11 de julho de 2026
Política

Abastecimento de 140 mil pessoas é afetado por água com barro

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 140 mil moradores das regiões central, sul e oeste da cidade poderão sofrer com desabastecimento hoje, devido a um problema ainda não identificado na qualidade da água captada do rio Batalha. Segundo informou a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE), servidores da Estação de Tratamento de Água (ETA) da autarquia constataram na manhã de ontem que a água proveniente do rio estava chegando com a coloração turva, diversa da recebida habitualmente.

Em razão desse problema que levou água barrenta a muitas casas, a ETA teve que reduzir o volume da produção de água para 295 litros por segundo, inferior ao gerado diariamente, em torno de 540 litros por segundo. A medida foi necessária para a manutenção da qualidade da água e dos padrões físico-químicos de potabilidade, informa a assessoria de imprensa do DAE. Com isso, todas as residências e estabelecimentos de bairros como Jardim Estoril, Altos da Cidade, Vila Falcão, Vila Industrial, Jardim Bela Vista e Jardim Ouro Verde, entre outros bairros adjacentes, poderão sofrer com interrupções no fornecimento do produto.

Atualmente, o rio Batalha é responsável por 40% da distribuição de água na cidade. Ainda no dia de ontem, o JC recebeu várias reclamações de moradores e empresários do Jardim Aeroporto, Jardim América, Jardim Europa que não puderam utilizar a água que chegava até as torneiras por conta da má qualidade. Pelo menos quatro restaurantes tiveram dificuldades para funcionar por não ter água própria para uso.

E os problemas poderão se prolongar, pelo menos, até o dia de hoje, quando o DAE deverá enviar ofício ao comando da Polícia Ambiental para solicitar averiguação ao longo do Batalha que possa localizar a origem do problema. Segundo o JC apurou, uma das hipóteses cogitadas preliminarmente é um eventual desbarrancamento em alguma propriedade rural que possa ter lançado uma grande quantidade de lama no leito do rio.

Mas, como ainda não há informações concretas que possam explicar a modificação da cor da água que está sendo captada pela ETA, o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, destaca que as equipes da Polícia Ambiental terão de percorrer áreas de difícil acesso, o que poderá demandar tempo. "Embora tenha chovido na quinta e na sexta-feira, esse problema só aconteceu agora. É algo estranho. Todo o trajeto do rio entre Piratininga, Agudos e Borebi terá de ser percorrido para tentar identificar algum processo erosivo ou problema em alguma represa", destaca.

Análise


Caso nenhum problema mais evidente for identificado, a água terá de ser destinada à análise da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Por conta do transtorno, o DAE recomenda a economia por parte dos consumidores dessas regiões e informa que disponibilizará, caso necessário, caminhões-pipa através do 0800 771 0195.

Conforme o JC divulgado, o excesso de chuva que leva lama para o rio é apenas um dos entraves para o abastecimento contínuo de água em Bauru. No início do mês, por exemplo, quedas de energia em unidades de produção geraram a paralisação do funcionamento de poços profundos do Distrito Industrial III, Samambaia, Roosevelt, Jaraguá, Primavera (PVA), Bíblia (próximo do Viaduto João Simonetti) e Padilha (Bela Vista). Também tiveram problemas, poucos dias depois, 9 mil pessoas que vivem nas vilas Santista e Nipônica, jardins Solange e Ferraz, parte da Vila Independência e nos residenciais Shangri-lá e Jardins do Sul.

Na semana passada, foi a vez de os moradores do Jardim Araruna e Jardim Silvestre passarem o fim de semana sem água.