Um foragido da Penitenciária 2, onde cumpria pena por roubo, foi preso ontem pela manhã pela Polícia Civil em Bauru acusado de ser um dos dois ladrões que roubaram a fazenda Água do Monjolo, no bairro Barra Grande, zona rural de Bauru, há nove dias. Na ocasião, dois bandidos agrediram e levaram cerca de R$ 30 mil em reais, dólares, ouro e outros pertences dos donos da fazenda. Edson Daniel da Costa, 24 anos, foi preso na casa dele, no Jardim Olímpico, com dois revólveres sob o travesseiro.
Munidos de mandado de busca e apreensão, policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) cercaram a casa de Costa ontem pela manhã, não dando a ele tempo de reagir, apesar de estar com revólveres calibre 38 à mão e vasta munição. Na casa, além de produtos roubados da fazenda, das armas e munição, os policiais apreenderam drogas e um colete à prova de bala.
Costa era foragido da P2 desde outubro do ano passado, quando foi privilegiado com o benefício da saída temporária do Dia das Crianças. Segundo o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da DIG, logo após o roubo, a Polícia Civil levantou os nomes dos suspeitos após ouvir testemunhas e apurar informações que surgiram. Na última segunda-feira, os policiais civis da DIG chegaram até Costa. O fato dele possuir familiares em Tibiriçá, que fica perto da fazenda, reforçou a suspeita de que tivesse participado do roubo.
"Ontem (anteontem), conseguimos levantar o endereço dele e, então, pedi um mandado de busca e apreensão que fomos dar cumprimento no início da manhã de hoje (ontem)", relatou o delegado. Na casa de Costa, localizada no Jardim Olímpico, a Polícia Civil encontrou grande parte dos objetos furtados, como dois televisores, violões, viola, mantimentos, eletrodomésticos, joias, 26 dólares. Todos os objetos apreendidos foram reconhecidos e recuperados pelas vítimas do assalto.
Na casa também foram apreendidas quatro porções de cocaína que somaram 25 gramas e 29 pedras de crack, que juntas pesaram 6 gramas, 40 projéteis calibre 22 intactos, cerca de 15 projéteis calibre 38, uma espingarda, uma máscara negra, uma faca, nove aparelhos celulares e uma pequena balança digital.
Ao delegado, Costa disse que as vítimas foram escolhidas porque ostentavam ter posse, apesar de viverem de forma simples. Já conhecendo a fazenda em função de familiares morarem nas proximidades, teria, então, decidido praticar o roubo.
Os donos da fazenda, o casal Dirceu Coracini e Aparecida Gimenes, chegavam em casa à noite quando foram surpreendidos pelos ladrões. Ambos foram agredidos e trancados no banheiro com as mãos amarradas. O irmão de Dirceu, Joaquim Coracini, que estava dormindo no interior da casa, foi acordado com agressões e também trancado no banheiro.
Enquanto isso, os ladrões faziam a "limpa" na residência levando o que podiam: dólares, reais, ouro, eletroeletrônicos e alimentos. Fugiram no Fiat Uno da família, que estava na garagem. Ontem, na casa de Costa, os policiais localizaram uma motocicleta que teria sido usada para chegar à fazenda e um carro.
Na casa de Costa, os policiais também localizaram um colete à prova de balas furtado de uma empresa de segurança da região. Inclusive, na residência havia fotos em que ele posava com armas nas mãos e usando colete à prova de balas.
Costa foi preso e autuado em flagrante por porte de armas, tráfico de drogas e receptação - por conta do colete à prova de balas pertencer a uma empresa de segurança da região. Além do flagrante, ele é acusado pelo roubo à fazenda.
Ele foi preso, levado à DIG e em seguida encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru onde aguardará por decisão judicial.
Segundo ladrão
A Polícia Civil já tem pistas do segundo homem que participou do assalto à fazenda Água do Monjolo juntamente com Edson Daniel da Costa. O delegado Cledson do Nascimento suspeita que ele seja morador de Campinas e tenha levado consigo alguns dos objetos roubados.
"Provavelmente, esse rapaz que o ajudou deve ter cumprido pena com ele (Costa) ou também seja recentemente evadido das penitenciárias daqui. Nós já temos um nome, mas será mantido em sigilo para não atrapalhar as investigações", explicou.