Quatro meses de investigações da Polícia Civil de Agudos (13 quilômetros de Bauru) possibilitaram a prisão de 16 pessoas acusadas de tráfico de drogas num esquema criminoso que mantinha até "franquia" dos pontos de venda de entorpecente. O chefe da quadrilha, Anderson Alves de Paulo, o "Bambi", foi preso na operação. Ele comandava o tráfico do bairro Professor Simões, que fica na parte alta da cidade, onde é possível ter visão privilegiada de toda a movimentação do local.
Munidos de mandados de busca e de prisão temporária, os policiais civis da cidade, com apoio de agentes da Delegacia Seccional de Bauru, deram início à ação por volta das 6h de ontem, que fez parte da "Operação Pirâmide" do Deinter-4.
A "fortaleza do tráfico" adotava sistema de "franquias" para aumentar os lucros no crime. Segundo o delegado Jader Biazon, Anderson alugava 12 pontos a outros acusados que recebiam as drogas e pagavam semanalmente de R$ 2 a R$ 5 mil pelo "aluguel" dos locais. O bando também tem envolvimento de Adenice Pereira de Souza e Sidiclei Correia do Nascimento, o "BH", de acordo com o delegado.
A droga era distribuída nos bairros São Vicente, Vila Vienense, Pampulha e Professor Simões, mas da casa no alto do bairro Anderson mantinha um monitoramento da movimentação da polícia e dos traficantes.
"Nestes quatro meses, nós prendemos outros cinco envolvidos. Fizemos também cinco apreensões de drogas. A grande maioria dos que foram presos hoje (ontem) tem antecedentes criminais ligados ao tráfico. O esquema do Anderson era muito parecido ao de traficantes do Rio de Janeiro. Do morro (da parte mais alta) ele tinha visão de toda a cidade e conseguia controlar a movimentação de pessoas e a chegada da polícia", disse o delegado.
Lavagem de dinheiro
Para ocultar a atuação criminosa, Anderson mantinha uma empresa de grafiato na cidade. Adenice também usava da mesma artimanha. Além de ser uma das gerentes das "franquias", ela era proprietária de uma loja de roupas. "Eles possuem essas empresas de fachada para poder justificar de onde vem o dinheiro deles que, na verdade, vem do tráfico", acrescentou Jader.
Anderson andava pela cidade conduzindo um Suzuki Vitara zero quilômetro, de placas ETG-7808 de Bauru. O jipe custa aproximadamente R$ 85 mil. Além deste veículo, ele tinha também uma picape Strada de placas ETG-7330. Essa ostentação chamou atenção da polícia.
Com o chefe da quadrilha mais 15 pessoas foram presas: Marcos Alves de Paulo, Luis Fernando Damasceno, Cristiano Campos, Carlos Roberto de Godoy, Emerson Sabatino de Godoy, Fabiano Rodrigues, Cristian Aparecido Davi, Marina da Silva Ribeiro Delfino, Eliezer de Oliveira Francisco, Adenice Pereira de Souza Ferreira, João Paulo de Souza Silva, Roberta Monteiro, Cláudia de Oliveira Pinto, Edilson de Oliveira Ramos e Sidiclei Correia do Nascimento. Outro envolvido com o comando do tráfico de Agudos, Juliano Augusto Vieira, não foi localizado pelos policiais. A reportagem não conseguiu ouvir o advogado e nem os envolvidos presos até o fechamento desta edição.
Estacionados lado a lado, os veículos Suzuki Vitara, Fiat Strada, Saveiro, Gol, Fusca, Ford Ka, Corsa, Prisma e Eco Sport, todos pertencentes aos envolvidos, lotaram o pátio da delegacia da cidade, o que fez os olhares curiosos dos vizinhos do local fixarem as atenções para o que estava acontecendo. Cena atípica para a pequena Agudos.
Além dos nove automóveis, duas motocicletas também foram apreendidas. Segundo Jader Biazon, as investigações levaram a Polícia Civil a descobrir que esses onze veículos eram fruto do tráfico de drogas do comando. "Foi um duro golpe no crime organizado", declara.
Com o grupo, também foram apreendidos mais de 20 aparelhos celulares, documentos diversos, R$ 14.808,00 em dinheiro e US$ 55,00. Somente na residência de Anderson, os policiais apreenderam, além dos dois veículos, R$ 7.320,00 em dinheiro, sendo R$ 3 mil resultantes de um depósito feito anteontem.
Os 16 envolvidos foram autuados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Os homens foram encaminhados à Cadeia Pública de Duartina e as mulheres para a Cadeia Feminina de Pirajuí.
"Diga o fraco... Eu sou forte" estava anexado em forma de adesivo na traseira do Chevrolet Prisma de Roberta Monteiro, cujas placas eram Bauru. Audácia ou desafio? Não se sabe ao certo. Mas eles provavelmente acreditavam que podiam manter seus luxos com a renda oriunda de dependentes químicos por muito tempo.
"Operação Pirâmide"
A "Operação Pirâmide" da Polícia Civil na área dos 89 municípios do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo (Deinter-4) na região de Bauru prendeu 129 pessoas, apreendeu 28 armas e 21 mil unidades de produtos pirateados. Só em Agudos foram 16 presos em flagrante por envolvimento no tráfico de drogas.
A palavra Pirâmide foi usada em referência à queda da ditadura de Hosni Mubarak no Egito. Os policiais civis iniciaram a operação por volta das 6h.
Vinte pessoas foram presas em flagrante, em Paraguaçu Paulista oito detidos em flagrante por roubo. Dos 126 presos, 119 são maiores de idade e 7 são adolescentes acusados de ato infracional.
A Polícia Civil cumpriu 47 mandados de prisão por crime e 44 mandados administrativos (grande parte pelo não pagamento de pensão alimentícia). Houve ainda a apreensão de 17 veículos e mais de dois quilos de drogas. As operações são feitas mensalmente de combate ao crime.