A Central Única dos Trabalhadores (CUT), Federação da União das Associações de Moradores de Bauru e Região Centro Oeste (Fuam) e Federação da Associações Assistenciais e Entidades das Organizações Sociais do Estado de São Paulo ingressaram com representação no Ministério Público Estadual (MP) ontem pedindo apuração de denúncias relacionadas à Secretaria Municipal das Administrações Regionais, comandada por Ricardo Oliveira.
De acordo com Paulo Amaral, representante da federação das associações, as entidades protocolaram a representação depois que alguns antigos ocupantes de cargos em comissão na Sear, que foram exonerados, registraram Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, ontem de manhã, alegando terem sofrido pressões por parte de Oliveira nas eleições de outubro passado.
Giselle Moretti trabalhou na Sear desde janeiro de 2009 até o último dia 8. De acordo com o que ela alegou no boletim, desde outubro de 2009 o secretário teria exercido pressão para que ela trabalhasse a seu favor em campanha política a deputado. Em razão de ocupar cargo de assessoria na prefeitura, ela diz sentir seu emprego ameaçado por recusar o pedido.
A mesma alegação é de Vera Lúcia Pascoalino, que trabalhou como administradora na pasta desde maio de 2010. Exonerada também no último dia 8, ela afirma no boletim que foi pressionada a fazer campanha política para o petebista e, como se negou, foi avisada que seria retirada do cargo após as eleições, algo que, de acordo com Pascoalino, realmente ocorreu e foi realizado sem aviso prévio.
Benedito Domingos, que trabalhou como assessor comunitário de novembro de 2009 até o último dia 9, também afirmou no BO que foi forçado a fazer campanha política para o secretário nas últimas eleições. Além dessa denúncia, Domingos também alega ser testemunha do dia em que Oliveira supostamente teria oferecido um cargo na prefeitura para Valdomiro Fonseca. Este último também compareceu ao Plantão Policial para registrar o ocorrido.
Fonseca diz ter sido cabo eleitoral de Ricardo Oliveira desde 2006 e, quando foi cobrar os serviços em 2009, recebeu do secretário uma oferta de cargo na prefeitura. Mas a condição para esse cargo seria ele devolver parte dos vencimentos de seu serviços. De acordo com o que declarou no BO, Valdomiro Fonseca não teria aceitado tal proposta, porém, mesmo assim obteve a nomeação. As denúncias dos quatro ex-funcionários foram feitas no Plantão Policial de Bauru. O caso foi registrado como ocorrência não-criminal.
Segundo Amaral, com base nessas afirmações e uma série de documentações levantadas, as três entidades procuraram o Ministério Público. "Assim que eles tomaram a iniciativa de tornar isso público, trouxemos as informações para a Câmara Municipal e Promotoria", conta. "As entidades apresentaram as informações e pedimos a apuração dos fatos", diz. Procurado pelo Jornal da Cidade, Oliveira disse que não iria se manifestar até tomar conhecimento das denúncias. Mas afirma que está com a consciência tranquila e à disposição do Ministério Público para esclarecimentos.