Centrinho
Notoriedade e reconhecimento no cenário nacional e internacional. Estas foram algumas das grandes conquistas do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), o Centrinho, obtidas por meio da pesquisa e dos investimentos em ciência e tecnologia.
Por conta do cuidado no acompanhamento dos pacientes, do estudo de novas técnicas e métodos e da pesquisa de soluções seguras e inovadoras, o Centrinho tornou-se excelência em implante coclear e na prevenção e tratamento de fissuras labiopalatais. Com isso despertou o interesse de cientistas, instituições de ensino e empresas internacionais.
"Países como os Estados Unidos, por exemplo, reconhecem que as pesquisas desenvolvidas no Centrinho são confiáveis. Por conta disso aceitam financiar nossos projetos", explica Maria Inês Pegoraro-Krook, presidente da comissão de pesquisa do hospital.
Em 2010, por exemplo, duas universidades norte-americanas destinaram R$ 461.514,00 para aplicação em pesquisas mediante o repasse das informações obtidas no estudo à instituição e ao governo norte-americano.
Mas não é de hoje que o hospital trabalha de mãos dadas com a pesquisa. De acordo com José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, superintendente do Centrinho, tudo teve início em 1967, quando um levantamento feito na USP descobriu que uma a cada 650 crianças nascidas em Bauru apresentavam malformação congênita labiopalatal.
"Se não fosse por esta pesquisa, o Centrinho não existiria. Foi quando percebemos que estas pessoas mereciam atenção especial. Da mesma forma, se não realizarmos novos estudos, como será o nosso futuro? Igual. Sem melhoras", reflete.
Além deste estudo embrionário, outras pesquisas realizadas na instituição ganharam notoriedade internacional, como a que constatou que aos 12 meses de idade é a melhor fase para operar o palato aberto, tornando-se informação referencial para hospitais do mundo todo.
"A pesquisa sobre deficiência auditiva também foi importante. Por conta dos dados levantados por este estudo, o governo brasileiro estabeleceu um programa de doação de aparelhos auditivos e o Centrinho passou a realizar o implante coclear", explica Tio Gastão, que também cita uma pesquisa desenvolvida pelo departamento de nutrição que criou a carne em pó.
Atualmente, 71 alunos do curso de mestrado e doutorado e mais 118 profissionais do Centrinho se dedicam a novos projetos, que abrangem estudos sobre genética, fonoaudiologia, fisiologia, biologia molecular, cirurgia plástica, odontologia, implante coclear, uso de células-tronco, entre outras especialidades.
"A combinação de pesquisa com ensino é fundamental e traz grande amadurecimento ao Centrinho. Nós que buscamos descobrir melhorias sabemos que os percalços no caminho são muitos. No caso da pesquisa, envolvem legislação, logística, verbas e uma série de outras coisas. Porém, não são obstáculos insuperáveis", analisa João Henrique Nogueira Pinto, superintendente substituto e diretor administrativo do Centrinho. (WF)
Zoológico Municipal
Um laboratório a céu aberto. Quando o assunto é pesquisa e produção de ciência, é assim que Luiz Antônio da Silva Pires, diretor do Zoológico Municipal de Bauru, define o parque. E ele tem razão. Isto porque, abrigando 880 animais divididos em 210 espécies diferentes, o zoo atrai a atenção de muitos pesquisadores que empregam esforços para conhecer a fundo a fauna brasileira.
"Facilita muito estudar um animal quando ele está em cativeiro. Em seu habitat natural muitos fatores influenciam de forma negativa. Tem vez que o bicho está lá, outras não. No outro dia chove, atrapalha a pesquisa, etc. Com isso, o estudo leva muito tempo para ser concluído, sem contar os riscos que o pesquisador corre", enumera Luiz.
Ciente de que o Zoo de Bauru abriga uma das maiores coleções do País, o diretor reconhece a importância da pesquisa para o trabalho desenvolvido no parque. Porém, como o estudo científico não é uma das características principais do local, que não tem funcionários específicos para isso, o trabalho fica a cargo de estudantes das universidades da região.
Em 2010, nove pesquisas foram desenvolvidas no local. O objeto de estudo é o mais variado possível, vai do tipo de som emitido por uma determinada espécie de macaco às formas de relacionamento entre público e os animais.
"Depois que os pesquisadores concluem o estudo, eles deixam uma cópia do resultado com o Zoo, e isto é muito útil para nós. Por meio de um estudo realizado no ano passado com nosso animais, por exemplo, descobrimos que o parque não tem nenhum caso de leptospirose nem de leishmaniose", orgulha-se.
Além destes, dois estudos foram de grande importância para o parque: um deles pesquisou a quantidade média de sêmen produzido por tamanduás-bandeira e enquadrou os exemplares do zoológico como saudáveis; o outro constatou que a ala dos macacos era uma das menos visitadas do parque, o que gerou esforços por parte da diretoria para reverter o quadro.(WF)
Um laboratório a céu aberto. Quando o assunto é pesquisa e produção de ciência, é assim que Luiz Antônio da Silva Pires, diretor do Zoológico Municipal de Bauru, define o parque. E ele tem razão. Isto porque, abrigando 880 animais divididos em 210 espécies diferentes, o zoo atrai a atenção de muitos pesquisadores que empregam esforços para conhecer a fundo a fauna brasileira.
