08 de julho de 2026
Bairros

Área do Parque Real receberá praça

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Na manhã de ontem, euforia e emoção moviam os moradores do Parque Real, em Bauru. Era dia da tão sonhada entrega das chaves das 34 casas para onde eles estão se mudando, no Parque Santa Cândida, por meio do Programa de Reassentamento da prefeitura.

Para evitar que essa área de risco seja novamente habitada, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) irá transformar parte da área - de cerca de 5 mil metros quadrados - em uma praça bastante arborizada.

Na manhã de ontem, mesmo com a ajuda dos caminhões das secretarias municipais, os moradores não exitaram em auxiliar na mudança com carriolas, caminhonetes e até carroças. Para eles, agora é tempo de realmente se sentirem cidadãos. Ansiosos, eles esperavam sorridentes o momento de concretizar o sonho de ter um local digno para morar.

Participaram da solenidade que marcou o Programa de Reassentamento vários secretários municipais, dois representantes da Caixa Econômica Federal, o prefeito Rodrigo Agostinho e a vice-prefeita Estela Almagro.

"Hoje é um dia para estarmos animados. Não é todo dia que a gente ganha uma casa própria", disse o prefeito Rodrigo Agostinho com um largo sorriso no rosto em seu discurso antes da entrega das chaves.

A primeira a receber as chaves da nova residência das mãos de Rodrigo foi Angélica Fuentes, que representou sua mãe, Roseli de Fátima Fuentes. "Há 17 anos nós moramos aqui no Parque Real. Somos em cinco irmãos. Eu não imaginava que o prefeito fosse cumprir a promessa que nos fez em período de campanha eleitoral. Mas ele cumpriu e nós estamos muito felizes."

Cada nome chamado era sinônimo de euforia para os moradores. Ao pegar as chaves, eles recebiam também um kit de utilidades domésticas com itens como lixo, baldes e porta-produtos de limpeza, doados pela Plasútil, e outro com produtos de limpeza oferecido pela Caixa e Supermercados Confiança. "Nós conseguimos muitas doações para esse pessoal", destacou o prefeito.

União

Ângela Maria Teodoro, amiga de Francelina Gomes Alves, 58 anos, ajudava na mudança carregando o forno de micro-ondas da colega em uma carriola. "Ela é minha amiga, parente, meu sangue. É tudo. Eu estou muito feliz porque minha vida já mudou. Aqui eu também fui feliz, mas hoje eu tenho minha casa própria", disse Francelina, segunda a receber as chaves.

Assim que a entrega terminou e os moradores começaram a sair com o que restou dos móveis e eletrodomésticos, o maquinário da Secretaria de Obras iniciou a demolição dos barracos. Alguns eram sustentados por paredes de concreto, outros fechados por placas de ferro.

"Olhando daqui é possível ver onde foram construídas as casas. Nós procuramos escolher um local próximo porque muitos ainda possuem parentes e laços de amizade em bairros das adjacências. Os próximos remanejamentos de áreas de risco serão de 38 famílias do bairro São João do Ipiranga e outras do Jardim Ivone", destacou o prefeito.

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Cidadania

Depois de 23 anos morando em uma casa simples construída entre árvores nativas do Parque Real, à beira da erosão, Edinéia Aparecida de Oliveira, 40 anos, finalmente conseguiu a tão sonhada casa própria.

A vida toda ela trabalhou coletando materiais recicláveis para "dar uma vida digna" às duas filhas. Há dois anos percebeu que sua vida poderia mudar com o Programa de Reassentamento da prefeitura. "Quando chove, aqui fica complicado. A água vai invadindo tudo. A ligação de água e luz é clandestina", contou.

Quando chegou ao Parque Real só havia dois moradores. Com apenas 17 anos, lá ela consolidou sua vida. Plantou suas árvores frutíferas, que lhe retribuem o carinho e atenção com castanheiras, goiaba, manga, uva, acerola e jaca.

"Tem árvore aqui que tem 18 anos. A mudança é difícil porque fui feliz aqui. Mas agora é bola ?pra? frente. Responsabilidade de pagar as contas de água, luz, imposto. Nada como ter a nossa casa própria", disse, com brilho nos olhos.

Edinéia foi quem desenhou a logomarca do projeto. A imagem mostra degraus, uma casa feita com o numeral 10 e um rosto sorrindo. A frase "Minha vida vai mudar" demonstra o que a moradora sentia no momento da criação.

"Eu fiz o desenho junto com a minha filha. Os degraus mostram o quanto nós batalhamos para chegar até aqui. A casa é o sonho realizado. Desenhei o que sentíamos no momento. Fiquei muito feliz do meu desenho ter sido escolhido."

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Trabalho social

O bom trabalho social realizado pela Fundação Toledo (Fundato) junto às famílias moradoras do Parque Real ficou evidente ontem. Por onde a assistente social Rosângela Nonato Rodrigues passava era cumprimentada com sorrisos, abraços e gestos de carinho. "Hoje (ontem) eles vão ganhar almoço e um lanche da tarde", contou.

Ao entrar em suas casas, as famílias recebem a visita de uma arquiteta da Fundato que fará um trabalho de design de interiores nas residências. "Essa arquiteta vai visitar as casas, verificar como os móveis foram dispostos e dará sugestões de como aproveitar melhor aquele espaço", complementou.

Antes de desmontar os barracos, a mesma arquiteta visitou os locais e sugeriu os móveis que poderiam ser reaproveitados, além de madeira e outros materiais que posteriormente virariam cadeiras, cercas vivas, entre outros.

A Fundato continuará trabalhando com as famílias remanejadas para o Parque Santa Cândida oferecendo cursos de capacitação profissional em várias áreas.