11 de julho de 2026
Política

Inventário adia decisão do Estado sobre serviços realizados pela AHB

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Em reunião realizada ontem com a Secretaria de Estado da Saúde, o promotor público das Fundações, José Carlos Carneiro de Oliveira, afirma que o governo vai realizar levantamento na Associação Hospitalar de Bauru (AHB0 ? entidade que administra o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel. Só depois da conclusão do inventário é que o Estado vai decidir se irá assumir parte do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) ou se irá transferir o gerenciamento para uma Organização de Saúde (OS).

Apesar da falta de definição, Carneiro avaliou como positiva a reunião com o secretário adjunto José Manoel de Camargo Teixeira. "A partir da reunião o Estado teve noção da gravidade e extensão do problema", pontua. "Assim, eles afirmaram que será realizado um inventário para definir o que é do Estado, o que é da União, o que é da AHB e o que é pertencente a outras entidades privadas. Com esse levantamento pronto, vai ser buscada uma solução administrativa", conta o promotor.

Ele repetiu que o Estado solicitou a participação do município na discussão de uma saída para o problema. "O Departamento Regional de Saúde (DRS-6) vai marcar uma reunião com o prefeito Rodrigo Agostinho e o secretário municipal Fernando Monti para isso", adianta.

Outra expectativa é que a listagem do inventário possa fazer parte de um acordo entre o Estado e a promotoria em uma ação civil pública impetrada por Carneiro que pede ao governo do Estado um aporte mensal de R$ 3 milhões para a entidade. Ele observa que ao longo dos anos a entidade adquiriu equipamentos e construiu anexos com verbas que vinham do Estado ou da União. "Houve uma falta de controle. Tanto a AHB quanto o governo foram omissos", pontua.

Ele conta que durante a reunião o Ministério Público deixou clara sua preocupação com a manutenção do atendimento à população e também sobre o futuro dos 1.200 funcionários da entidade. "É preciso assegurar os direitos trabalhistas desses trabalhadores", ressalta. De acordo com Carneiro, o presidente do conselho técnico de intervenção da AHB, Aparecido Donizeti Agostinho, vai agendar reunião com o Estado para verificar a possibilidade de mais aportes financeiros.

No início de fevereiro o governo enviou R$ 3 milhões para a AHB. Esse aporte estava combinado desde o final do ano passado. Porém, não há mais previsão de novos depósitos. Para Carneiro, sem a ajuda estadual de forma sistemática a situação financeira da entidade continuará complicada. "Até que se defina a situação, o Estado deverá fazer novos aportes e isso será discutido", afirma.


Processo


Uma nova investigação questionando o salário pago ao ex-interventor da AHB, Fábio Tadeo Teixeira, foi aberta na Polícia Civil. O caso foi levado à Polícia Federal. De acordo com o delegado chefe da Polícia Federal em Bauru, Carlos Alberto Fazzio Costa, um advogado acionou a polícia questionando o fato de Teixeira receber cerca de R$ 25 mil ao mês para atuar na associação.

Segundo o delegado, a denúncia era que Teixeira não poderia receber do Estado esse salário por já ser funcionário estadual. Porém, em entrevistas anteriores ao Jornal da Cidade, Teixeira já tinha afirmado não ter vínculo algum com o Estado no período. Fazzio explica que como não há relação com a Operação Odontoma, que investiga uma série de denúncias envolvendo a antiga diretora da AHB, o caso já foi direcionado para a Justiça Estadual.