"Facilita muito estudar um animal quando ele está em cativeiro. Em seu habitat natural muitos fatores influenciam de forma negativa. Tem vez que o bicho está lá, outras não. No outro dia chove, atrapalha a pesquisa, etc. Com isso, o estudo leva muito tempo para ser concluído, sem contar os riscos que o pesquisador corre", enumera Luiz.
Ciente de que o Zoo de Bauru abriga uma das maiores coleções do País, o diretor reconhece a importância da pesquisa para o trabalho desenvolvido no parque. Porém, como o estudo científico não é uma das características principais do local, que não tem funcionários específicos para isso, o trabalho fica a cargo de estudantes das universidades da região.
Em 2010, nove pesquisas foram desenvolvidas no local. O objeto de estudo é o mais variado possível, vai do tipo de som emitido por uma determinada espécie de macaco às formas de relacionamento entre público e os animais.
"Depois que os pesquisadores concluem o estudo, eles deixam uma cópia do resultado com o Zoo, e isto é muito útil para nós. Por meio de um estudo realizado no ano passado com nosso animais, por exemplo, descobrimos que o parque não tem nenhum caso de leptospirose nem de leishmaniose", orgulha-se.
Além destes, dois estudos foram de grande importância para o parque: um deles pesquisou a quantidade média de sêmen produzido por tamanduás-bandeira e enquadrou os exemplares do zoológico como saudáveis; o outro constatou que a ala dos macacos era uma das menos visitadas do parque, o que gerou esforços por parte da diretoria para reverter o quadro.
Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL)
Antigamente, o Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), localizado na distante Vila Aimorés, atraía a atenção e a curiosidade dos moradores de Bauru e região por abrigar o asilo-colônia formado por portadores de hanseníase.
Com o tempo este quadro mudou. Embora o ILSL continue atraindo holofotes nacionais e internacionais, o motivo, agora, é bem diferente: é que o local se tornou referência em pesquisa e tratamento de hanseníase e doenças dermatológicas tropicais e sanitárias.
O interesse na produção de ciência, segundo Somei Ura, diretor da divisão de pesquisa do ILSL, começou em 1960, quando o asilo-colonia tornou-se um hospital, mas só foi formalizado em 1980, quando o local foi nomeado, de fato, um instituto de pesquisa.
Atualmente, cerca de 20 pesquisadores profissionais dedicam-se a 81 projetos que buscam novos tratamentos para a hanseníase e também para doenças sanitárias.
Para isso, o ILSL recebe aporte financeiro do governo estadual e de instituições de fomento à pesquisa, como o Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de onde, em 2010, recebeu R$ 700 mil; a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que aprovou sete projetos e destinou R$ 332.546,61; e a Fundação Paulista contra a Hanseníase, entre outros.
"Esses financiamentos são fundamentais. Com um deles adquirimos aqui para o Instituto um equipamento que se chama sequenciador. Ele custa em torno de R$ 300 mil e é capaz de detectar se um determinado paciente portador de hanseníase está completamente curado ou se o bacilo da doença resistiu aos medicamentos", explica.
O mesmo exame também é realizado por meio da inoculação do bacilo na pata do camundongo, mas leva cerca de um ano para apresentar resultado. Ainda assim, o instituto é o único do País a realizar os procedimentos.
"Se já é excelência com o procedimento da pata do camundongo, imagine agora com o aparelho sequenciador?", comemora Somei.
Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet)
Quanto tempo antes pode ser prevista a chegada de uma tempestade? Quais serão as regiões mais afetadas? De que forma e em que direção a chuva vai evoluir? É para responder a estas e a outras perguntas que os pesquisadores do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru estão trabalhando.
De acordo com Roberto Calheiros, vice-diretor do IPMet, a busca por novos dados e técnicas de mapeamentos de chuvas na região e até mesmo no País deve ser contínua, pois tais informações são de extrema importância para proteger a vida, a propriedade e dar apoio ao setor produtivo.
"Quanto mais detalhamentos sobre a meteorologia um pesquisador alcança, mais tragédias ele tem a possibilidade de evitar", exemplifica.
Mas as pesquisas do IPMet não se restringem somente aos estudos sobre chuva, principal fenômeno natural que atinge países tropicais como o Brasil. Além disso, o instituto também colabora no desenvolvimento de radares meteorológicos, como o protótipo de um radar oceânico, que está em fase de pesquisa e deve ser instalado no litoral de Santos em benefício da defesa nacional.
Mas por que mesmo com tantas pesquisas muitas tragédias não são evitadas? De acordo com o Roberto, a resposta é simples: falta, por parte dos órgãos competentes, mapear as áreas de risco e colocar o conhecimento resultante das pesquisas em prática.
