Um processo de erosão e assoreamento às margens do rio Batalha, possivelmente agravado pela forte chuva do último sábado, ocasionou a chegada de água barrenta à Estação de Tratamento de Água (ETA) do Departamento de Água e Esgoto (DAE) na manhã de anteontem.
O fato prejudicou a distribuição aos bairros abastecidos pelo rio Batalha devido à queda da produção de água pela metade, além da saída de líquido sujo pelas torneiras de empresas e residências, ontem e anteontem, nas regiões sul e central da cidade.
Segundo Eliel Pacheco Júnior, assessor de gabinete do DAE, um trecho da margem do rio Batalha, em território da zona rural de Bauru, vem sofrendo processo de erosão e assoreamento. Com a chuva e o aumento do nível da água, o rio "carregou" a grande quantidade de terra, que chegou até a ETA.
Por conta do volume excessivo de resíduos, a produção de água, que normalmente é de 540 litros por segundo, foi reduzida para 295 litros. De acordo com o DAE, a medida foi necessária para a manutenção da qualidade da água e dos padrões físico-químicos de potabilidade.
O rio Batalha é responsável por 40% da distribuição de água na cidade, equivalente a uma população de 140 mil habitantes. O problema ocasionado pela erosão gerou falta de água e sujeira nas torneiras do Jardim Estoril, Altos da Cidade, Vila Falcão, Vila Industrial, Jardim Bela Vista e Jardim Ouro Verde, entre outros bairros adjacentes.
"A distribuição de água não foi interrompida, mas o volume diminuiu. As empresas que utilizam o produto em grande quantidade foram as que mais sentiram", afirmou Pacheco.
O problema afetou a distribuição de água de forma mais incisiva durante o domingo. Na tarde de ontem, porém, as reclamações persistiam. Eloani Mara Aparecido conta que quando chegou, na manhã de ontem, à residência onde trabalha no Jardim Dona Sarah, notou a falta de água, o que atrapalhou suas atividades rotineiras ao longo do dia.
"Saía pouca água da torneira e a que vinha era amarelada, não estava incolor. Pensei que fosse uma interrupção rápida, mas durante a tarde a pressão da água não voltou ao normal", relatou.
Moradores das quadras 30 a 33 da rua Bernardino de Campos também procuraram o Jornal da Cidade denunciando a falta de água nas residências. "O problema está acontecendo desde domingo de manhã", reclamou Eli Flávio Bortolotte.
Segundo a Diretoria de Serviços da ETA, a produção de água foi normalizada na tarde de ontem, e a partir de hoje, a população não deve mais sofrer com problemas no abastecimento ou com sujeira na água.
Medidas
Informações prévias da Polícia Ambiental dão conta de que o município será responsabilizado por atuar no combate à erosão às margens do rio Batalha. Segundo o tenente Leo Artur Marestoni, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Sagra) será notificada sobre o caso.
Além de assessor de gabinete do DAE, Eliel Pacheco Júnior é diretor executivo do Fórum Pró-Batalha. Ele explica que o órgão municipal, a ONG e a Polícia Ambiental vão estudar possibilidades para evitar que situações como essa voltem a acontecer.
"Fizemos vistoria em algumas propriedades para detectar o problema. Em parceria com a ONG, nós fazemos também a recuperação das matas ciliares na margem do Batalha e seus afluentes", afirmou.