08 de julho de 2026
Geral

PAI lota e crianças esperam no chão

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

Mais um tumulto no Pronto-Socorro (PS) gerou reclamações e constrangimento entre pacientes. Dessa vez, as principais vítimas foram crianças. Ontem, o movimento no Pronto-Atendimento Infantil (PAI), ao lado do PS Central de Bauru, foi palco de momentos de desespero: crianças chorando, sentadas no chão debaixo de sol e sem almoçar, aguardando por mais de cinco horas junto com seus pais.

Alguns deles, que aguardavam desde as 10h por atendimento, às 15h não haviam sido chamados. Foi o caso de Francisco Carlos Augusto, 52 anos, que buscava atendimento "de urgência" para a neta Samara Rodrigues, de apenas 1 ano e meio. "Estou perdendo um dia de serviço. Cheguei às 10h, mas agora são 15h e não fomos chamados. Ficamos sem almoçar", alegou Francisco.

Adriana Rosette, que levou a filha Gabriela Rosette à unidade, também aguardava desde as 10h. "Pelo que eu percebi, parece que as enfermeiras fizeram confusões com as fichas e não respeitaram a ordem de chegada", apontou.

Em meio à fila, pais tinham que aguardar sentados no chão com seus filhos. Erika Cristina Aires de Abreu, 29 anos, reclamava da situação junto ao filho Kauã Guilherme de Abreu Almeida, de 3 anos, que estava com febre há um dia.

"A febre dele não passa e a farmácia não vende medicamento sem receita. Então, o jeito é enfrentar a fila do Pronto-Socorro", disse a mãe, que aguardava há duas horas sentada no chão.

A pequena Bruna Cristina Leite Costa, 3 anos, também esperava ser atendida com o pé inchado, que coçava muito, segundo seu pai, Cristiano César Pereira Costa, 36 anos.

"É um absurdo diversos pais aqui sentados no chão, neste calor. Há pouco tempo atrás, também tive que enfrentar o mesmo caos, mas desisti de enfrentar a fila por causa da grande demora", salientou.


Férias

O Departamento de Urgência e Unidades de Pronto-Atendimento informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o atraso ocorreu em virtude do maior movimento e da falta de pediatra no período da tarde, que está em férias.

A média de atendimento às segundas-feiras é de 160 crianças. Ontem, o movimento considerado acima do normal teria contribuído para a demora, sendo que foram registrados 182 atendimentos das 7h às 17h.

Para receber as crianças, o PAI conta com quatro pediatras em cada período, porém, apenas três atendiam na tarde de ontem, já que um deles está de férias.

À noite, o atendimento também ficou comprometido, já que outro pediatra que trabalha no período não foi trabalhar por estar de licença médica.