10 de julho de 2026
Internacional

Mundo árabe tem novo dia de manifestações


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Manama - As forças do Barein abriram fogo contra manifestantes ontem, ferindo pelo menos 60 deles, num dia em que outros países árabes também reprimiram protestos violentamente.

Enquanto milhões de egípcios participavam da "Marcha da Vitória", uma semana depois da renúncia de Hosni Mubarak como presidente do país, o sucesso dessa revolução estimulava manifestações contra outros regimes autoritários do Oriente Médio e Norte da África.

A carnificina perto da praça Pérola, na capital do Barein, ocorreu um dia depois de a polícia expulsar manifestantes acampados nesse importante entroncamento viário, deixando quatro mortos e mais de 230 feridos.


Obama pede moderação


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez ontem um apelo por moderação ao governo do Barein, que já ignorou alertas anteriores de Washington a respeito da violência empregada contra manifestantes no país árabe.

É o Barein, sede da Quinta Frota Naval dos EUA, que constitui o maior dilema para o governo Obama, depois da rebelião popular que derrubou outro aliado seu, Hosni Mubarak, no Egito.


Iêmen


No Iêmen, pelo menos duas pessoas foram mortas nos confrontos das forças de segurança e de simpatizantes do governo contra uma multidão que exigia a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no poder.


Na Líbia, mortos chegam a 50


A Líbia chegou ontem ao terceiro dia de confrontos entre opositores e partidários do governo. Militares foram mandados à segunda maior cidade do país, Benghazi (1.000 km da capital, Trípoli), para controlar protestos.

Segundo a rede de TV Al Jazeera, há relatos não comprovados de forma independente de que os mortos chegam a 50 em três dias.

A organização Human Rights Watch estima que ao menos 24 pessoas morreram no país entre a última quarta-feira e ontem -quando opositores do regime promoveram um "dia de fúria?? em várias cidades do país contra o ditador Muammar Gaddafi, há 41 anos no poder.

Testemunhas disseram que hoje, após o funeral de 15 dessas vítimas, ocorreram novos choques em Benghazi.

A imprensa internacional tem sido impedida pelo governo de trabalhar, dificultando a verificação da escala da violência e dos protestos no país.

Benghazi é a cidade onde Gaddafi conta com menos apoio. Contudo, duas testemunhas disseram à agência de notícias Reuters que Saadi Gaddafi, filho do ditador e ex-jogador profissional de futebol na Itália, tomou o controle da cidade.

Ashour Shamis, um jornalista líbio baseado no Reino Unido, afirmou que também ontem centenas de manifestantes invadiram a principal

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Egípcios lotam praça no Cairo
para comemorar "Dia da Vitória"


Cairo - Dezenas de milhares de egípcios realizaram hoje uma "Marcha pela Vitória", no Cairo, para celebrar o fim do governo de 30 anos do ex-ditador Hosni Mubarak que, após 18 dias de protestos antirregime, renunciou há uma semana.

O xeque Yousef al-Qaradawi, clérigo baseado no Catar e um dos primeiros a apoiar a revolução, disse que o medo foi tirado dos egípcios e afirmou estar confiante de que o Conselho Supremo das Forças Armadas, para quem Mubarak passou o poder, não irá trair a nação.

Desde a tarde desta quinta-feira, o ambiente na praça e nos arredores era festivo e podiam ser vistos vários postos que vendiam bandeiras e cartazes que louvavam o que os egípcios não duvidam em chamar de revolução.

Mas a vida no país ainda está longe do normal uma semana após a revolta popular, focada na praça Tahrir, com tanques nas ruas, bancos fechados, trabalhadores em greve, escolas fechadas e protestos contra o governo.


Exército não quer mais greves


O conselho militar que está comandando o Egito informou ontem que não permitirá que as greves continuem no país.Segundo os militares, as paralisações estavam prejudicando a economia e a segurança nacional, afirmou a televisão estatal, citando um comunicado do Exército.

"Não queremos ver essas faces ligadas à corrupção, e violência, e camelos, matando pessoas", disse Qaradawi, referindo-se a um ataque contra manifestantes pró-democracia nos últimos dias da revolta por partidários de Mubarak que carregavam bastões e usaram camelos e cavalos para invadir a praça.
O Ministério da Saúde egípcio informou que 365 pessoas morreram nos 18 dias de protestos.
Na última terça-feira, o Conselho Militar nomeou uma Comissão Constitucional que inclui um representante da Irmandade Muçulmana, principal grupo de oposição do país, que tem oito membros.
A comissão recebeu o prazo de dez dias para elaborar propostas que, em um segundo momento, serão submetidas a um referendo popular.
A Comissão Constitucional é liderada pelo juiz aposentado Tariq El Bishri, e entre os seus outros sete participantes há três especialistas constitucionais e um membro de alto escalão da Irmandade Muçulmana, que era banida durante o governo de Mubarak.

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No Irã, clérigo rejeita pedido de forca para opositores


Teerã - Horas após milhares de partidários do governo iraniano terem ido às ruas pedindo a morte por enforcamento dos líderes da oposição, o aiatolá Ahmad Jannati disse que a demanda é desnecessária porque a influência deles já está morta e o movimento perde força no país. Anteontem, o Parlamento da República Islâmica também pediu a morte dos opositores.

"Mousavi e Karoubi devem ser enforcados" era um dos slogans gritados pela multidão, antes do início das orações do meio-dia de ontem no país. As autoridades iranianas convocaram para depois das tradicionais orações de sexta-feira em países muçulmanos uma grande manifestação para expressar "seu ódio, sua ira e sua rejeição aos crimes selvagens e repugnantes dos chefes da sedição".

Membros do Parlamento e multidões de partidários do governo pediram detenções rápidas, julgamentos e a execução de Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karoubi, depois que eles convocaram a primeira manifestação em mais de um ano na segunda-feira, na qual duas pessoas morreram.