Quem é o proprietário do imóvel utilizado pelos bandidos para a escavação do túnel que levava à Protege? Com a descoberta da casa utilizada para a obra, tal pergunta passou a figurar tanto na cabeça da população quanto nas investigações policiais. Porém, nem mesmo os moradores vizinhos do imóvel podem auxiliar nessa questão.
Segundo eles, a casa não era alugada. Foi comprada pelo grupo criminoso, cuja maior característica era a discrição. Em relação a quem e quantos eram, as versões começam a se divergir. Alguns apontam que era um casal - um homem e uma mulher aparentemente jovens - e outros dizem que eram três pessoas - o proprietário com a irmã e o cunhado.
De um lado da casa existe um imóvel vazio que, de acordo com os vizinhos, é de uma família que está no Japão. Já do outro lado mora a professora Maria Helena dos Santos Oliveira, 59 anos.
Muito assustada e surpresa, ela, que reside há mais de 30 anos no local, disse que o homem dizia se chamar Carlos e que nunca teve qualquer suspeita do que acontecia.
"O dono era um homem de pouco mais de 30 anos. Parecia ser bem simpático. Faz uns 15 dias que ninguém aparece por aqui", aponta a professora, coincidindo exatamente com a data em que o primeiro túnel foi localizado.
Ainda de acordo com a vizinha, a casa foi comprada em maio do ano passado. Por volta de junho ou julho, foi realizada uma grande reforma no local com cerca de cinco pedreiros - provavelmente o período no qual o túnel começou a ser escavado para não chamar a atenção dos moradores. A casa, pequena e bastante visível, se transformou em um sobrado com muros altos e totalmente fechada.
Outra vizinha, que não quis se identificar, disse que até conversou com um desses pedreiros. "Eu perguntei a ele qual era o motivo da casa ser tão fechada daquele jeito. Ele me disse que os donos tinham medo de assalto", revela a ironia do fato.
Verônica Martins, 32 anos, disse que, durante a obra, o volume retirado na construção também era algo suspeito. "Tinha uma caçamba em frente à casa. Estranhávamos que essa caçamba trocava todo dia com entulhos. A reforma parecia ser muito grande".
Apesar das versões diferentes, os relatos dos vizinhos foram unânimes no veículo utilizado pelos suspeitos: uma van com pintura metálica e placas que não eram de Bauru. "Eles chegavam de noite ou no fim da tarde e estacionavam essa van de ré. Quando era bem cedinho, percebíamos que não havia mais ninguém em casa", conta uma vizinha, que não quis se identificar.
Outro morador, que também preferiu ter a identidade preservada, foi mais preciso. Segundo ele, a placa do carro era de São Paulo.
Investigações
As investigações policiais seguem exatamente na busca da identidade do proprietário do imóvel. O delegado titular da Delegacia Seccional de Bauru, Benedito Antônio Valencise, afirmou que as investigações já estão atuando nesse ponto.
"Estamos tentando descobrir quem é o proprietário. Com certeza, essa é uma das principais pistas que estamos seguindo agora", explica Valencise, justamente por confirmar que não foram encontradas quaisquer anotações no interior do imóvel.
Imóvel esse que, de acordo com o delegado, será "sequestrado" pela polícia. "Nós temos certeza que o dinheiro usado na compra desse imóvel veio do crime. Por isso, nós podemos e já pedimos o ?sequestro? do imóvel. Os criminosos irão perder essa casa", confirma.
Questionado sobre um possível nome suspeito, o delegado seccional argumenta que não pode revelar esse fato para não atrapalhar as investigações.
Antigos donos falam
Há muitos anos, o irmão de Maria Helena dos Santos Oliveira morou exatamente na residência utilizada pelos criminosos. Segundo ela, a casa teve vários outros donos depois disso.
"Lembro que o meu sobrinho vendeu a casa para um rapaz que trabalhava em uma revendedora de veículos na Nuno de Assis. Depois disso, o imóvel passou para um nordestino e foi ele quem vendeu a residência para esse pessoal que está sendo acusado de ter cavado o túnel", relembra.
Entretanto, ela não sabe sequer o nome dessa pessoa que comprou o imóvel de seu sobrinho. A reportagem foi até a revendedora de veículos em questão, porém, há alguns meses o estabelecimento foi vendido.
Outra tentativa foi por meio da prefeitura. Porém, de acordo com a assessoria de comunicação, é totalmente proibida a divulgação do nome de qualquer contribuinte.