10 de julho de 2026
Articulistas

Lar Escola Rafael Maurício - vamos entender!

Catarina Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem, lendo o JC na primeira hora deste domingo, deparei-me com mais uma carta de apelo e lamento pelo Lar Escola Rarafel Maurício (LERM), e achei que era o momento de uma manifestação pública, questionando alguns fatos que vivenciei naquela entidade.

Posso falar, pois conheço a história desde o lançamento da pedra fundamental, no terreno doado pelo Carlito Boiadeiro e sua esposa Neuza Azevedo, hoje representados pelo filho Thiago, que poderá tecer comentários, se eu estiver errada.

A finalidade precípua da Escola, determinada pela Lei, era e é dar abrigo (moradia digna), estudo, educação, inclusão social e lazer aos meninos deficientes mentais abandonados pelas famílias. E no dia da inauguração, na administração Nilson Ferreira Costa, também estive lá constatando a arquitetura do local e verificando o conforto e beleza de todos os ambientes destinados aos jovens que ali recuperariam a dignidade e o orgulho de ter uma grande família. O tempo foi passando e eu, sempre visitando o local, mesmo porque tenho aluno de lá que faz aula de oficina na Apiece e passa o Dia de Natal na minha casa, com meus filhos. É um afilhado que só não trouxe para morar comigo pois a minha filha também é deficiente mental e precisaria me desdobrar em atenções; não sou tão jovem assim!

E de uns quatro anos para cá fui notando o desinteresse dos responsáveis pelo Lar; tanto na parte externa como na desorganização da vida dos meninos. E fiquei sabendo também que estava faltando dinheiro para a manutenção por inteiro. Esclareço que faltava dinheiro, mas que recebiam verbas suficientes tanto nas esferas federais, estaduais e municipais, além de doações de beneméritos, que não são poucos, de nossa cidade-mãe. E, diante disso, falei há pouco tempo ao telefone com o nosso jovem prefeito, pedindo uma providência e até me oferecendo, apesar da correria da minha lida, para voluntariar com ele e mais alguns outros interessados, fazendo um levantamento da receita e da despesa nesses últimos anos.

Pensei e não falei que os alunos do Ensino Fundamental, de responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação (leia-se Vera Caserio), muito silente por sinal, ante uma situação de desespero dos meninos que não terão para onde ir devem estudar neste momento numa Escola Municipal, já que não há dúvida que lá na Educação tem a verba suficiente para arcar com o estudo dos alunos da rede pública! Com esta medida, o rombo financeiro já ameniza demais e dá para estudar uma alternativa saudável e justa para os verdadeiros donos da casa, ou seja, os meninos deficientes mentais e sem famílias. Muitas vezes até sem certidão de nascimento!

Ninguém , caro missivista, funcionário do LERM, deve depositar a esmo sem saber a destinação e o porquê da falta de dinheiro e não de verbas, e sem verificar onde irão as doações! Acho, ainda, que os funcionários que lá trabalham e convivem com as dificuldades e obstáculos dos jovens deficientes, deveriam, por gratidão e desprendimento, dedicar um mês de seu salário ao LERM. Também minimizariam a falta de recursos momentânea!

Respeito sua preocupação com a Escola, mas tenho uma preocupação, como cidadã, muito maior, que é para onde vão os nosso meninos?! Com dinheiro ou sem, o senhor volta para... Mas, e eles?


A autora, Catarina Carvalho, é professora voluntária