"Cabe ao IPMet pesquisar como será a chuva, quais as regiões mais atingidas, formas de detectar uma tempestade com maior antecedência, dar manutenção aos radares, ir em busca de novas tecnologias, entre outras coisas, e passar as informações para o poder público.
A este último cabe mapear as áreas de risco, dar o alerta e salvaguardar a população, o que nem sempre é feito", critica.
Hospital Estadual (HE)
Quando se fala em Sistema Único de Saúde, o famoso SUS, a primeira imagem que vem à mente é a de pessoas doentes aguardando por horas em uma fila à espera de atendimento. O cenário descrito é comum em todo o País, mas, felizmente, não é unanimidade nas unidades de saúde pública. O Hospital Estadual Bauru (HEB) é uma das exceções.
Capacitado para atender a 68 municípios e mais de 1.800 pacientes, o HEB possui equipamentos de ponta e profissionais qualificados em 40 especialidades médicas, que vão da anestesiologia a queimaduras, perpassando as áreas de radiologia, acupuntura, entre outras.
Os atributos do HEB são bastante conhecidos em nível nacional, porém, o que pouca gente sabe é que a pesquisa científica foi - e ainda é ? fundamental para divulgar o trabalho feito no hospital e alavancar melhorias.
"O HEB foi criado em novembro de 2002. Em setembro de 2004 pleiteamos o certificado de acreditação hospitalar, uma espécie de ISO 9000, que garante a qualidade dos serviços oferecidos aqui. Para isso, tivemos de criar uma área de estudos e pesquisas", afirma Rosilene Cordeiro, supervisora do Centro de Estudos e Pesquisas (CEP) do HEB.
Os estudos desenvolvidos no local não são feitos por profissionais do HEB, mas, sim, por estudantes de mestrado e doutorado e pesquisadores que procuram o hospital. Por conta disso, os aparelhos e insumos adquiridos por meio de financiamento das agências de fomento ficam em posse de quem solicita a bolsa.
Em 2010, por exemplo, o CEP autorizou o início de 72 projetos de pesquisa nas mais diversas especialidades do HEB.
"O interesse dos pesquisadores é muito grande, pois aqui no hospital temos uma amostra de casos e pacientes muito ampla, o que facilita o estudo. Além disso, a variedade de especialidades e os aparelhos de ponta colaboram com a coleta dos dados", explica Rosilene.
Uma das áreas que concentram o maior número de pesquisas é a de queimados. Isto porque a especialidade é referência na região. Além dela, o Laboratório de Marcha também atrai a atenção dos pesquisadores.
"O Laboratório de Marcha é uma sala com equipamentos com tecnologia de ponta que registra detalhes de como o paciente caminha e deixa visível as melhores formas para auxiliar em sua reabilitação.
No Brasil, só existem três laboratórios do tipo, sendo que os outros dois ficam em São Paulo", conta.
Jardim Botânico Municipal
Conservar e dar manutenção às coleções, desenvolver trabalhos de educação ambiental e promover o lazer são os principais objetivos do Jardim Botânico (JB) Municipal de Bauru. Mas devido à riqueza e ao tamanho da reserva natural, o local tem atraído também a atenção dos pesquisadores.
Atualmente, seis projetos de estudo científico estão em andamento, muitos deles desenvolvidos por mestrandos e doutorandos de universidades de outros Estados do País. Fato que traz muitos benefícios à reserva.
"Para conservar é preciso conhecer. Aqui no JB não temos um mapeamento de quantas espécies existem em vida livre, quais estão em extinção, detalhes da vegetação, entre outras coisas. Por isso, abrir as portas ao trabalho dos pesquisadores é fundamental", avalia Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor do JB.
De acordo com ele, ter um profissional na instituição para realizar pesquisas está nos planos do JB. "É um biólogo. Já pedimos a contratação deste profissional, que terá a função de dar manutenção às coleções e também realizar pesquisas. Creio que até o final do ano teremos a resposta", planeja.
Instituto Adolfo Lutz (IAL)
Quando o assunto é gripe, leishmaniose, intoxicações alimentares ou outras doenças que causem mal à população, muita gente entra em estado de alerta. Nestes casos, quanto maior o número de dados a respeito do problema, mais seguras as pessoas se sentem. Desde 1953, o Instituto Adolfo Lutz (IAL) de Bauru é o responsável por dar este tipo de apoio à população da cidade e de mais 38 municípios da região.
Em entrevista concedida ao Jornal da Cidade no ano passado, o diretor do local, Ricardo Alcântara, conta que também há alguns outros serviços específicos na unidade bauruense. "Temos um trabalho importante de análise de leite materno junto ao banco de leite. Entre alguns fatores, analisamos a quantidade de gordura que o leite tem e o aprovamos ou não para o consumo das crianças", explica.
O número de pesquisas realizadas pelo instituto na cidade só não é maior porque a unidade de Bauru conta com apenas uma pesquisadora.