Mais 35 casos de dengue foram confirmados ontem, e Bauru agora soma 116 casos da doença neste ano. Na média, a cada dia 2,4 pessoas contraem a moléstia na cidade. Nestes primeiros 48 dias de 2011, o total de casos já se aproxima de 20% do total do ano passado, que somou 648. É a maior incidência de dengue desde 2007, quando Bauru enfrentou a pior epidemia dos últimos anos, num total de 2.206 doentes.
O pior é que as condições para procriação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, continuam ideais. Ele precisa de água parada para pôr suas larvas e calor para elas nascerem. Como a época é de chuva e o verão só termina em um mês, qualquer vasilhame que retenha água pode tornar-se criadouro do Aedes.
E eles são muitos. De uma tampinha de refrigerante a uma laje de prédio sem o devido escoamento da água da chuva. A empresária Damair Pereira de Almeida, que teve dengue no ano passado e diz que, desde então, não tem a mesma saúde (leia mais no texto abaixo), aponta que há muito criadouro na cidade, inclusive em áreas públicas.
"Em terrenos da prefeitura é comum a gente ver água acumulada. A população não colabora porque mantém vaso com água e impede a entrada dos fiscais e da prefeitura, porque não cuida da área dela", afirma.
Outro detalhe que tende a piorar o quadro é que a maciça maioria dos casos de dengue - 114 dos 116 - é autóctone, ou seja, as pessoas contraíram a doença em Bauru. Porém há um aspecto positivo: o sorotipo circulante na cidade é do tipo 3, o mesmo há vários anos. Isso reduz o risco de dengue hemorrágica, o tipo mais grave da doença, que pode levar à morte.
Ela geralmente ocorre quando a pessoa que já teve dengue contrai a doença de um sorotipo diferente. O infectologista Carlos Magno Fortalezza, médico do Hospital Estadual de Bauru e Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu, lembra que há relatos de dengue sorotipo 4 no Norte do Brasil, mas por enquanto não na região Sudeste.
Saúde continua com a nebulização
As equipes de agentes de controle de endemias da Secretaria Municipal de Saúde continuam concentradas no trabalho de bloqueio nas regiões onde foram registrados os casos da doença. O trabalho de bloqueio consiste em visitas domiciliares para vistorias referentes a possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, nebulização e orientações.
Ontem a nebulização estava concentrada na região do Parque Santa Edwirges e Jardim Eldorado, em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) da Secretaria de Estado da Saúde.
A Secretaria Municipal de Saúde alerta à população que desde fevereiro de 2010 vem mantendo a determinação de que, ao serem constatadas ocorrências em que a entrada dos agentes de endemias nos imóveis for dificultada pelos responsáveis, o proprietário será notificado e terá prazo de 15 dias para interpor recurso junto à prefeitura.
Não havendo manifestação por parte do responsável pelo imóvel dentro deste prazo, se na próxima visita ocorrer o mesmo problema referente à recusa para o acesso no interior do imóvel ou forem constatadas irregularidades quanto à manutenção da limpeza do mesmo, envolvendo criadouro do mosquito transmissor da dengue, o proprietário será multado em valores que variam de R$ 250,00 a R$ 2.500,00, dependendo da gravidade do caso.
Outro alerta ao apresentarem sintomas da doença é procurar uma Unidade Básica de Saúde para realização dos exames e tratamento, se necessários, e possível notificação.
"Ainda sofro com sintomas"
Para quem acha que dengue é uma doença sem gravidade, como uma gripe, a empresária Damair Pereira de Almeida, conhecida em Bauru por atuar na proteção de animais, faz um alerta. "Dengue é doença séria. Eu tive dengue no ano passado e até hoje ainda sofro com os sintomas. Depois da doença, nunca fui a mesma. Sinto uma canseira, uma indisposição que não sentia antes", relata.
Detalhe: além dela, o marido e a filha também tiveram dengue ao mesmo tempo. "Eu e minha filha passamos muito mal com dor na barriga, dor de cabeça, vômito e diarreia. Precisamos ser internadas. Havia momentos que achávamos que íamos morrer porque é uma dor horrível."
Ela, que afirma que antes da dengue dificilmente ficava doente, agora frequentemente tem tido problemas com fígado e estômago. "Até a visão não é mais a mesma. Já fui parar no hospital várias vezes depois que tive dengue. Qualquer coisa que como, faz mal", completa Damair.
A explicação que ela tem recebido dos médicos é que sua imunidade caiu após a doença. Já o infectologista Carlos Magno Fortalezza afirma que não há relatos na literatura médica de dengue crônica, que seria o que Damair relata.
Ela confirma que a dengue baixa a resistência imunológica do organismo, o que o deixa mais suscetível a doenças, porém é uma situação temporária. O que pode ocorrer, ressalta, é a pessoa ficar mais propensa a algumas doenças.