Quanto menos horas dormindo, mais dígitos na balança. O veredicto é da Medicina. O encurtamento do sono, afirmam especialistas, seja por má qualidade ou por períodos inferiores ao mínimo necessário de seis horas, no caso de adultos - o recomendado para crianças e jovens é de pelo menos oito ? altera hormônios que regulam o apetite.
Segundo a endocrinologista Cibele Cabogrosso, quem dorme menos come mais. "Dormir menos pode dar mais fome em razão do descontrole dos hormônios reguladores da saciedade. A pessoa acorda com mais vontade de comer", atribui a especialista.
Além de não conseguir o descanso pleno, quem dorme menos de seis horas, salienta, tem mais propensão a comer mais e consequentemente ganhar peso. "O metabolismo funciona conforme o tempo de sono", conceitua. "De forma que o apetite aumenta, cresce também o volume abdominal. Uma coisa leva a outra e tudo está relacionado com a qualidade ruim do sono", relaciona a médica, citando a possibilidade de doenças ligadas a obesidade tendo como raiz o fato de dormir mal.
A especialista ressalva que nem todo mundo engorda porque dorme mal, varia muito conforme a configuração genética de cada organismo. Entretanto, contrapõe Cibele, outros reflexos negativos, que também se somam males piores, como irritabilidade, dificuldade de atenção e falta de disposição, podem surgir quanto menos se dorme. Até mesmo depressão, pontua o também médico
José Knoplich, da Sociedade Brasileira do Conforto ao Dormir, pode surgir. "O indivíduo se sente entristecido, naquela de ?ninguém me ama, ninguém me quer?, quando, na realidade, pode estar com má qualidade de sono", sugere.
Infarto
Quem dorme menos de seis horas por noite está mais propenso a morrer do coração. As chances para um ataque cardíaco para quem tem menos tempo de sono, de acordo com um estudo da Universidade de Warwick, na Inglaterra, é de 50%.
Essa vulnerabilidade está ligada ao descompasso hormonal. O desequilibrio da leptina e grelina, responsáveis pelo apetite desencadeia a maior fome, consequentemente obesidade e infarto.
Condições
Atingir o descanso pleno e estar totalmente restabelecido para matar os leões do dia a dia não requer apenas, as mínimas (no caso de adultos) seis horas noturnas de sono. O ideal, recomenda o médico José Knoplich, da Sociedade Brasileira do Conforto ao Dormir, é contar com todas as condições de ambiente para garantir a qualidade do sono.
"Quem dorme num quarto frio, ou num quarto quente, com luminosidade noturna, mora perto de um bar com o neon piscando o tempo todo, não terá um sono bom", ilustra. "Desta forma, essa pessoa muda as características do sono, prefere dormir durante o dia", acrescenta. "É necessário um quarto arejado, sem temperaturas extremas. O colchão também não deve ser muito mole, nem duro e em posição adequada. O ideal é de lado, com travesseiro na altura do ombro, se possível com joelho dobrado", recomenda. Segundo ele, essa posição evitar cãibras nas pernas, corte na circulação e respectivo formigamento dos braços, algo que assusta e acorda muita gente durante a noite.