Presidente Alves ? Agora é definitivo. Conforme já adiantado pelo Jornal da Cidade na semana passada, a Destilaria Guaricanga, localizada em Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru), não pertencente mais à família do ex-deputado federal João Hermann. A usina foi vendida ao Grupo Negrelli, de São Paulo, que atua no setor de transporte de cargas e de postos de combustíveis. O novo comprador informou que irá reformar a empresa, contratar cerca de 800 funcionários, honrar os acordos firmados e produzir algo em torno de 55 milhões de litros de álcool ainda nesta safra.
A destilaria está em processo de recuperação judicial desde agosto do ano passado. Durante vários meses, ela enfrentou greves por atrasos no pagamento de funcionários, chegou a emitir cheques sem fundo e deixou de pagar verbas rescisórias e de recolher Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos empregados demitidos. Atualmente, a usina acumula dívida calculada em 65 milhões.
Apesar das dificuldades, ela vinha sendo ?disputada? por três grupos - um estrangeiro, um do Mato Grosso do Sul e o de São Paulo.
O advogado Euclides Ribeiro da Silva Junior, da ERS Consultoria, responsável pela reestruturação da usina, revela que, ao fechar o negócio, o Grupo Negrelli, representado pelos irmãos e sócios Osvaldo e Emerson Negrelli, se comprometeu a investir o dinheiro necessário para reformar a Guaricanga e dar início à produção de álcool. Segundo ele, o plano de recuperação judicial da empresa, aprovado em dezembro durante Assembleia Geral de Credores e homologado pelo Juízo de Pirajuí, será integralmente honrado.
"A troca de controle acionário é uma das formas previstas na legislação da recuperação de empresas e tem como um dos benefícios a revitalização do relacionamento da empresa com o mercado", explica o advogado. Ele ressalta que o processo de reestruturação da destilaria vem sendo positivo sobretudo em razão da experiência da empresa de consultoria junto ao setor sucroalcooleiro e da credibilidade da administradora judicial nomeada desde o início do processo.
Apesar dos bons resultados, Silva Junior alerta que ainda é um pouco cedo para a região comemorar o fechamento no negócio com o grupo da capital. Pelo fato da usina estar em processo de recuperação judicial, existem cláusulas contratuais que podem impedir a compra. "Por essa razão, todo investimento, a princípio, será feito na modalidade empréstimo extraconcursal", diz.
"Dessa maneira, havendo dívidas não previstas (dívidas não declaradas no plano ou subestimadas), os valores investidos retornam aos investidores e a usina pode até voltar para as mãos dos antigos donos, ou falir. Daí, não podemos garantir que a usina volte a funcionar, já que não haverá recursos para investimentos. Mas, como tudo foi previamente negociado na Assembléia de Credores, que aprovaram com 100% dos votos o plano, cremos que tudo dará certo".
De acordo com o advogado, os pagamentos iniciais aos trabalhadores que ainda não receberam seus salários e verbas rescisórias serão efetuados após a venda da Fazenda São Sebastião. A juíza de Pirajuí já autorizou a negociação, que deve ocorrer em 30 dias.
A destilaria
A Destilaria Guaricanga tem capacidade instalada para moer até 1,3 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. Porém, nesta primeira safra, ela deverá moer apenas 650 mil toneladas, até que os novos sócios reconquistem a confiança dos produtores da região.
De acordo com Stefano Parini, novo gerente agrícola da empresa, a usina irá plantar cana própria já a partir deste ano, fomentando fornecedores locais até atingir a capacidade máxima de moagem na safra 2013. A produção de álcool deve começar em 1 de junho.
Quando estiver em pleno funcionamento, a expectativa é de que ela empregue cerca de 800 trabalhadores das cidades de Bauru, Presidente Alves, Pirajuí e distrito de Guaricanga.
A revisão da unidade industrial irá começar no dia 1 de março, com a contratação de aproximadamente 200 profissionais, entre caldeireiros, soldadores, mecânicos e destiladores, entre outros.
Na parte administrativa, serão contratados gestores e equipes das áreas ambiental, de recursos humanos, de segurança e medicina do trabalho e de bem estar social. Já no setor agrícola, serão contratados cerca de 300 empregados para o cultivo das lavouras.