não estariam acatando às sugestões administrativas da comissão de reestruturação do Rafael Maurício, liderada por Carlos Roberto Pittoli. "Um dos problemas está relacionado à escola. Esse serviço deve ser suspenso porque dá prejuízos à entidade", afirma o ex-presidente.
O governo do Estado prevê repasse de mais de R$ 258 mil para a escola da entidade em 2011. De acordo com o Rincan, para pagar salários de funcionários, comprar material e manter as atividades do projeto, é necessário o dobro de dinheiro. Até o próximo dia 26, quando haverá eleição para escolha da nova diretoria, a entidade será presidida pelo então vice-presidente Edmo Luiz de Almeida Lima.
Ele afirma que, ao longo dessa semana, vai se reunir com a Secretaria de Educação com o objetivo de discutir o convênio para a continuidade das atividades da escola. Enquanto isso, as aulas estão suspensas. Os atendimentos no abrigo da entidade, porém, estão mantidos e o salário dos funcionário desse projeto, que correspondem à metade do total, foram pagos semana passada a partir de repasses da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social (Drads).
O ex-presidente afirma que os outros funcionários devem receber ao longo dessa semana com verba de repasse da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). A responsável pela pasta, Darlene Tendolo, explica que o município possui convênio para alguns projetos do Lar Escola Rafael Maurício. No entanto, ela aguarda posicionamento da diretoria em relação à manutenção desses projetos.
O presidente em exercício, Edmo Lima, diz que os atendimentos aos internos não foram afetados e a entidade possui bom estoque de alimentos. Produtos de limpeza e de higiene, porém, já estão em falta. Todos os bens do Lar Escola Rafael Maurício estão bloqueados pela Justiça do Trabalho a pedido do sindicato dos funcionários que estão com salários atrasados.
Empréstimo barrado
O ex-presidente do Lar Escola Rafael Maurício afirma que a principal divergência entre ele e os demais membros da diretoria está ligada à não aprovação de um empréstimo proposto por ele e pela Comissão Especial de Reestruturação. "Seria no valor de R$ 130 mil, o que sanaria todas as nossas dívidas trabalhistas. Pegaríamos de uma outra entidade e pagaríamos em dez vezes, sem juros nem correção", relata Rincan Katsuhilo Nagao.
Sem empréstimo, diz, os bens da entidades foram bloqueados. "O empréstimo foi uma solução apontada, inclusive, pelo Juizado da Infância", frisou.